terça-feira, 11 de outubro de 2011

São Basílio Magno, Bispo e Doutor da Igreja

     Comemoração litúrgica: 2 de janeiro  -
ORDEM DE SÃO BASÍLIO MAGNO - OSBM
São Basílio é o legislador das regras da Ordem, que tem origem na metade do século IV 
                                               
São  Basílio, este grande  doutor da Igreja, nasceu  em 330, na cidade de Cesaréia, na Capadócia,  como o mais velho de quatro irmãos, dos quais três alcançaram a  dignidade episcopal.  De cinco irmãs, a mais velha, Macrina, dedicou a sua vida a  Deus. 
Os pais do nosso Santo, Basílio e  Emélia, eram ricos  e  gozavam  de grande estima. Criança ainda,  Basílio foi acometido de grave doença,  da qual a  oração do pai maravilhosamente o curou. Entregue aos cuidados de sua avó, Macrina,  recebeu Basílio as  primeiras  instruções na prática cristã.  Mais tarde, começou os estudos em Cesaréia, contemplando o curso em Constantinopla onde se ligou a São Gregório Nazianzeno em íntima amizade.   Quando voltou a Cesaréia, estava morto já o pai.  O exemplo e  as  palavras animadoras da  avó Macrina, confirmaram-lhe o desejo de abandonar o mundo e levar uma vida de penitência e abnegação.  Neste intuito,  visitou diversos  eremitas no Egito, Síria, Palestina e Mesopotâmia, voltando para cesaréia com disposição ainda maior de  realizar esse plano.  O bispo Diânio, conferiu-lhe o leitorado.  Diânio, embora fiel à Religião Católica, por umas  declarações feitas nos concílios de Antioquia e Sárdica,  fez com que a ortodoxia fosse posta em dúvida.  Basílio, profundamente entristecido com esse  fato e para não se expor  e perder a  fé, com grande pesar  se separou do bispo,  a  quem dedicava grande amizade, e  dirigiu-se para Ponto, onde a  santa mãe e uma irmã tinham fundado um convento para donzelas cristãs. 
       Basílio, imitando o exemplo, tornou-se fundador  de um convento para homens, cuja direção foi, mais tarde, entregue a  seu irmão, São Pedro de Sebaste. A essas duas fundações, seguiram-se outras e cresceu consideravelmente o número de conventos no Ponto.  Foi nesta época, em que Basílio escreveu obras belíssimas sobre a vida religiosa,  compôs a regra da vida monástica, que até hoje é observada pelos monges da Igreja Oriental. 
         São Basílio assim se  tornou o pai do monaquismo na Igreja Oriental. 
        A vida de São Basílio era regida por uma austeridade, que causava admiração a  todos.  Ele,  fundador da Ordem, era a regra viva, dando a todos os religiosos o exemplo de todas as virtudes monásticas.  Era tão magro que parecia só pele e osso.  Aos 49 anos já era velho.  Entretanto,  fraco de  corpo, era  um herói  de  espírito. 
     O bispo Diânio, estando gravemente enfermo, mandou chamar para perto de si o santo amigo.  Sucedeu-lhe no bispado Eusébio, de  quem  Basílio  recebeu o presbiterato, com a  ordem de pregar.  Basílio continuou a  vida austera, como se estivesse no meio dos confrades.  Como, porém,  a  fama  de santIdade e  sabedoria do santo servo de Deus, começasse a incomodar e irritar ao bispo Eusébio,  Basílio retirou-se  para a solidão.  Não podiam ficar desapercebidos os sentimentos rancorosos de  Eusébio, o qual, intimado pelas  reclamações e ameaças do povo, tratou de  reabilitar o suposto êmulo.  A insistente propaganda do Arianismo, a calamidade pública, provocada  por uma grande carestia,  a direção de diversos conventos de ambos os sexos, tornaram necessária e imprescindível a  presença de Basílio em  Cesaréia.
       Os serviços que naquela ocasião prestou à população,  quer como pregador,  quer como confessor e  esmoler,  foram tantos que o próprio bispo, de desafeto que era, se lhe tornou um dedicado amigo e nada fazia, sem antes se  aconselhar com Basílio. 
       Eusébio morreu em 370 e teve por sucessor Basílio, o qual,  como  arcebispo de Cesaréia, veio a ser um astro luminoso da  Igreja Oriental.  Cumpridor dos deveres episcopais, modelo exemplaríssimo em todas as virtudes, era Basílio um baluarte fortíssimo do catolicismo contra os contínuos e  rudes ataques da heresia ariana, cujos defensores mais ardentes e poderosos se  achavam nas imediações do imperador Valente, o qual,  por sua vez,  era  adepto fanático da seita.  Valente não podia de bons olhos,  observar o desenvolvimento grandioso que a  arquidiocese de Cesaréia tomava, sob a direção do  santo pastor.  Uma comissão imperial, chefiada pelo valente capitão Modesto, seguiu com ordens especiais para Cesaréia, para por um paradeiro à atividade  apostólica de Basílio.
        O êxito dessa missão foi tão humilhante para os emissários, que maior não podia ser.  Com todas as instruções de que eram portadores, com todas as  lisonjas e ameaças, com todas as  argumentações sutis e  sofísticas,  não puderam impedir  que o espírito, a inteligência, a coragem e  a  intrepidez do santo arcebispo,  se  mostrassem de  uma superioridade admirável. Em três audiências, para as  quais  convidaram Basílio, este respondeu com tanta mansidão, clareza e energia, que no relatório que apresentaram ao imperador, confessaram redondamente a derrota. 
          Valente, em conseqüência desse fracasso, não mais importunou os  católicos.  Por ocasião da festa da Epifania foi ele mesmo a Cesaréia assistir ao Santo Sacrifício celebrado por Basílio.  Tão admirado ficou da majestade e  esplendor da  santa função que,  embora não se atrevesse  a  receber a Santa Comunhão  das mãos do arcebispo,  foi com os fiéis fazer oferenda, a qual,  aceita por Basílio que, por motivos  de prudência, julgou conveniente dispensar, por esta vez,  o rigor das leis  disciplinares da Igreja.  Valente caiu em si e  começou a tratar os católicos com mais clemência e  tolerância. 
          Não estavam  com isto de  acordo alguns palacianos,  os quais  lançando mão de todos os  meios,  conseguiram, por fim,  um decreto que ordenava a expatriação de Basílio.  No dia em que devia ser executada a  iníqua  sentença, caiu gravemente enfermo o único filho do imperador, e no estado de saúde da imperatriz se deram manifestações alarmantes de perturbações sérias.  Entre dores e desesperos, dizia  ela ao imperador que não havia dúvida tratar-se de  um justo castigo de  Deus. 
       Basílio foi reabilitado e com grandes honras  recebido no palácio imperial.  Valente prometeu ao arcebispo a  educação do príncipe herdeiro na religião Católica, se lhe alcançasse Deus o restabelecimento do mesmo.  De fato, o príncipe sarou, mas o imperador, não cumprindo depois a palavra, teve o desgosto de  perder o filho.  Recomeçaram, então,  as  maquinações  contra Basílio.  Estava lavrada a ata, que ordenava o exílio do arcebispo.  Três vezes, o imperador se dispôs a  dar-lhe assinatura e três vezes, quebrou-se-lhe a pena. Assustado com este fato, Valente tomou do papel e, com a mão trêmula,  rasgou o documento. Nunca mais se abriu campanha contra o santo.
           Modesto fez as pazes  com Basílio.  Um outro oficial, Eusébio,  que tinha dado ordem de prisão ao bispo,  retirou-a diante da atitude ameaçadora do povo, em defesa de seu pastor. 
           À tempestade, seguiu a bonança.  Basílio pôde com tranqüilidade e paz, dedicar-se aos trabalho do apostolado.  O ano de 379 trouxe-lhe a recompensa do céu.  As últimas palavras que disse, foram:  “Senhor, em vossas  mãos restituo minha alma”.  Morreu com 49 anos de idade.  Figura entre os quatro grandes doutores da Igreja do Oriente. 
Reflexões
São Basílio não hesitou em abandonar o próprio bispo Diânio, quando este começou a travar relações com os hereges.  “No meio de maus e perversos, será mau e perverso igualmente” (II Re 22-27).  Quantos  exemplos não provam  a  verdade  desta palavra do Espírito Santo.  Referimos apenas  dois:  Salomão, o monarca mais sábio do seu tempo,  afastou-se do caminho de  Deus,  fazendo-o rodear de mulheres  pagãs, cujas divindades chegou a adorar.  Dina, impedida pela curiosidade, foi ter com as  filhas de Cana (idólatras) e voltou desonrada, causando esta  desonra a  morte de  muita gente.   Que diz a experiência dos nossos dias? Não são muitos os  católicos que perderam  a fé, devido à relações que tiveram  com seitas  estranhas e ímpios?  Quantas donzelas, quantos jovens choram amargamente a  perda da inocência, resultado da liberdade  que se permitiram, com pessoas do outro sexo?  Que foi que perverteu o moço,  filho de família honrada, a ponto de  ser objeto de desprezo de todos  que o conhecem?  Unicamente a má companhia.  Que levou o esposo, antes exemplar,  a  atentar contra a santidade do matrimônio, senão a companhia de maus elementos? 
A vida e o exemplo  de São Basílio  ensinam-nos que devemos fugir,  como da peste, da influência maligna de más  companhias. Um olhar indiscreto fez com que Davi, o homem segundo o coração de Deus, caísse em pecados gravíssimos, tornando-se adúltero e  assassino. Somos  nós mais  santos que Davi, mais  sábios que Salomão? 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

São Raimundo de Penaforte

Raymon de Peñaforte.jpgMestre Geral da Ordem dos Pregadores
Nascimento c. 1175 em Vilafranca del Penedès, Espanha
Morte 6 de Janeiro de 1275 em Barcelona, Espanha
Veneração por Igreja Católica
Canonização 29 de Abril de 1601 por: Papa Clemente VIII
Principal templo Catedral de Barcelona, Espanha
Festa litúrgica 7 de Janeiro
Padroeiro:Lei canónica; advogados canônicos; advogados da Espanha.
Raimundo de Penaforte, do catalão Raimon de Penyafort (Vilafranca del Penedès, c. 1175 - Barcelona, 6 de Janeiro de 1275) é o santo patrono da lei canónica e dos advogados canônicos.
Raimundo dedicou-se desde jovem aos estudos filosóficos e jurídicos. Aos 20 anos de idade ensinava filosofia e direito canónico em Barcelona, onde foi cónego. Em 1210 foi ensinar para Bolonha (Itália), onde ficou até 1222. Foi capelão do papa Alexandre IV, e confessor de do rei Jaime I de Aragão, ao qual repreendeu pela vida licenciosa.
Entrou depois na Ordem dos Pregadores, no convento de Santa Catalina e fez uma interveção na proclamação da cruzada contra Maiorca.
A sua colaboração com Pedro Nolasco foi essencial na fundação da Ordem de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos, obtendo o consentimento de Jaime I para a fundação da Ordem.

Organização da Lei Canónica

Por ordem do Papa Gregório IX, voltou a Roma em 1230 para editar a colecção das «Decretais» e fazer a codificação da Lei canónica, que previamente estava espalhada por inúmeros documentos. A sua orgazição tornou-se um padrão por quase 700 anos, e a Lei canónica foi completamente codificada só em 1917.
Porém, quando o Papa disse que iria nomeá-lo Arcebispo de Tarragona, sentiu-se tão consternado que caiu gravemente enfermo. Quando os seus conhecidos amigos Dominicanos de Bolonha chegaram em Barcelona, abandonou tudo para vestir o hábito branco de São Domingos.

Conversões e repressão de outros credos

Em 1238 tornou-se terceiro Superior da Ordem Geral dos Dominicanos, por dois anos visitando a pé todos os conventos da Ordem. Redigiu também as suas novas constituições, promulgadas em Paris em 1240), apesar de renunciar ao seu cargo alegando motivos de fraca saúde, o que não deixa de ser irónico para quem viveu até cerca dos 100 anos.
Durante este tempo dedicou-se a converter judeus e muçulmanos ao cristianismo, e para cumprir este objectivo introduziu o ensino das línguas árabe e hebraica nas escolas dos dominicanos.
Exercendo a sua influência sobre o Jaime I de Aragão, persuadiu-o a convocar um debate público sobre o judaísmo e o cristianismo, entre Moshe ben Nahman (também chamado El Rab de España ou Bonastruc de Porta), um rabino de Gerona, e Pablo Christiani, um judeu convertido de Montpellier que pertencia à Ordem Dominicana. Neste debate, que teve lugar no palácio real de Barcelona (20-24 de Julho de 1263), na presença do rei e do alto clero, Raimundo teve um papel importante. Liderava os teólogos presentes e, com a concordância do rei, deu liberdade de expressão ao rabino, mas observando que não deveria blasfemar contra o cristianismo. A isto, Moshe ben Nahman respondeu que sabia o que as leis da propriedade exigiam. No sabbath imediatamente após o debate, os cristãos visitaram a sinagoga, onde Raimundo pregou a Santíssima Trindade, refutada pelo rabino.
Raimundo obteve a permissão de Jaime I para que Pablo Christiani continuasse as suas viagens missionárias, e também a ordem para que todos os judeus sob a sua soberania fossem obrigados a ouvir os sermões deste e de todos os outros dominicanos. Para além disso, deu um prazo de três meses para eliminar dos livros destes tudo o que estivesse contra a religião cristã. A comissão de censura nomeada consistia em Arnaldo de Guerbo, bispo de Barcelona, Raimundo, e os dominicanos Arnoldo de Legarra, Raymundo Martin (autor de Pugio Fidei) e Pedro de Janua, ou Génova.

Últimos anos

Aos 70 anos voltou a ensinar. Foi também um escritor fecundo. Entre os seus escritos, destaca-se a Summa Casuum para a administração recta e proveitosa do sacramento da Penitência, e também a Summa de poenitentia et matrimonio, a Summa contra gentes sobre muçulmanos e judeus e a Summa pastorales.
Raimundo morreu em 6 de Janeiro de 1275 e está enterrado na catedral de Barcelona. O papa Clemente VIII procedeu à sua canonização em 29 de Abril de 1601. É o santo padroeiro da Lei canónica e dos seus advogados, e na Espanha é padroeiro de todos os advogados. A sua festa religiosa celebra-se a 23 de Janeiro.
O Estado espanhol, por decreto de 23 de Janeiro de 1944, instituiu a condecoração honorífica «Cruz de San Raimundo de Peñafort» visando premiar aqueles que por relevantes méritos se distingam na administração da justiça e no estudo do direito em todos os seus ramos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Jerónimo Emiliano

Convertido e penitente, Santo 1481-1537
A Providência serviu-se do extraordinário espírito de penitência de um pecador para fazer germinar prodigiosa obra de amparo aos pobres, órfãos e doentes, bem como recuperação de mulheres de má vida
*****
Para opor-se às nefastas influências do Renascimento e do protestantismo no século XVI, a Providência suscitou uma plêiade de grandes Santos que agiram nos mais variados campos da actividade humana. Um deles foi São Jerónimo Emiliani, do patriciado de Veneza, senador da República, militar brilhante e valoroso, que tudo deixou para amparar e dar formação cristã aos órfãos das inúmeras guerras e pestes do tempo. Sua festa comemora-se a 8 de fevereiro.
Oriundo de uma família nobre que havia já dado ilustres membros à Igreja, ao Senado e às armas da Sereníssima República de Veneza, Jerónimo nasceu naquela cidade marítima em 1481. Seu pai, senador, tinha pouco tempo para dedicar à sua educação, que foi entregue à sua mãe. Piedosa e meiga, Dona Eleonora soube incutir no coração do menino profundas sementes de Religião, que mais tarde dariam fruto.
Mas foi o nobre amor às armas, herdado de seus antepassados, que teve a preferência do pequeno Jerónimo, de tal sorte que já aos 15 anos, pouco depois de perder o pai, ele se alistava no exército da República veneziana.
Participando de várias batalhas, foi sempre notado por seu valor e brio militar. Mas infelizmente sofreu a má influência da vida licenciosa, já então comum em quartéis e acampamentos. Más amizades ajudaram-no a deslizar insensivelmente pela rampa do vício, e Jerónimo entregou-se a muitos excessos. Um deles era o da ira, que chegava facilmente a verdadeiro furor. Se ele não caiu mais baixo, foi porque, aspirando aos mais altos cargos em Veneza, necessitava ter uma conduta honrosa.
O contínuo apelo às armas não lhe permitiu formar um lar. Ou melhor, Deus não o permitiu, porque tinha desígnios sobre ele.

No cárcere, ouve a  voz de Deus

Contava Jerónimo 28 anos quando, em 1508, os venezianos levantaram-se em armas contra a Liga de Cambray, formada pelo Papa e pelos Reis Luís XII da França, Maximiliano da Alemanha e Fernando o Católico, da Espanha. A ele foi confiada a difícil defesa de Castelnuovo. Vendo a desproporção entre os dois exércitos, o governador da cidade fugiu, deixando-o com todo o ónus da defesa. Jerónimo negou-se a render-se, e lutou até que a praça fosse arrasada.
Em seguida, segundo o costume do tempo, ele foi preso numa torre, carregado de correntes no pescoço, braços e pés. O pior, porém, era a perspectiva da morte e o lento passar do tempo.
Nas intermináveis horas em que jazia no cárcere, a graça foi produzindo seus frutos em sua alma, e ele começou a lembrar-se dos ensinamentos de piedade e virtude recebidos em criança, e do bom exemplo dos irmãos e da mãe. Considerou a vida desordenada que levava, tão afastado de Deus, e acabou por julgar que era um merecido castigo aquele que lhe fora infligido. Pediu a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora de Treviso, que o aceitasse como expiação e lhe desse uma oportunidade de reparar condignamente a vida passada.

Auxiliado por Nossa Senhora, foge da prisão

Apareceu-lhe então Nossa Senhora, que lhe deu as chaves de suas correntes e do calabouço. Auxiliou-o a sair da prisão sem ser visto e a atravessar o campo inimigo, para chegar a Treviso. Lá, no altar da Virgem, Jerónimo depôs as correntes e as chaves que lhe tinham sido milagrosamente entregues. Quis que esse ato fosse registrado por um notário público, e depois pintado por um dos famosos pintores de Veneza.
Começou para Jerónimo Emiliani uma guerra muito mais árdua e sem quartel do que todas as outras: a luta contra seus próprios defeitos. Em busca de auxílio, procurou um piedoso sacerdote como director espiritual e recorreu com frequência aos Sacramentos. Prostrava-se diante de um Crucifixo e suplicava: “Ó Jesus, não sejais um Juiz para mim, sede antes o meu Salvador”. Ou, como Santo Agostinho: “Senhor, sede para mim verdadeiramente Jesus! Vós só podeis ser meu Salvador”.
Aos poucos foi controlando suas paixões, sobretudo a ira, pelo exercício da docilidade e paciência. Adquiriu assim a verdadeira humildade e mansidão de coração, tornando-se o homem mais afável e pacífico de Veneza.
O Senado da Rainha do Adriático – como era conhecida Veneza ―, para recompensá-lo por seu valor na defesa de Castelnuovo, nomeou-o governador dessa cidade. Mas ele teve pouco tempo para exercer esse cargo, pois necessitou tomar sobre si a tutela dos sobrinhos, que o repentino falecimento de seu irmão deixara órfãos. Tendo-lhes assegurado uma boa educação e um rendimento de acordo com sua alta categoria, ele ficou livre para cumprir então o que havia prometido.
Jerónimo Emiliani já não era o mesmo. Renunciara a todos os cargos e comodidades da vida, mesmo as mais legítimas, às belas roupas, e afligia seu corpo com jejuns e penitências extraordinários, passando longas horas em oração e empregando o tempo livre em socorrer os pobres e doentes.
Em 1528 uma grande carestia assolou a Itália, com fome geral. Todos os dias a morte ceifava inúmeras vítimas. Para socorrê-las, Emiliani vendeu até os seus próprios móveis, transformando sua casa em hospital.
À fome sucedeu uma moléstia contagiosa, que fez muito mais vítimas. Jerónimo foi atingido tão fortemente, que chegou a receber os últimos Sacramentos. Mas pediu a Deus saúde para poder, por uma penitência mais longa, reparar a vida passada. Foi ouvido, e redobrou de zelo no amor a Deus e ao próximo.

Orfanato: obra precursora de uma família religiosa

A fome e a peste haviam deixado grande número de órfãos, que vagavam pelas ruas reduzidos à mendicidade e exposto aos piores vícios. O Santo começou a recolhê-los em uma casa que comprara para isso; procurou mestres para ensinar-lhes alguns ofícios, e proveu sobretudo à saúde de suas almas. Fazia com eles as orações da manhã e da noite. Levava-os  a assistir à Missa diariamente e a alternar o trabalho manual com momentos de silêncio,  o cântico de ladainhas e outras orações. Fazia-os confessarem-se uma vez por mês, e nos dias de festa levava-os, todos vestidos de branco, a visitar os principais santuários de Veneza, cantando ladainhas pelas ruas e praças. Toda a cidade via emocionada aquele que fora um cavaleiro tão brilhante, agora transformado no pai dos órfãos.
A caridade de Jerónimo Emiliani não se circunscreveu a Veneza, mas logo atingiu também Bérgamo, Bréscia, Como e Somasca. Já nesse tempo havia recebido a ordenação sacerdotal, e a ele tinham se reunido mais dois santos sacerdotes, que, a seu exemplo, distribuíram aos pobres tudo o que possuíam, para abraçar a pobreza voluntária.

Congregação e depois Ordem de amparo à pobreza

Jerónimo pensou logo em fundar uma Congregação regular para dar mais estabilidade à sua obra. Escolheu para isso Somasca, entre Milão e Bérgamo, para estabelecer a casa-mãe e o seminário. Daí veio o nome pelo qual ficaram conhecidos, Clérigos Regulares de Somasca. O Santo escreveu os primeiros regulamentos para essa Congregação, a base dos quais era a santa pobreza, que deveria manifestar-se em todas as coisas, desde o hábito até o mobiliário da casa. Os alimentos mais requintados foram abolidos de sua mesa, devendo eles contentar-se com a comida comum dos camponeses. Durante as refeições haveria leitura espiritual. Observariam o silêncio e as mortificações da regra. Empregariam parte da noite em oração, e durante o dia, se não estivessem atendendo os órfãos ou os doentes, deveriam entreter-se com algum trabalho manual. A finalidade principal dos Clérigos Regulares era a instrução das crianças e de jovens eclesiásticos.
Em Bérgamo, o Santo procurou também reconduzir para o bom caminho mulheres perdidas, que ele havia convertido. Obteve que fossem fechadas as casas que serviam para sua libertinagem. Aumentando o número das arrependidas, reuniu-as em uma casa especial, com uma regra de vida, para que perseverassem nos bons propósitos.

Um Papa e um Santo defendem Jerónimo Emiliani

Sua Congregação foi aprovada como Ordem religiosa pelo Papa Paulo III, grande amigo de Jerónimo. Esse Pontífice, juntamente com São Caetano de Tienne, era um de seus mais ardorosos defensores e benfeitores.
Vendo o bem que o Santo fazia, o Senado de Veneza ofereceu-lhe a direcção do hospital dos incuráveis, que Jerónimo aceitou pela oportunidade que tinha de dar assistência a muitos doentes terminais. Quando via-se sem recursos materiais para acudir a tantas iniciativas, escolhia quatro de seus orfãozinhos com menos de oito anos de idade, portanto mais inocentes, para fazer ao Céu violência com suas orações.
Entrementes, a fama de santidade de Jerónimo atraía-lhe muitos doadores e novos membros para sua Congregação.

Morte: último ato de caridade numa epidemia

Embora contasse pouco mais de 55 anos, Jerónimo teve certa premonição de que seu fim estava próximo. Procurou então consolidar sua obra, visitando todas as casas da Ordem. Ia sempre a pé e não tomava outro alimento senão pão e água.
Uma terrível peste afligiu Bérgamo, fazendo inúmeras vítimas. Para lá acorreu Jerónimo Emiliani com o mesmo ardor de sempre. Contraiu também a peste e viu que seus dias estavam contados. Alegre, repetia com São Paulo: “Quero a morte, para viver com Cristo”. Reuniu seus discípulos para os últimos conselhos. Os benditos nomes de Jesus e de Maria não lhe saíam dos lábios.
Enfim, no dia 8 de fevereiro de 1537, tendo recebido os últimos Sacramentos, entregou sua alma a Deus, na idade de 56 anos.
Pio XI o proclamou patrono universal dos meninos órfãos e abandonados.
Fonte: Alexandrina Balasar

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Antologia de Homilias de Santo Hilário de Poitiers

Santo Hilário de Poitiers

(cerca de 315 - 367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja

. De Trinitate: «Com que autoridade fazes isso?»
. De Trinitate: «O caminho para o Pai»
. «A unidade natural dos fiéis em Deus, encarnação do Verbo e o sacramento da Eucaristia»
. Comentário sobre S. Mateus: Cristo é o cumprimento das Escrituras: «Eu não vim abolir mas cumprir»
. Trindade, 12, oração final: «E não fez ali muitos milagres por causa da falta de fé deles»
. Tratado dos Mistérios, Prefácio: «A vós, é-vos dado que conheçais os mistérios do Reino de Deus»
. Sobre Mateus, 4, 27:  «Sede perfeitos como o vosso Pai celestial é perfeito»
. De Trinitate, VII, 26-27 : «Com que autoridade fazes isso?»
. Tratado sobre o salmo 91,3,4-5,7: «É permitido, no dia de sábado, fazer o bem?... salvar uma vida?»
. Tratado sobre a Trindade: «Não compreendeis ainda? Tendes os vossos corações cegos?»
. Tratado sobre o salmo 64: «O Templo de que falava era o seu Corpo»
. A Trindade, 12,52-53: «Não é o filho do carpinteiro?... Ele não fez muitos milagres neste lugar, em virtude da falta e fé deles»
. A Trindade, 2, 31-35: «Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco: o Espírito de verdade»
. La Trinité, 12, 55s; PL 10, 472: «Não sabes de onde ele vem nem para onde vai»
. Comentários sobre Mateus, 16: «Tu és... o Filho do Deus vivo»

«Com que autoridade fazes isso?»
De Trinitate
É bem do Pai, este Filho que se lhe assemelha. Vem d’Ele, este Filho que se lhe pode comparar, porque a Ele é semelhante. É igual a Ele, este Filho que realiza as mesmas obras (Jo 5,36)… Sim, o Filho cumpre as obras do Pai; por isso, nos pede que acreditemos que Ele é o Filho de Deus. Não se arroga um título que lhe não seja devido; não é nas suas próprias obras que apoia a sua reivindicação. Não! Ele testemunha que não são as suas próprias obras mas as do Pai. Atesta assim que o fulgor das suas acções lhe vem do seu nascimento divino. Mas como é que os homens teriam podido reconhecer n’Ele o Filho de Deus, no mistério daquele corpo que Ele tinha assumido, naquele homem nascido de Maria? Foi para fazer penetrar no coração dos homens a fé n’Ele próprio que o Senhor cumpriu todas aquelas obras: “Se cumpro as obras de meu Pai, então, mesmo se não quiserem acreditar em mim, acreditem ao menos nas minhas obras!” (Jo 10,38)
Se a humilde condição do seu corpo parece um obstáculo para que creiamos na sua palavra, Ele pede-nos que ao menos acreditemos nas suas obras. Com efeito, porque é que o mistério do seu nascimento humano nos impediria de acolher o seu nascimento divino?... “Se não quiserem acreditar em mim, acreditem nas minhas obras, para saberem e reconhecerem que o Pai está em mim e Eu no Pai”…
Assim é a natureza que Ele possui pelo nascimento; assim é o mistério de uma fé que nos garantirá a salvação: não dividir quem é um só, não privar o Filho da sua natureza e proclamar o mistério do Deus Vivo, nascido do Deus Vivo… “Tal como o Pai que me enviou está vivo, também eu vivo pelo Pai” (Jo 6,57). “Como o Pai tem a vida em si mesmo, também Ele concedeu que o Filho também tivesse a vida em si” (Jo 5,26). 

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«O caminho para o Pai»
De Trinitate
O Senhor não nos deixou um ensino incerto ou duvidoso sobre o mistério, nem nos abandonou ao erro que pode nascer de uma compreensão ambígua. Escutemo-lo, pois, quando revela aos apóstolos o inteiro conhecimento dessa fé. Com efeito Ele diz: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, senão através de mim.». Aquele que é o caminho não nos deixou errar em caminhos sem saída. A verdade não nos lançou à mentira. A vida não nos entregou ao engano que mata. E, porque Ele manifestou para nossa salvação os nomes doces do Seu acompanhamento: caminho para nos conduzir à verdade; verdade para nos estabelecer na vida, saibamos qual é o sacramento que nos conduz a essa vida: « ninguém chega ao Pai, senão através de mim», o caminho para o Pai passa pelo Filho. « Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o Pai.». Vemos o homem Jesus Cristo. Como é que, conhecendo-O, conheceremos também o Pai? No mistério do corpo que tomou, o Senhor manifesta a divindade que está no Pai; marca essa ordem: «Se me conhecerdes, conhecereis também o Pai, a partir de agora, conhecê-Lo-eis e tendê-Lo visto». Ele distinguiu o tempo da visão do do conhecimento, pois diz que já vimos aquilo que deveremos conhecer, para que recebamos através dessa revelação temporal o conhecimento da natureza que está nele... Vemos um homem, Ele proclama-se Filho de Deus. Ele afirma que aquele que o conhece conhece o Pai. Ele diz que o Pai foi visto e que é por ter sido visto que será conhecido.

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«A unidade natural dos fiéis em Deus, encarnação do Verbo e o sacramento da Eucaristia»
Realmente o Verbo de fez carne (Jo 1, 14) e de fato nós comemos o Verbo feito carne, no alimento do Senhor. Como, então, não julgar que permanece em nós com a sua natureza aquele que, nascendo homem, tornou a natureza da nossa carne inseparável de si mesmo e uniu a natureza da sua carne com a natureza divina, no sacramento que nos comunica a sua carne? Deste modo somos todos uma só coisa: o Pai que está em Cristo e Cristo que está em nós.
Está, pois, em nós por sua carne e nós estamos nele, uma vez que está em Deus, com ele, aquilo que nós somos.
Ele é quem atesta até que ponto estamos nele pelo sacramento da comunhão da carne e do sangue quando afirma: E este mundo já não me vê; mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis; porque eu estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós (Jo 14,19.20).
Se queria que entendêssemos apenas a união das vontades, por que distinguiu um certo grau e ordem, segundo os quais devia consumar-se a unidade? Certamente para que acreditássemos que, estando ele no Pai pela natureza divina e nós nele por seu nascimento corporal, ele está em nós pela ação misteriosa dos sacramentos.
É como se nos fosse ensinada a unidade perfeita que se realiza pelo Mediador: permanecendo nós nele, ele permanece no Pai e, permanecendo ele no Pai, permanece também em nós. Deste modo, poderemos chegar até à unidade com o Pai, pois ficaremos nele naturalmente, ele que está no Pai naturalmente, segundo o nascimento e que ficará em nós naturalmente.
Quão natural seja em nós esta unidade ele o atestou assim: Quem come minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele (Jo 6,56). Ninguém estará nele a não ser aquele em quem ele estiver, uma vez que só tem a carne que ele assumiu quem come de sua carne.
Mais acima já ensinara o sacramento desta perfeita unidade: Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim também o que come a minha carne viverá por mim (Jo 6,57). Portanto vive pelo Pai. E do mesmo modo como vive pelo Pai, nós vivemos por sua carne.
Presume-se que toda comparação se adapta à maneira de ser da inteligência, quer dizer: entende-se aquilo de que se trata de acordo com o exemplo que é proposto. Esta é, portanto, a causa de nossa vida: em nós, feitos de carne, temos a Cristo que permanece pela carne; e mediante sua humanidade vivemos daquela vida que ele recebe do Pai.

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«Eu não vim abolir mas cumprir»
Comentário sobre S. Mateus: Cristo é o cumprimento das Escrituras
A força e o poder destas palavras do Filho de Deus encerram um profundo mistério. A Lei, com efeito, prescrevia obras, mas todas essas obras, orientava-as para a fé nas realidades que seriam manifestadas em Cristo, pois o ensino e a paixão do Salvador são o grande e misterioso desígnio da vontade do Pai. A lei, sob o véu das palavras inspiradas, anunciou a natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua encarnação, a Sua paixão, a Sua ressurreição; os profetas tal como os Apóstolos ensinam-nos repetidamente que, desde os séculos eternos, todo o mistério de Cristo foi preparado para ser revelado no nosso tempo...
Cristo não quis que nós pensássemos que as suas próprias obras continham outra coisa que não fossem as prescrições da Lei. Assim o afirmou Ele próprio: «Eu não vim abolir, mas cumprir»,... pois em Cristo toda a lei e toda a profecia se consumam. No momento da Sua paixão , ... Ele declarou: «Tud o está consumado» (Jo 19,30). Nesse momento, todas as palavras dos profetas receberam a sua confirmação.
Cristo afirma também que mesmo o mais pequeno dos mandamentos de Deus não pode ser abolido sem ofensa a Deus. Aqueles que rejeitarem esses pequenos mandamentos, advertiu-nos Ele, serão os mais pequenos; serão os últimos e, por assim dizer, sem valor. Não há mandamentos mais pequenos que os mais humildes. E o mais humilde de todos foi a paixão do Senhor e a Sua morte na cruz.
«E não fez ali muitos milagres por causa da falta de fé deles»
Trindade, 12, oração final
Peço-te, Pai Santo, Deus Todo-Poderoso, conserva intacto o fervor da minha fé e, até ao último suspiro, concede-me conformar a minha voz às minhas convicções profundas. Sim, que eu conserve sempre aquilo que afirmei no credo proclamado aquando do meu novo nascimento, quando fui baptizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Concede-me que Te adore, a Ti, Pai nosso, e ao Teu Filho, que é um só Deus contigo; faz com que obtenha o Teu Espírito Santo, que de Ti procede, pelo Teu Filho único.
A minha fé tem a seu favor uma excelente testemunha: Aquele que declara: “Pai, tudo o que é Meu é Teu e tudo o que é Teu é Meu” (Jo 17, 10). Esta testemunha é o meu Senhor Jesus Cristo, Deus eterno em Ti, de Ti e contigo, Ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amén.

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«A vós, é-vos dado que conheçais os mistérios do Reino de Deus»
Tratado dos Mistérios, Prefácio
Toda a obra contida nos santos livros anuncia por palavras, revela por fatos, estabelece com exemplos, a vinda de Jesus Cristo nosso Senhor que, enviado por Seu Pai, se fez homem, nascendo de uma virgem por ação do Espírito Santo. Com efeito, durante todo o processo da criação, é Ele que, através de prefigurações verdadeiras e manifestas, gera, lava, santifica, escolhe, separa ou resgata a Igreja nos patriarcas: pelo sono de Adão, pelo dilúvio de Noé, pela justificação de Abraão, pelo nascimento de Isaac, pela servidão de Jacob. Ao longo da passagem dos tempos, numa palavra, o conjunto das profecias, essa realização do plano secreto de Deus, foi-nos dada por benevolência para o conhecimento da Sua incarnação futura...
Em cada personagem, em cada época, em cada acontecimento, o conjunto das profecias projeta como que num espelho a imagem da Sua vinda, da Sua pregação, da Sua Paixão, da Sua ressurreição e da nossa reunião na Igreja... A começar por Adão, ponto de partida do nosso conhecimento do gênero humano, nós encontramos anunciado desde a origem do mundo, em grande número de prefigurações, tudo aquilo que recebeu no Senhor o seu cumprimento total.

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“Sede perfeitos como o vosso Pai celestial é perfeito”
Sobre Mateus, 4, 27
“Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.” Com efeito, a Lei exigia o amor ao próximo, mas permitia odiar o inimigo. A fé prescreve o amor aos inimigos. Através do sentimento universal da caridade, destrói os movimentos de violência que há no espírito do homem, não apenas impedindo a cólera de se vingar, mas também apaziguando-a, até fazer-nos amar aquele que não tem razão. Amar os que vos amam pertence aos pagãos, e toda a gente gosta de quem gosta de si. Cristo chama-nos, pois, a viver como filhos de Deus e a imitar Aquele que, pelo advento do seu Cristo, concede, seja aos bons, seja aos culpados, o sol e a chuva nos sacramentos do baptismo e do Espírito. Assim, forma-nos para a vida perfeita através deste laço de uma bondade para com todos, chamando-nos a imitar o Pai do céu, que é perfeito.

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«Com que autoridade fazes isso?»
De Trinitate, VII, 26-27
Pertence claramente ao Pai, este Filho que se parece com Ele. Vem dele, este Filho que podemos comparar com Ele, porque lhe é semelhante. É seu igual, este Filho que realiza as mesmas obras que Ele (Jo 5, 36). […] Sim, o Filho realiza as mesmas obras que o Pai; é por isso que nos pede que acreditemos que é o Filho de Deus. Não se arroga um título que não Lhe seja devido; não é nas Suas próprias obras que apoia esta reivindicação. Não! Dá testemunho de que não são as Suas próprias obras, mas as obras do Pai, atestando assim que o brilho dos Seus actos Lhe vem da sua origem divina. Mas como poderiam os homens ter reconhecido nele o Filho de Deus, no mistério desse corpo que Ele tinha assumido, nesse homem nascido de Maria? Foi para lhes encher o coração de fé em Si que o Senhor realizou todas estas obras. “Se faço as obras de meu Pai e não credes em Mim, crede nas Minhas obras” (Jo 10, 38).
Se a humilde condição do Seu corpo nos parecer um obstáculo para acreditarmos na Sua palavra, pede-nos que acreditemos ao menos nas Suas obras. Com efeito, por que haveria o mistério do Seu nascimento humano de nos impedir de perceber o Seu nascimento divino? […] “Se não credes em Mim, crede nas Minhas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em Mim e Eu nele” […].
Tal é a natureza que possui por nascimento; tal o mistério de uma fé que nos garantirá a salvação: não dividir aqueles que são um, não privar o Filho da Sua natureza e proclamar a verdade do Deus Vivo, nascido do Deus Vivo. […] “Assim como o Pai, que vive, Me enviou, Eu vivo pelo Pai” (Jo 6, 57). “Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter a vida em Si mesmo” (Jo 5, 26).

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«É permitido, no dia de sábado, fazer o bem?... salvar uma vida?»
Tratado sobre o salmo 91,3,4-5,7
O Senhor trabalha no dia de sábado? Com certeza, de outra forma o céu desaparecia, a luz do sol apagava-se, a terra pardia consistência, todos os frutos perderiam a seiva e a vida dos homem pereceria, se, por causa do sábado, a força construtiva do universo deixasse de agir. Mas, de facto, não há qualquer interrupção; durante o sábado, tal como nos seis outros dias, os elementos do universo continuam a cumprir a sua função. Através deles, o Pai trabalha, pois, todo o tempo, mas actua através do Filho que nasceu dEle e por quem tudo isto é a sua obra... Pelo Filho, a acção do Pai prossegue no dia de sábado. Por consequência não há repouso em Deus, pois que nenhum dia vê cessar a obra de Deus.
É assim a acção de Deus. Mas, então, em que consiste o Seu repouso? A obra de Deus é a obra de Cristo. E o repouso de Deus é Deus, é Cristo, pois tudo o que pertence a Deus está verdadeiramente em Cristo a tal ponto que o Pai pode descansar nEle.

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«Não compreendeis ainda? Tendes os vossos corações cegos?»
Tratado sobre a Trindade
Pai, Deus todo-poderoso, é a ti que devo consagrar a principal ocupação da minha vida. Que todas as minhas palavras e pensamentos se ocupem de ti. Porque somos pobres, pedimos aquilo que nos falta; faremos um esforço desmedido para entender as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos, bateremos a todas as portas que nos dêem acesso a uma compreensão que nos está vedada.Mas é a ti que cabe atender o nosso pedido, conceder o que procuramos, abrir a porta fechada. Na verdade, vivemos numa espécie de torpor por causa do nosso adormecimento natural; estamos impedidos de compreender os teus mistérios por uma ignorância invencível devida à fraqueza do nosso espírito.
Mas o zelo pelos teus ensinamentos fortalece a nossa percepção da ciência divina e a obediência da fé nos ergue acima da nossa capacidade natural para conhecer. Esperamos, assim, que tu estimules os começos desta difícil empresa, que a fortaleças com um sucesso crescente, que a chames a partilhar o espírito dos profetas e dos apóstolos. Quereríamos compreender as suas palavras no sentido com que eles as pronunciaram e empregar os termos exactos para transmitir fielmente as realidades que eles exprimiram. Concede-nos o sentido exacto das palavras, a luz da inteligência, a elevação da linguagem, a ortodoxia da fé; aquilo em que acreditamos, concede-nos que também o afirmemos. 

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«O Templo de que falava era o seu Corpo»
Tratado sobre o salmo 64
O Senhor disse. “Aqui será o meu repouso para sempre” e “escolheu Sião como lugar de sua morada” (Sl 131,14). Mas Sião e o seu templo foram destruídos. Onde se erguerá então o trono eterno de Deus? Onde será o seu repouso para sempre? Onde será o seu templo para que nele habite? O apóstolo Paulo responde-nos: “O templo de Deus sois vós; em vós habita o Espírito de Deus” (1 Co 3,16). Eis a casa e o templo de Deus; eles estão cheios da sua doutrina e do seu poder. São o habitáculo da santidade do coração de Deus.
Mas esta morada, é Deus quem a edifica. Construída pela mão dos homens, não duraria, nem mesmo se fosse fundada sobre doutrinas humanas. Os nossos vãos labores e as nossas inquietações não bastam para a proteger. O Senhor resolve as coisas de outra maneira; ele não pôs os seus alicerces sobre terra solta nem sobre areias movediças, mas assentou-a sobre os profetas e os apóstolos (Ef 2,20); ela é incessantemente construída com pedras vivas (1 Pe 2,5) e desenvolver-se-á até às últimas dimensões do corpo de Cristo. A sua edificação prossegue sem cessar; à sua volta erguem-se numerosas casas que se reúnem numa cidade grande e bem-aventurada (Sl 121,3).

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«Não é o filho do carpinteiro?... Ele não fez muitos milagres neste lugar, em virtude da falta e fé deles»
A Trindade, 12,52-53
Por tanto tempo quanto eu goze do sopro de vida que me concedeste, Pai santo, Deus todo poderoso, proclamar-te-ei Deus eterno, e também Pai eterno. Nunca eu me farei juiz do teu poder supremo e dos teus mistérios; nunca eu farei passar o meu conhecimento limitado à frente da noção verdadeira do teu infinito; nunca eu afirmarei que outrora exististe sem a tua Sabedoria, sem o teu Poder e o teu Verbo, Deus, o Unigénito, meu Senhor JESUS Cristo. É que mesmo sendo a linguagem humana fraca e imperfeita, ao falar de ti, ela não limitará o meu espírito ao ponto de reduzir a minha fé ao silêncio, por falta de palavras capazes de exprimir o mistério do teu ser...
Também nas realidades da natureza, há muitas coisas das quais não conhecemos a causa, sem contudo lhes ignorarmos os efeitos. E, quando, pela nossa natureza, não sabemos o que dizer dessas coisas, a nossa fé cora de adoração. Quando contemplo o movimento das estrelas..., o fluxo e refluxo do mar..., o poder escondido na mais pequena semente..., a minha ignorância ajuda-me a contemplar-te, pois, se não compreendo essa natureza que está ao meu serviço, distingo nela a tua bondade, mesmo pelo facto de existir para me servir. Eu próprio, apercebo-me de que não me conheço, mas admiro-te tanto mais... Deste-me a razão e a vida e os meus sentidos de homem que me causam tantas alegrias, mas não consigo compreender qual foi o meu começo de homem.
É, pois, não conhecendo aquilo que me cerca, que capto aquilo que és; e, percebendo aquilo que és, adoro-te. Por isso, quando se trata dos teus mistérios, o não os compreender, não diminui a minha fé no teu poder supremo... O nascimento o teu Filho eterno ultrapassa a própria noção de eternidade, é anterior aos tempos eternos. Nunca exististe sem ele... És o Pai eterno do teu Unigénito, antes dos tempos eternos.

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«Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco: o Espírito de verdade»
A Trindade, 2, 31-35
«Deus é espírito» diz o Senhor à Samaritana [...] ; sendo Deus invisível, incompreensível e infinito, não será num monte nem num templo que Deus deverá ser adorado (Jo 4, 21-24). «Deus é espírito» e um espírito não pode ser circunscrito, nem contido; pela força da sua natureza, ele está em todo o lado e de local algum está ausente ; em todo o lado e em tudo superabunda. Por isso é preciso adorar a Deus, que é espírito, no Espírito Santo [...].
O apóstolo Paulo outra coisa não diz quando escreve : «o Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2 Co 3, 17) [...]. Que cessem portanto os argumentos daqueles que recusam o Espírito. O Espírito Santo é um, por todo o lado foi derramado, iluminando todos os patriarcas, os profetas e o coração de todos quantos participaram na redacção da Lei. Inspirou João Baptista já no seio de sua mãe; foi por fim infundido sobre os apóstolos e sobre todos os crentes para que conhecessem a verdade que lhes é dada na graça.
Qual é acção do Espírito em nós? Escutemos as palavras do próprio Senhor : «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa» (Jo 16, 7-13) [...]. São-nos reveladas, nestas palavras, a vontade do doador, assim como a natureza e o papel d'Aquele que Ele nos dá. Porque a nossa fragilidade não nos permite conhecer nem o Pai nem o Filho ; o mistério da encarnação de Deus é difícil de compreender. O dom do Espírito Santo, que se faz nosso aliado por sua intercessão, ilumina-nos [...].
Ora este dom único que está em Cristo é oferecido a todos em plenitude. Está sempre presente em todo o lado e a cada um de nós é dado, tanto quanto O queiramos receber. O Espírito Santo permanecerá connosco até ao fim dos tempos, é a nossa consolação na espera, é o penhor dos bens da esperança que há-de vir, é a luz dos nossos espíritos, o esplendor das nossas almas.

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«Não sabes de onde ele vem nem para onde vai»
La Trinité, 12, 55s; PL 10, 472
Deus todo poderoso, o apóstolo Paulo diz que o teu Espírito Santo «perscruta e conhece as profundezas do teu ser» (1Cor 2, 10-11), e que intercede por mim, fala-te por mim através de «gemidos inefáveis» (Rom 8, 26)... Nada exterior a ti sonda o teu mistério, nada estranho a ti é tão poderoso para medir a profundidade da tua majestade infinita. Tudo o que penetra em ti provém de ti; nada do que é exterior a ti tem o poder de te sondar...
Creio firmemente que o teu Espírito Santo vem de ti pelo teu Filho único; ainda que não compreenda este mistério, tenho dele uma profunda convicção. É que, nas realidades espirituais que são o teu domínio, o meu espírito é limitado, tal como assegura o teu Filho único: «Não te admires se te disse: 'Deves nascer do alto, pois o Espírito Santo sopra onde quer; ouves a sua voz, mas não sabes nem de onde vem nem para onde vai'. Assim acontece a quem quer que nasça da água e do Espírito».
Creio no meu novo nascimento sem o compreender, e apoio na fé aquilo que me escapa. Sei que tenho o poder de renascer, mas não sei como isso acontece. Nada limita o Espírito. Ele fala quando quer, diz o que quer e onde quer. A razão da sua partida e da sua chegada permanece incógnita para mim, mas tenho a convicção profunda da sua presença.

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«Tu és... o Filho do Deus vivo»
Comentários sobre Mateus, 16
O Senhor tinha perguntado: "Quem dizem os homens que é o Filho do homem?" Naturalmente que o aspecto do seu corpo manifestava o Filho do homem mas, ao fazer esta pergunta, ele dava a entender que, para além do que se pudesse ver nele, havia outra coisa a discernir... O objecto da pergunta era um mistério para o qual se devia orientar a fé dos crentes.
A confissão de Pedro obteve plenamente a recompensa que merecia por ter visto naquele homem o Filho de Deus. "Feliz" é ele, louvado por ter alongado a sua vista para além dos olhos humanos, não olhando para o que vinha da carne e do sangue mas contemplando o Filho de Deus revelado pelo Pai dos céus. Foi considerado digno de ser o primeiro a reconhecer o que em Cristo era de Deus. Que belo alicerce pôde ele dar à Igreja, confirmado pelo seu novo nome! Ele torna-se a pedra digna de edificar a Igreja de forma a que ela rompa as leis do inferno... e todas as cadeias da morte. Feliz porteiro do céu a quem são confiadas as chaves do acesso à eternidade; a sua sentença na terra antecipa a autoridade do céu, de tal forma que o que tiver ligado ou desligado na terra sê-lo-á também no céu
Jesus ordena ainda aos discípulos que não digam a ninguém que ele é o Cristo porque vai ser preciso que outros, quer dizer, a Lei e os profetas, sejam testemunhas do seu Espírito, uma vez que o testemunho da ressurreição caberá aos apóstolos. E, assim como foi manifestada a felicidade daqueles que conhecem Cristo no Espírito, foi igualmente manifestado o perigo de se desconhecer a sua humildade e a sua Paixão.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

AS 15 ORAÇÕES DE SANTA BRÍGIDA

        (REVELADAS POR JESUS À SANTA BRIGIDA NA GREJA DE SÃO PAULO EM ROMA)

         Estas orações foram APROVADAS pelo PAPA PIO IX em 31/05/1862, que as reconheceu como autênticas e de grande proveito para as almas.


        
AS PROMESSAS DE JESUS:

         Como já há muito tempo Santa Brígida desejasse saber o número de golpes que JESUS levara durante a Sua dolorosíssima Paixão. Um dia enquanto rezava na Igreja de são Paulo em Roma apareceu-lhe o amoroso, misericordioso e fiel SENHOR dizendo:
 
         “Recebi em todo o Meu Corpo 5.480 golpes. Se desejardes honrar as chagas que eles ME produziram, mediante uma veneração particular, deveis recitar 15 Pai Nossos, e 15 Ave Marias, acrescentando as seguintes orações, durante um ano inteiro; quando o ano terminar, tereis prestado homenagem a cada uma das Minhas Chagas. Quem recitar estas orações durante um ano inteiro conseguirá livrar do Purgatório 15 almas de sua família, 15 justos também de sua linhagem serão conservados em graça e 15 pecadores de sua família serão convertidos”.

         A pessoa que as recitar será elevada ao mais eminente grau de perfeição e 15 dias antes da sua morte EU lhe darei meu Precioso Corpo, para que ela seja livre da fome eterna. EU lhe darei também de beber o Meu Precioso Sangue, afim de que não padeça sede eternamente e 15 dias antes da morte ela experimentará uma profunda contrição de todos os seus pecados e um perfeito conhecimento deles. Diante dela colocarei o sinal da Minha Cruz vitoriosa como socorro e defesa contra os embustes dos seus inimigos.

         Antes da sua morte, EU virei em companhia de Minha muito cara e bem amada Mãe, para receber a sua alma e conduzi-la às alegrias eternas. E tendo-a levado até lá, EU lhe darei a beber um trago singular da fonte da Minha Divindade, o que não farei, absolutamente, a outros que não tenham recitado as Minhas Orações.

         Aquele que disser estas Orações pode estar seguro de ser associado ao supremo coro dos Anjos e todo aquele que as ensinar a alguém, terá assegurado para sempre sua felicidade e seus méritos. Sim, eles serão estáveis e durarão perpetuamente.

         No lugar onde se encontrarem e onde forem recitadas essas Orações DEUS estará também presente com Suas Graças”.

         Todos esses privilégios foram prometidos a Santa Brígida por Nosso Senhor Crucificado com a condição de que as orações fossem recitadas diariamente. São, igualmente, prometidas a todos os que as recitarem, devotamente, durante um ano inteiro.

PERGUNTA : É necessário recitá-las sem interrupção?

RESPOSTA : Faltar o menos possível. Todavia devemos recuperá-las, se por força maior não as pudermos rezar em um dia. Devemos recitá-las 365 vezes dentro de um ano, com devoção, esforçando-nos para penetrar no sentido profundo das palavras que vamos pronunciando.

1. É bom rezar sempre a intenção antes de cada oração;

2. Não precisa ler este cabeçalho com as promessas de JESUS todos os dias;

3. As intenções citadas para cada uma das orações, são opcionais.

 
AS ORAÇÕES

         Sinal da Cruz - Oração: Vinde ESPÍRITO SANTO...!

            1ª ORAÇÃO: Pelos Sacerdotes, freiras e religiosos militantes!

         Ó JESUS CRISTO, doçura eterna para aqueles que vos amam, alegria que ultrapassa todo entendimento e todo o desejo, esperança de salvação dos pecadores, que declarastes não terdes maior contentamento do que estar entre os homens, até o ponto de assumir a nossa natureza, na plenitude dos tempos, por amor deles. Lembrai-Vos dos sofrimentos, desde o primeiro instante da Vossa Conceição e sobretudo durante a Vossa Santa Paixão, assim como havia sido decretado e estabelecido desde toda a eternidade na mente divina. Lembrai-Vos Senhor, que, celebrando a Ceia com os Vossos discípulos, depois de lhes haverdes lavado os pés, deste-lhes o Vosso Sagrado Corpo e precioso Sangue e, consolando-os docemente lhes predissestes a Vossa Paixão iminente.
         Lembrai-Vos da tristeza e da amargura que experimentastes em Vossa Alma como o testemunhastes Vós mesmo por estas palavras: “a Minha Alma está triste até a morte”. Lembrai-Vos, Senhor, dos temores, angustias e dores que suportastes em Vosso Corpo delicado, antes do suplício da Cruz, quando, depois de ter rezado por três vezes, derramado um suor de Sangue, fostes traído por Judas Vosso discípulo, preso pela nação que escolhestes, acusado por testemunhas falsas, injustamente julgado por três juizes, na flor da Vossa juventude e no tempo solene da Páscoa. Lembrai-Vos que fostes despojado de Vossas vestes e revestido com as vestes da irrisão, que Vos velaram os olhos e a face, que Vos deram bofetadas, que Vos coroaram de espinhos, que Vos puseram uma cana na mão e que, atado a uma coluna, fostes despedaçado por golpes e acabrunhado de afrontas e ultrajes. Em memória destas penas e dores que suportastes antes da Vossa Paixão sobre a Cruz, concedei-me, antes da morte, uma verdadeira contrição, a oportunidade de me confessar com pureza de intenção e sinceridade absoluta, uma adequada satisfação e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja!
            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         2ª ORAÇÃO: Pelos trabalhadores em Geral.

         Ó JESUS CRISTO, verdadeira liberdade dos Anjos, paraíso de delícias, lembrai-Vos do peso acabrunhador de tristezas que suportastes, quando Vossos inimigos, quais leões furiosos, Vos cercaram e, por meio de mil injúrias, escarros, bofetadas, arranhões e outros inauditos suplícios Vos atormentaram a porfia.
Em consideração destes insultos e destes tormentos, eu Vos suplico, ó meu Salvador, que Vos digneis libertar-me dos meus inimigos, visíveis e invisíveis e fazer-me chegar, com o Vosso auxílio a perfeição da salvação eterna. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         3ª ORAÇÃO: Pelos presos.

         Ó JESUS, Criador do Céu e da terra, a quem coisa alguma pode conter ou limitar, Vós que tudo abarcais e tendes tudo sob o Vosso poder, lembrai-Vos da dor, repleta de amargura, que experimentastes quando os soldados, pregando na Cruz Vossas Sagradas mãos e Vossos pés tão delicados, transpassaram-nos com grandes e rombudos cravos e não Vos encontrando no estado em que teriam desejado, para dar largas a sua cólera, dilataram as Vossas Chagas, exacerbando assim as Vossas dores. Depois, por uma crueldade inaudita, Vos estenderam sobre a Cruz e Vos viraram de todos os lados, deslocando, assim, os Vossos membros. Eu vos suplico, pela lembrança desta dor que suportastes na Cruz, com tanta santidade e mansidão, que Vos digneis conceder-me o Vosso Temor e o Vosso Amor. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         4ª ORAÇÃO: Pelos doentes.

         Ó JESUS, médico celeste, que fostes elevado na Cruz afim de curar as nossas chagas por meio das Vossas, lembrai-Vos do abatimento em que Vos encontrastes e das contusões que Vos infligiram em Vossos Sagrados membros, dos quais nenhum permaneceu em seu lugar, de tal modo que dor alguma poderia ser comparada a Vossa. Da planta dos pés até o alto da cabeça, nenhuma parte do Vosso Corpo esteve isenta de tormentos e, entretanto esquecido dos Vossos sofrimentos, não Vos cansastes de suplicar a Vosso PAI, pelos inimigos que Vos cercavam, dizendo-LHE: “PAI, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. Por esta grande misericórdia e em memória desta dor, fazei com que a lembrança da Vossa Paixão, tão impregnada de amargura, opere em mim uma perfeita contrição e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

            5ª ORAÇÃO: Pelos funcionários dos hospitais.

         Ó JESUS, espelho do esplendor eterno. Lembrai-Vos da tristeza que sentistes, quando, contemplando a luz da Vossa Divindade a predestinação daqueles que deveriam ser salvos pelos méritos da Vossa santa paixão, contemplastes, ao mesmo tempo, a multidão dos réprobos, que deveriam ser condenados por causa de seus pecados e lastimastes, amargamente, a sorte destes infelizes pecadores, perdidos e desesperados. Por este abismo de compaixão e de piedade e, principalmente, pela bondade que manifestastes ao bom ladrão dizendo-lhe: “Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso”, eu Vos suplico ó Doce Jesus, que na hora da minha morte useis de misericórdia para comigo. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         6ª. ORAÇÃO: Pelas famílias.

         Ó JESUS, Rei amável e de todo desejável, lembrai-vos da dor que experimentastes quando, nu e como um miserável, pregado e levantado na Cruz, fostes abandonado por todos os vossos parentes e amigos, com exceção de Vossa mãe bem amada, que permaneceu, em companhia de São João, muito fielmente junto de Vós na agonia, lembrai-Vos que os entregastes um ao outro dizendo: “Mulher eis ai o teu filho”! e a João: “Eis ai a tua Mãe!” Eu vos suplico, ó meu Salvador, pela espada de dor que então transpassou a alma de Vossa Santa Mãe, que tenhais compaixão de mim, em todas as minhas angustias e tribulações, tanto corporais como espirituais e que Vos digneis assistir-me nas provações que me sobrevierem, sobretudo na hora da minha morte. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         7ª ORAÇÃO: Contra a luxúria.

         Ó JESUS, fonte inexaurível de piedade, que por uma profunda ternura de amor, dissestes sobre a Cruz: “Tenho sede!”, mas sede de salvação do gênero humano. Eu Vos suplico, ó meu Salvador, que Vos digneis estimular o desejo que meu coração experimenta de tender a perfeição em todas as minhas obras e extinguir, por completo, em mim, a concupiscência carnal e o ardor dos desejos mundanos. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         8ª ORAÇÃO: Pelas crianças e jovens.

         Ó JESUS, doçura dos corações, suavidade dos espíritos, pelo amargo sabor do fel e do vinagre que provastes sobre a Cruz por amor de todos nós, concedei-me a graça de receber dignamente o Vosso Corpo e Vosso Preciosíssimo Sangue, durante toda a minha vida e, na hora da minha morte afim de que sirvam de remédio e de consolo para minha alma. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         9ª ORAÇÃO: Pelos agonizantes espirituais.

         Ó JESUS, virtude real, alegria do espírito, lembrai-Vos da dor que suportastes, quando, mergulhado na amargura, ao sentir aproximar-se a morte, insultado e ultrajado pelos homens, julgastes haver sido abandonado por Vosso PAI dizendo: “Meu DEUS, Meu DEUS, porque Me abandonastes?” Por esta angustia eu Vos suplico ó meu Salvador, que não me abandoneis nas aflições e nas dores da morte. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         10ª ORAÇÃO: Pelos sofredores em geral.

         Ó JESUS, que sois em todas as coisas começo e fim, vida e virtude, lembrai-Vos de que por nós fostes mergulhado num abismo de dores, da planta dos pés até o alto da cabeça. Em consideração da extensão das Vossas Chagas, ensinai-me a guardar os Vossos Mandamentos, mediante uma sincera caridade, mandamentos estes que são caminhos espaçoso e agradável para aqueles que Vos amam. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         11ª ORAÇÃO: Pelos pecadores de todo o mundo.

         Ó JESUS, profundíssimo abismo de misericórdia, suplico-Vos, em memória de Vossas Chagas, que penetraram até a medula dos vossos ossos e atingiram até as vossas entranhas, que vos digneis afastar esse(a) pobre pecador(a) do lodaçal de ofensas em que está submerso(a) conduzindo- o(a) para longe do pecado. Suplico-Vos também, esconder-me de Vossa Face irritada, ocultando-me dentro de Vossas Chagas, até que a Vossa cólera e a Vossa justa indignação tenham passado. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         12ª ORAÇÃO: Por todas as Igrejas.

         Ó JESUS, espelho de verdade, sinal de unidade, laço de caridade, lembrai-Vos dos inumeráveis ferimentos que recebestes, desde a cabeça até os pés, ao ponto de ficardes dilacerado e coberto pela púrpura do Vosso Sangue adorável. Ó quão grande e universal foi a dor que sofrestes em Vossa Carne virginal por nosso amor! Ó Dulcíssimo JESUS, que poderíeis fazer por nós que não o houvésseis feito? Eu vos suplico, ó meu Salvador, que vos digneis imprimir, com o Vosso Precioso Sangue, todas as Vossas chagas em meu coração, afim de que eu relembre, sem cessar, as Vossas Dores e o Vosso Amor. Que pela fiel lembrança da Vossa Paixão, o fruto dos Vossos Sofrimentos seja renovado em mim, cada dia mais, até que eu me encontre, finalmente, Convosco, que sois o tesouro de todos os bens e a fonte de todas as alegrias. Ó Dulcíssimo JESUS, concedei-me poder gozar de semelhante ventura na vida eterna. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         13ª ORAÇÃO: Pelos profetas atuais.

         Ó JESUS, fortíssimo Leão, Rei imortal e invencível, lembrai-Vos da dor que vos acabrunhou quando sentistes esgotadas todas as vossas forças, tanto do Coração como do Corpo e inclinastes a cabeça dizendo: “Tudo está consumado!” Por esta angústia e por esta dor, eu Vos suplico, Senhor JESUS, que tenhais piedade de mim, quando soar a minha última hora e minha alma estiver amargurada e o meu espírito cheio de aflição. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         14ª ORAÇÃO: Pelos políticos e pelos governantes.

         Ó JESUS, Filho Único do PAI, esplendor e imagem da sua substância, lembrai-Vos da humilde recomendação que LHE dirigistes dizendo: “Meu PAI, em Vossas Mãos entrego o Meu Espírito!” Depois expirastes, estando Vosso Corpo despedaçado, Vosso Coração transpassado e as entranhas da Vossa Misericórdia abertas para nos resgatar. Por esta preciosa morte eu Vos suplico, ó Rei dos Santos, que me deis força e me socorrais, para resistir ao demônio, a carne a ao sangue, afim de que, estando morto(a) para o mundo, eu possa viver somente para Vós. Na hora da morte, recebei, eu Vos peço, minha alma peregrina e exilada que retorna para Vós. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         15ª ORAÇÃO: Pelo Papa.

        Ó JESUS, vide verdadeira e fecunda, lembrai-Vos da abundante efusão de Sangue, que tão generosamente derramastes de Vosso Sagrado Corpo, assim como a uva é triturada no lagar. Do Vosso lado aberto pela lança de um dos soldados, jorraram Sangue e água, de tal modo que não retivestes uma gota sequer. E, enfim, como um ramalhete de mirra elevado na Cruz, Vossa Carne delicada se aniquilou, feneceu o humor de Vossas entranhas e secou a medula dos Vossos ossos. Por esta tão amarga Paixão e pela efusão de Vosso precioso Sangue, eu vos suplico, ó Bom JESUS, que recebais minha alma quando eu estiver na agonia. Assim seja!

            Pai Nosso... e Ave Maria ...

         ORAÇÃO FINAL:

         Ó doce JESUS, vulnerai o meu coração, afim de que lágrimas de arrependimento, de compunção e de amor, noite e dia me sirvam de alimento. Convertei-me inteiramente a Vós. Que o meu coração Vos sirva de perpétua habitação; Que a minha conduta vos seja agradável e que o fim da minha vida seja de tal modo edificante que eu possa ser admitido no Vosso Paraíso, onde, com os vossos Santos, hei de vos louvar para sempre. Assim seja!

         CONSAGRAÇÃO DIÁRIA À NOSSA SENHORA:

         Ó Santa Mãe Dolorosa de DEUS, ó Virgem Dulcíssima, eu Vos ofereço o meu coração afim de que o conserveis intacto como o Vosso Coração Imaculado.
Eu Vos ofereço a minha inteligência, para que ela conceba apenas pensamentos de paz e de bondade, de pureza e verdade.
         Eu Vos ofereço a minha vontade, para que ela se mantenha viva e generosa ao serviço de DEUS.
         Eu vos ofereço meu trabalho, minhas dores, meus sofrimentos, minhas angustias, minhas tribulações e minhas lágrimas, no meu presente e meu futuro, para serem apresentadas por Vós ao Vosso Divino FILHO, para purificação da minha vida.
         Mãe Compassiva, eu me refugio em Vosso Coração Imaculado, para acalmar as dolorosas palpitações de minhas tentações, de minha aridez, de minha indiferença e das minha negligencias.
Escutai-me ó Mãe, guiai-me, sustentai-me e defendei-me, contra todos os perigos da alma e do corpo, agora e por toda a eternidade. Assim seja!

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