sexta-feira, 19 de abril de 2024

ÀS 50.000 IGREJAS

Depois que passamos a escrever mais seguidamente, sobre tantos temas, muitas coisas nos foram dadas aprender, porque não basta, digo melhor, não adianta apenas fazer o anuncio profético da Palavra, se não tivermos ouvidos atentos para escutar os clamores do povo que busca e gosta de nos ouvir. 

Jesus – sempre O Mestre – não fazia diferente e, melhor, sendo Deus se antecipava a estes clamores e ia colocando as lições a cada situação oferecida. Da mesma forma nós todos devemos agir, tanto os que escrevem, quanto os que divulgam esta Palavra, a fim de cumprirmos nossa missão, não baseados em conceitos e palavras humanas, mas procurando manter fidelidade absoluta à Divina e Eterna Palavra.

Uma das coisas que temos aprendido nestes tempos, é que não adianta polemizar em termos desta mesma Palavra, pois hoje são tantas as correntes de interpretação, são de tal forma abundantes as teorias e os “excelsos” doutores com suas práticas, que polemizar com eles só nos toma tempo, nos rouba a calma e nos desvia da verdadeira missão. Entre estas polêmicas, certamente nos tem sido espinho na carne polemizar com os irmãos evangélicos – de qual denominação nem se sabe, pois se escondem entre milhares – que preferimos sempre evitar o debate, não por medo de não estarmos com a verdade, e sim porque nada do que lhes dissermos os fará baixar um decibel sequer da voz, nem os fazer diminuir um dedal sequer do seu rio de ódio contra nós católicos. E São Paulo sabiamente nos diz: Que o Senhor dirija os vossos corações para o amor de Deus e a paciência em Cristo (II Tes 3,5).

    Eis então ai duas virtudes, que muitas vezes faltam a todos aqueles que nos atacam, e atacam a nossa Igreja: Amor a Deus e Paciência em Cristo! Nos últimos dias, nossa caixa de correio eletrônico, tem sido invadida por uma torrente de veneno contra a Igreja Católica e tão agressiva se faz, que é difícil a gente aplicar com eles, estas mesmas Palavras. Como se trata de avalanches de colagens de textos bíblicos, desconexas, sem sentido, na verdade a gente não sabe quem são as pessoas que se escondem atrás daqueles pseudônimos, e ainda se querem atirar na nossa cabeça, ou acertar no próprio pé. Eis porque, percebendo neles apenas o gosto vão por contendas e intrigas, preferimos a resposta polida e curtíssima de obrigado e fiquem com Deus, e zerar a entrada deles na caixa de correspondências.

    Não há outra forma de agir, pois apenas o Espírito Santo os poderá – e o fará em

breve – conduzir à plena verdade em Cristo, pois agora seria como dialogar com satanás que incita tais pessoais ao ataque. Sabemos que existem milhares de pessoas boas entre os evangélicos, de todas as 50.000 mil denominações já existentes e para estes vai o nosso carinho, a nossa oração e o nosso amor, pois são filhos amados de Deus e destinados à salvação também. Sim igualmente para os que agem sob este impulso maligno – pois pregam um evangelho de ódio – vai os mesmos sentimentos. Mas para estes, vamos deixar aqui uma mensagem
coletiva de alerta, que afinal serve também para os católicos se defenderem de tais ataques.

    Na verdade, qualquer católico, com um mínimo de caminhada neste terreno, já tem na ponta da língua os grandes filões explorados pelos evangélicos maus – pregadores de ódio – para nos atacar: 
1) Negação do primado de Pedro! 
2) Acusação de que João Paulo II é a besta do Apocalipse! 
3) A surrada tese de que adoramos imagens! 
4) E erradíssima tese de já se acharem salvos e arrebatados antes do tempo! 
5) O furioso ataque à Nossa Senhora! 
6) As polêmicas levantadas pela sua bíblia dilacerada e seus ataques centrados nos católicos.

    Estes são alguns! Quando eu pensava em responder aos ataques, pedi antes uma Palavra que me indicasse um começo e me veio à mente Sabedoria 4,3-5: “Mas para nada servirá, ainda que numerosa, a raça dos ímpios; procedendo de renovos bastardos, não estenderá raízes profundas, não estabelecerá base sólida. Ainda que por algum tempo estenda ramos, estando instavelmente assentada, será abalada pelo vento e, pela violência da tempestade, será desraigada. Os galhos serão quebrados antes do desenvolvimento; o fruto deles será inútil, verde demais para ser comido e impróprio para qualquer uso”. 

 Foi isso que eu li!  Mas vejam, por algum motivo que não sei explicar, fechei a Bíblia sem entender, pois tudo me pareceu sem sentido. Entretanto, como é difícil uma palavra destas nos falhar, alguns minutos depois resolvi voltar ao texto, reler de novo, para entender o que se passava. Então percebi diante de meus olhos a verdade estarrecedora destas palavras sábias, e vi que elas se aplicavam de forma segura a todas as igrejas separadas.

    Vejamos: 
- para nada servirá (Para que serve senão para a divisão e a discórdia) 
ainda que numerosa (São sim, efetivamente, milhares delas) 
procedem de renovos bastardos (Umas saem das outras como praga daninha) 
não têm raízes profundas (Estabelecem-se aleatoriamente em qualquer lugar sem o apoio de Deus) 
estendem ramos por ora (É só por hora que ainda crescem) 
estão instavelmente assentadas (Não estão sobre a Rocha de Jesus nem na base de Pedro) 
serão abaladas pelo vento (Serão em breve arrasadas pelo Espírito Santo, no Aviso de Deus) 
pela violência da tempestade (Pelo fogo do Espírito de Deus que as chamará a União sob Pedro) 
serão desraigadas (Deixarão todas de existir) 
os galhos serão quebrados (Não mais darão ramos nem frutos) 
o fruto deles é inútil (Não conduz de fato a Deus) 
verde demais (Uma palavra de erro quando não de puro ódio) 
impróprio para o consumo (Quem a consome caminha no erro). Literalmente!

    Ora, depois de analisar um quadro destes, como se poderá seguir num debate, sabendo que tudo isso terá curta duração? De que adianta para nós católicos sairmos a campo com espadas e escudos, se nada mais faremos que criar outras Irlandas? Outros guetos de ódio? Vejam o número já assombroso das seitas! Sim, seitas, pois o dicionário assim define: segmento rebelde, que separa-se de uma religião! Como iremos nós, simples mortais, embora ainda mais numerosos, entrarmos em luta contra tão grande número de exércitos, se são raríssimos os exemplos de conversão e volta à verdade, aqueles que partem de ações concretas de católicos? Na maioria das vezes, as conversões ocorrem por força de “acidentes” ou “casuais” encontros com Cristo e surgem inesperados, para nossa alegria.

    Dia destes, recebi o telefonema de um moço de 26 anos, que recebera de sua irmã, também evangélica, nosso livreto: O Milagre do Fim! Ele nos pediu todos os outros livros e disse que naquele dia, uma sexta feira, estava sendo um dia histórico para eles. Pela primeira vez em sua vida, estava indo assistir uma Santa Missa em seu bairro, ele e sua irmã. E disse: Se a minha Igreja souber que faltei ao trabalho para ir a uma Missa Católica, eles me matam! Quando lhe perguntei o motivo de sua decisão, ele falou que jamais em sua vida, e jamais dentro de sua igreja, havia encontrado uma explicação bíblica, de um evento futuro, com um encadeamento tão perfeito como aquele do livro, e ainda baseado na profecia atual. Ele disse que estas coisas simplesmente não existem nas igrejas evangélicas e ele tem razão. O Espírito de Deus, não sopra no caminho da mentira! Tudo o que Ele faz, é buscar docilmente empurrar para a verdadeira e única Igreja. Se o Espírito Santo atuasse em profecia dentro delas, seria espírito de divisão e anátema.

    Entre todos os seis temas que citamos acima, certamente aquele que mais dói em nós católicos, é quando atacam Nossa Senhora. Sabem, daí, aquela gana sobe na gente, pois nos parece que Nossa Senhora é a única que não tem quem a defenda. Sim, de Jesus todos falam! A Igreja, suas tradições, seu catecismo tem mil defensores! Mas parece que a Mãe fica como abandonada! Quem gosta que maltratem a própria mãe? Nem filhos bastardos! Verdade é que as quatro pequenas referências que existem sobre Ela, diretamente, nos quatro Evangelhos parecem pouco sustentáculo e não indicam o prodigioso papel que Ela teve, tanto no surgimento quanto em firmar os passos iniciais da Igreja de Cristo. Também não dizem quase nada, sobre o papel histórico de Nossa Senhora, no processo da redenção do homem. Eis então que a fustigam de todos os lados, denigrem sua imagem, pisam em seu nome santo, deturpam suas virtudes e fazem completo pouco caso dela.

    E justo por isso, uma coisa eu senti, quando deixei de responder a todas as provocações que me fizeram. Eu senti que só lhes devia dizer uma coisa: Se você quiserem combater a Maria Santíssima junto aos católicos, o melhor a fazer, é jamais mencionarem o nome Santo dela. Ajam astutamente como faz o diabo: Quando ele quer esconder alguma coisa das pessoas, não deixa que falem daquele assunto. Especialmente então, não falem mal de Nossa Mãe, por que isso só nos faz amá-la ainda mais! Isso só nos faz buscar ainda mais fortemente a proteção sob seu manto aconchegante. Isso só faz abrir nossos corações ainda mais para o chamado de Jesus, o Filho, para onde Ela nos conduz docilmente. Com isso, quem sabe seriam levados a sentir vossa fria igreja, sem Mãe, até baterem o queixo, enregelados, por falta de seu abraço precioso. Quem sabe percebam que uma igreja nem bastarda, antes órfã, é destinada ao pranto apenas e ao lamento a todo instante?

Eu havia selecionado diversos textos bíblicos, que se aplicariam a este texto, mas como viram, o caminho desviou para uso de apenas alguns. Assim, ao invés de usar os textos, sinto que poderia responder a algumas perguntas que o católico já deve ter feito, e que impressionam em relação aos evangélicos. E faço as perguntas, tendo mais como sentido de responder por que alguns católicos deixam a Igreja, rumo as seitas. Veja se consegue responder a estas:

1 – Por que motivo, um católico, que tem na sua Igreja os sacramentos, especialmente a Santa Eucaristia, migra para as seitas, onde a ausência do Espírito Santo é completa?

2 – Por que motivo, um católico em sua Igreja se faz beberrão, e apenas uma semana em uma seita, quando não no primeiro dia, deixa de beber?

3 – Por que motivo, um católico se nega sistematicamente a pagar o centésimo em sua Igreja, e no primeiro mês na seita, é capaz de dar ao pastor todo o salário sem reclamar?

4 – Por que motivo, um católico reclama do padre que leva até menos de uma hora para rezar a Santa Missa, e depois na seita é capaz de ficar horas inteiras naquela gritaria, sem reclamar nem um pouquinho?

5 – Por que motivo, um drogado ou viciado, está na Igreja católica sem conseguir se livrar do vício, mas depois na seita, tantas vezes o larga com relativa facilidade?

6 – Por que motivo, o católico que vê em sua Igreja falar do amor de Jesus, da caridade e da oração, busca uma seita para ouvir apenas aquele eterno “si satanás”, ou para ouvir falar mal da Igreja Católica?

7 – Por que motivo, o católico aqui demonstra ter um grande amor a Maria, tem na sua casa as imagens dela e dos santos, e logo depois de entrar na seita, acolhe a tese maligna de os combater e os renegar?

8 – Por que motivo a Igreja Católica é tão atacada pelos evangélicos em geral, sendo que nos fazem em certos casos como verdadeiros demônios, irremediavelmente perdidos, quando nada disso é verdade?

    Sei que os evangélicos ficarão furiosos com as respostas para tudo isso, mas a cada dia mais me convenço de que o único interessado nesta guerra é satanás, o divisor, que exerce um grande poder especialmente sobre os pastores, até o ponto de faze-los mais se preocupar com ataques à Igreja Católica, que em pregar o Amor de Jesus e o Santo Evangelho. De fato não é o Espírito Santo quem divide! Não é Jesus quem divide! Então, se a Deus não interessa, a divisão, é somente do maldito? Vejam que as igrejas evangélicas começaram a nascer em série a partir de 1908 por diferentes pastores. Ou seja, por 1874 anos toda a Palavra foi conduzida apenas pela Igreja Católica, salvo as dissidências protestantes, donde se verifica que TODAS as igrejas separadas têm fundadores exclusivamente humanos e não estão centradas em Jesus Cristo mas em homens. O que TODOS eles fizeram foi usurpar a Bíblia católica retalha-la ao seu bel prazer, adapta-la ao seu gosto particular por traduções fraudulentas e partir, com isso, ao ataque centrado contra a Verdade. 

Assim explicamos:
1 – Em primeiro lugar, nenhum católico quente, verdadeiro, abandona a sua Igreja, pois só largam o tesouro pelo lixo, aqueles que não entendem o que é tesouro! Aqueles que deixam de cear com o Dono, para conformarem-se com as migalhas. Quem os faz cegos, para isso, é satanás que assim os afasta da verdade!

2 – Um católico é aqui beberrão, porque a pressão de satanás sobre ele é imensa, para que seja causa de escândalo. Quando ele parte para a seita e muda de comportamento, é apenas porque satanás afrouxa o seu torniquete e a pessoa pensa que largou o vício pelo poder do pastor. Trata-se, porém, sempre, de uma falsa cura e uma falsa conversão!

3 – Um católico se nega a pagar o centésimo, porque satanás não quer que ele dê a Deus o que é de Deus, pecando contra os mandamentos. Já na seita, como ele está longe da Igreja e longe da verdade, basta que satanás não incite a sua avareza, e ele docilmente passa a dar ao seu pastor até todo o salário sem reclamar. Ou seja, Deus não cobra a falta, nem aqui, nem lá. Mas a satanás interessa, sim, não aqui, mas lá!

4 – Ele fica reclamando do tempo de uma Missa, porque na Igreja Católica ele realmente está perto de Jesus. Ai o diabo quer que ele saia de perto e pressiona. Quando na seita, por estar longe de Jesus, o maldito não pressiona e a pessoa se conforma. Aqui, ele reclama do sermão do padre, que não o atrai. Lá fica ouvindo gritos e baboseiras sem parar, mas tudo lhe parece lindo. Quem lhes dá este sentimento de euforia, não é, jamais, Deus!

5 – Não só o drogado, o viciado, como muitos doentes. Eles são doentes exatamente por causa da maldita influência de satanás. Quando saem da Igreja Católica, eles deixam de receber os mesmos influxos maléficos, ou seja, satanás lhes afrouxa o cerco, e eles pensam que se curaram. Na verdade é sempre 100% falsa a cura, porque a pessoa não mais consegue deixar de freqüentar a seita, pois mal pense sair, voltam os sofrimentos. Esta é a prisão a que satanás os submete. Então somente Deus para lhes quebrar as cadeias.

6 – Nas seitas eles não se cansam de ouvir falar em satanás, porque longe de Jesus manda o adversário dele. Na verdade, Deus nos deixa livre e não cobra atitudes. Satanás, não! Ele além de não deixar a pessoa livre, ainda cobra fidelidade. Como muitas seitas só falam nele, bom para ele, e assim ficam quietinhos e “felizes”, com ele.

7 – Eles são grandes adversários de Nossa Senhora, exatamente porque Ela é a maior inimiga de satanás. No dia em que um evangélico falar bem de Maria, a seita dele acabará. Será como um passe de mágica. E esta afinal, é a maior prova de que todos os oito itens que aqui explicamos tem sua origem apenas em satanás, que quer ver a todos longe da Igreja Católica, longe de Maria, e por assim, longe de Jesus e do Evangelho da Verdade.

8 – Jogar pedras: O motivo é que satanás só os instiga para jogar pedras nas árvores de frutos. Por que motivo ele atiraria pedras nele mesmo? Quem joga pedras numa arvore sem folhas, ou seja, uma casa sem Deus? Porque eles não atiram pedras no espiritismo e nos adoradores de ídolos? Porque todos estão no mesmo caminho deles! As religiões deles não conduzem ao Céu e se não conduzem ao céu, facilitam a vida de satanás. E isso indica que católicos e evangélicos deveremos é levar aos pagãos o Reino de Jesus! Eis a nossa missão!

    Deste modo, não nos precisamos preocupar com as seitas, nem sequer perder tempo com os seus ataques. Nós já sabemos agora quem tem real interesse nelas – e este não é Jesus Cristo – e já sabemos quem as produz e faz proliferar. E como se trata de batalha, não para anões como nós, mas para gigantes como Nossa Senhora, deixemos os evangélicos, de todas as confissões, nas mãos de Maria, que Ela triunfará sobre todos, conduzindo-os também para Jesus. Nós precisamos apenas municia-la com nossos Rosários e deixar que o Espírito Santo fará resto. De fato, um dia todos entenderão do que falo. Um dia se provará que as seitas – e eles próprios irão perceber – não têm jamais a presença do Espírito Santo, nunca tiveram, pois saíram de um espírito divisor, e que tudo aquilo que produzem de aparente bem, é apenas obra humana, pois Deus lhes dá esta liberdade.

    Naquele dia então, todos os homens de boa vontade, haverão de estar juntos em torno de uma só mesa, a mesa do Pão da Vida, com Jesus Eucarístico. Como somente a Igreja Católica tem este Pão Eterno que atrairá a todos, é apenas em torno dela que se unirão todos os irmãos, sob João Paulo II. O triunfo de Deus se dará pelo triunfo da Eucaristia este será o triunfo de Maria. Não se preocupem, pois, muito com eles agora, porque seguramente entre os grandes mártires de nosso tempo, estarão alguns grandes evangélicos, convertidos ao catolicismo, e que pagarão com seu sangue todos os ataques que eles e seus irmãos fizeram contra Maria, contra a nossa Igreja e contra a Verdade. Sim, entre eles haverá muitos que darão alegremente a sua vida por Maria Santíssima, em defesa de Jesus Cristo, para que Ele finalmente implante aqui Seu Reino de Paz e Único.

    Enfim, coloquemos as coisas muito claramente: Existem milhares de pessoas muito boas nas outras confissões que dizem seguir a Cristo. A estas vai nosso apelo ao retorno àquela unidade sonhada por Jesus. Estes, facilmente compreenderão a Voz do Espírito Santo, que lhe indicará a verdade no momento oportuno. Quanto aos perseguidores, aos fanatizados, lhes pergunta o salmista: Não se emendarão estes obreiros do mal – não é assim que eles se chamam entre si: obreiros? – que devoram meu povo como quem come pão? Mas irão tremer de pavor, porque Deus está com a raça dos justos (Sl 13,4-5). É para eles um conselho a voltarem a falar apenas de Jesus e de Seu Amor. Levem isso aos pagãos que não o conhecem! Para lembrar-lhes que não há uma só passagem bíblica, onde Jesus mande atacar os adversários nem maldize-los, muito pelo contrário, manda-nos dar a outra face. E que não considerem nossas ponderações como ataque, mas como sinal de alerta, como caminho de reflexão, pois Deus não está com aqueles cujo coração endurecido se fecha à piedade e só tem na boca palavras arrogantes (Sl 16,10).

    Creiam todos! Já dissemos isso uma vez e repetimos! Não adianta lutar contra o projeto de Deus. Se Jesus falou que haverá um só rebanho e um só pastor, é porque, cedo ou tarde assim será. Mas o Jesus que aqui me refiro, é aquele que falou isso há quase dois mil anos atrás, e falou para seu primeiro Pedro e para os apóstolos. Então não falou para igrejas que surgiram após 1900, nem falou para diferentes pastores de rebanhos dispersos. Ele disse também que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Sua Igreja! Ele falou “sua” Igreja e não “suas” igrejas. Enfim, somente uma pessoa completamente cega por satanás para não entender a simplicidade de tudo isso.

    E se não entendemos, é preciso deixar tudo nas mãos de Deus, pois para Ele não há distinção entre católicos e evangélicos, pois todos têm um mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam, porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Rm 10,12-13).  E se entendemos, por hora, que quando nos digladiamos fazemos ambos o jogo de satanás, mais adiante o Espírito Santo de Deus, em seu fogo arrebatador fará o resto, e haverá de nos conduzir a todos para a unidade, sob Pedro, com todos os Dogmas Católicos, com Maria e com as nossas imagens de culto e com o amor a Jesus dos evangélicos. E nunca mais haverá divisões nem ataques entre nós. Tenham certeza disso!

    Vós, pois, caríssimos, advertidos de antemão, tomais cuidado para que não caiais da

vossa firmeza, levados pelo erro destes homens ímpios. Mas crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A Ele a glória, agora e eternamente
(II Pd 3,17-18). Sem ataques então, apenas firmes na oração!

Rumo, então, a uma unidade que se dará em breve, por Jesus ao Pai, vamos todos!

Fonte: Recados do Aarão

quinta-feira, 18 de abril de 2024

PAPA FALA SOBRE RISCO DE ALIENAÇÃO DAS REDES SOCIAIS

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Papa Bento XVI expressou aprovação condicional às redes sociais na segunda feira - 24/01/2011 - elogiando seu potencial mas alertando que amizades on line não servem como substituto para contato humano real.

O Pontífice de 83 anos, que não tem conta no FACEBOOK, expressou suas opiniões em uma mensagem com um título sério, que poderia funcionar como um "tweet": "Verdade, proclamação e autenticidade da vida na era digital".

Ele afirmou que as possibilidades das novas mídias e redes sociais oferecem "uma grande oportunidade", mas alertou sobre os riscos de despersonalização, alienação, falta de autocrítica e sobre o perigo de ter mais amigos virtuais que reais.

"É importante lembrar sempre que o contato virtual não pode e não deve substituir o contato humano real com as pessoas, em todos os níveis de nossas vidas", disse o Papa em mensagem no Dia Mundial da Comunicação da Igreja Católica.

Ele pediu aos usuários de redes sociais para se perguntarem quem são seus vizinhos nesse novo mundo e para que evitem o risco de disponibilidade permanente online acompanhada de "menor presença diante daqueles a quem encontramos em nossa vida cotidiana".

Os vastos horizontes das novas mídias "exigem urgentemente uma séria reflexão sobre a importância da comunicação na era digital", disse.

O Papa não mencionou qualquer site ou aplicativo social específico, mas ao longo da mensagem usou frequentemente termos como "compartilhar", "amigos" e "perfis".

Disse também que as redes sociais podem ajudar "o diálogo, o intercâmbio, a solidariedade e a criação de possíveis relacionamentos", mas acrescentou diversos alertas.

"Entrar no ciberespaço pode ser sinal de uma busca autêntica de encontros pessoais com os outros, desde que as pessoas fiquem atentas e evitem perigos como o de se encerrarem em uma espécie de existência paralela, ou de exposição excessiva ao mundo virtual", disse.

"Na busca de compartilhamento de 'amigos', há o desafio de ser autêntico e fiel e de não ceder à ilusão de construir um perfil público artificial", afirmou.

Nota do Antonio Lucio: Pensemos nas palavras do Papa, pois há uma razão para tal manifestação. Paz e fogo.

MOTU PROPRIO - TRA LE SOLLECITUDINI - DO SUMO PONTÍFICE PIO X - SOBRE A MÚSICA SAGRADA

Entre os cuidados próprios do ofício pastoral, não somente desta Cátedra, que por inescrutável disposição da Providência, ainda que indigno, ocupamos, como também de toda Igreja particular, sem dúvida um dos principais é o de manter e procurar o decoro na casa do Senhor, onde se celebram os augustos mistérios da religião e se junta o povo cristão a receber a graça dos sacramentos, assistir ao santo sacrifício do altar, adorar ao augustíssimo Sacramento do Corpo do Senhor e unir-se à comum oração da Igreja nos públicos e solenes ofícios da liturgia.
Nada, por conseguinte, deve ocorrer no templo que turbe, nem sequer diminua, a piedade e a devoção dos fiéis; nada que dê fundado motivo de desgosto ou escândalo; nada, sobretudo, que diretamente ofenda o decoro e a santidade dos sagrados ritos e, por este motivo, seja indigno da casa de oração e a majestade divina.
Agora não vamos falar um por um dos abusos que podem ocorrer nesta matéria; nossa atenção se fixa hoje somente em um dos mais gerais, dos mais difíceis de erradicar, em um que talvez deva deplorar-se ainda ali de todas as demais coisas são dignas de maior louvor pela beleza e suntuosidade do templo, pela assistência de grande número de eclesiásticos, pela piedade e gravidade dos ministros celebrantes: tão grande é o abuso em todo o concernente ao canto e à musica sagrada.
E em verdade, seja pela natureza desta arte, flutuante e variável, ou pela sucessiva alteração do gosto e dos costumes no transcurso do tempo, ou pela influência que exerce a arte profana e teatral no sagrado, ou pelo prazer que diretamente produz a música e que nem sempre pode-se conter facilmente dentro dos justos limites, ou, em última análise, pelos muitos prejuízos que nesta matéria insensivelmente penetram e logo tenazmente se arraigam até no ânimo de pessoas autorizadas e piedosas. O feito é que se observa uma tendência pertinaz a apartá-la da reta norma, assinalado pelo fim com que a arte foi admitida ao serviço do culto e expressada com bastante clareza nos cânones eclesiásticos, nos decretos dos concílios gerais e providenciais e as repetidas resoluções das Sagradas Congregações romanas e dos Sumos Pontífices, nossos predecessores.
Com verdadeira satisfação da alma nos é grato reconhecer o muito bem que nesta matéria se há conseguido durante os últimos decênios em nossa ilustre cidade de Roma e em diversas igrejas de nossa pátria; porque de modo particular em algumas nações, onde homens ilustres, cheios de zelo pelo culto divino, com a aprovação da Santa Sé e a direção dos bispos, se uniram em florescentes sociedades e restabeleceram plenamente a honra da arte sagrada em quase todas as suas igrejas e capelas. Porém, ainda dista muito este bem de ser geral, e se consultarmos nossa experiência pessoal e ouvirmos as muitíssimas queixas de que todas as partes nos foram dirigidas pelo pouco tempo passado desde que servimos ao Senhor, elevo a nossa humilde pessoa à suma dignidade do apostolado romano, cremos que nosso primeiro dever é levantar a voz sem mais adiamentos na reprovação e condenação de quanto as solenidades do culto e dos ofícios sagrados resulte desacordo com a reta norma indicada.
Sendo, em verdade, nosso vivíssimo desejo que o verdadeiro espírito cristão volte a florescer num todo e que em todos os fiéis se mantenha, o primeiro é promover a santidade e dignidade do templo, de onde os fiéis se juntam precisamente para adquirir esse espírito em seu primeiro e insubstituível manancial, que é a participação ativa nos sacrossantos mistérios e na pública e solene oração da Igreja.
E em vão será esperar que para tal fim desça copiosa sobre nós as bênção do céu, se nosso obséquio ao Altíssimo não sobe com odor de suavidade; antes bem, põe-se na mão do Senhor o chicote com que o Salvador do mundo mandou embora do templo a seus indignos profanadores.
Por este motivo, e para que de hoje em diante ninguém alegue a desculpa de não conhecer claramente sua obrigação e tirar toda dúvida na interpretação de algumas coisas que estão mandadas, estimamos convenientemente assinalar com brevidade os princípios que regulamentam a música sacra nas solenidades do culto e sintetizar ao mesmo tempo, como em um quadro, as principais prescrições da Igreja contra os abusos mais comuns que se cometem nesta matéria. Por seu o motu proprio ciência certa publicamos nossa Instrução, a qual, como se fosse Código jurídico da música sagrada, queremos com toda a plenitude de nossa Autoridade Apostólica se reconheça força de lei, impondo a todos por estas letras de nossa mão a mais escrupulosa obediência.

INSTRUÇÃO ACERCA DA MÚSICA SAGRADA

I. PRINCÍPIOS GERAIS
1. Como parte integrante da liturgia solene, a música sacra tende a seu mesmo fim, na qual consiste a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis. A música contribui a aumentar o decoro e esplendor das solenidades religiosas, e assim como seu ofício principal consiste em revestir-se de adequadas melodias ao texto litúrgico que se propõe à consideração dos fiéis, de igual maneira seu próprio fim consiste em dar maior eficácia ao mesmo texto, para que por tal meio se excite mais a devoção dos fiéis e se preparem melhor para receber os frutos da graça, próprios da celebração dos sagrados mistérios.
2. Por conseguinte, a música sacra deve ter em grau eminente as qualidades próprias da liturgia, convém saber: a santidade e bondade das formas, de onde nasce espontâneo outro caráter seu: a universalidade.
Deve ser santa e, para tanto excluir todo o profano, e não só em si mesma, senão da maneira com que a interpretem os mesmos cantores.
Deve ter arte verdadeira, porque não é possível de outro modo que tenha sobre o ânimo de quem a ouve aquela virtude que se propõe a Igreja a admitir em sua liturgia a arte dos sons.
Porém também, deve ser universal, no sentido de que, ainda que concedendo-se a toda nação que admita em suas composições religiosas aquelas formas particulares que constituem o caráter específico de sua própria música, esta deve estar de tal modo subordinada aos caracteres gerais da música sagrada, que nenhum fiel procedente de outra nação, experimente a ouvi-la numa impressão que não seja boa.

II. GÊNEROS DA MÚSICA SAGRADA

3. Achando-se em grau importante estas qualidades no canto gregoriano, que é, por conseguinte, o canto próprio da Igreja romana, o único que a Igreja herdou dos antigos Padres, e que há custodiado zelosamente durante o curso dos séculos em seus códigos litúrgicos, e que em algumas partes da liturgia prescreve exclusivamente, e que estudos recentíssimos tem restabelecido, felizmente em sua pureza e integridade.
Por estes motivos, o canto gregoriano foi tido sempre como acabado modelo de música religiosa, podendo formular-se com toda razão esta lei geral: Uma composição religiosa será mais sagrada e litúrgica quanto mais se aproxima do ar, inspiração e sabor da melodia gregoriana e será tanto menos digna do templo quanto mais se distanciar deste modelo soberano.
Por este motivo, o antigo canto gregoriano tradicional deverá restabelecer-se amplamente nas solenidades do culto; tendo-se por bem sabido que nenhuma função religiosa perderá nada de sua solenidade ainda que não se cante nela outra música que a gregoriana.
Procure-se, especialmente, que o povo volte a adquirir o costume de usar do canto gregoriano, para que os fiéis tomem de novo parte mais ativa no ofício litúrgico, como o faziam antigamente.
4. As supracitadas qualidades encontram-se também em grau elevado na polifonia clássica, especialmente no da escola romana, que o século XVI legou a meta da perfeição com as obras de Pedro Luiz da Palestrina e que logo continuou produzindo composições de excelente bondade musical e litúrgica.
A polifonia clássica se aproxima bastante do canto gregoriano, supremo modelo de toda a música sagrada, e por esta razão mereceu ser admitida, junto com aquele canto, nas funções mais solenes da Igreja, como são as que se celebram na capela pontifícia.
Por conseguinte, também esta música deverá restabelecer-se copiosamente nas solenidades religiosas, especialmente nas basílicas mais insignes, nas igrejas, catedrais e nas dos seminários e institutos eclesiásticos, onde não costumam faltar os meios necessários.
5. A Igreja tem reconhecido e fomentado em todo o tempo os progressos das artes, admitindo no serviço do culto, quanto no curso dos séculos, a inteligência tem sabido encontrar o gênero bom e belo, salvando sempre a lei litúrgica; por conseguinte, a música mais moderna se admite na Igreja, posto que conta com composições de tal bondade, seriedade e gravidade, que de nenhum modo são indignas das solenidades religiosas.
Porém, como a música moderna é principalmente profana, deverá cuidar-se com maior esmero que as composições musicais de estilo moderno que se admitam nas igrejas não contenham nenhuma coisa profana nem ofereçam reminiscências de motivos teatrais, e não estejam compostas tampouco em sua forma externa imitando a feitura das composições profanas.
6. Entre os vários gêneros da música moderna, o que menos parece adequado às funções do culto é o teatral, que durante o século passado esteve muito em voga, singularmente na Itália.
Por sua mesma natureza, este gênero oferece a máxima oposição ao canto gregoriano e a polifonia clássica, e por fim, às condições mais importantes de toda boa música sagrada, além do que a estrutura, o ritmo e o chamado convencionalismo deste gênero se acomodam muito fracamente às exigências da verdadeira música sagrada.

III. TEXTO LITÚRGICO

7. A língua própria da Igreja romana é a latina, pelo qual está proibido que nas solenidades litúrgicas se cante coisa alguma em língua vulgar, e muito mais que se cantem em língua vulgar as partes variáveis ou comuns da missa e do ofício.
8. Estando determinados para cada função litúrgica os textos que hão de se por na música e a ordem em que se devem cantar, não é licito alterar esta ordem, nem trocar os textos prescritos por outros de eleição privada, nem omití-los inteiramente ou em parte, como as rúbricas não consentem que se supra com o órgão certos versículos, senão que estes hão de recitar-se simplesmente no coro. Porém é permitido, conforme o costume da Igreja romana, cantar um motete ao Santíssimo Sacramento depois do Benedictus da missa solene, como se permite que, logo ao cantar o ofertório próprio da missa, possa cantar-se no tempo que fique até o prefacio um breve motete com palavras aprovadas pela Igreja.
9. O texto litúrgico há de se cantar como está nos livros, sem alterações ou pós posições de palavras, sem repetições indevidas, sem separar sílabas, e sempre com tal claridade que possam entendê-lo os fiéis.

IV. FORMA EXTERNA DAS COMPOSIÇÕES SAGRADAS

10. Cada uma das partes da missa e do ofício devem conservar musicalmente o conceito e a forma que a tradição eclesiástica lhes tem dado e se conservam bem expressadas no canto gregoriano; diversa é, por conseguinte, a maneira de compor-se um intróito, um gradual, uma antífona, um salmo, um hino, um Gloria in excelsis, etc.
11. Neste particular observem-se as normas seguintes:
A) O Kyrie, Gloria, Credo, etc., da missa devem conservar a unidade de composição que corresponde a seu texto. Não é, portanto, lícito compô-los em peças separadas, de maneira que cada uma delas forme uma composição musical completa, e tal que possa separar-se das restantes e reajustar-se com outra.
B) No ofício de vésperas devem seguir-se ordinariamente as disposições do Caeremoniale episcoporum, que prescreve o canto gregoriano para a salmódia e permite a música figurada nos versos do Gloria Patri e no himno.
Porém, será lícito nas maiores solenidades alternar, com o canto gregoriano do coro, o chamado de contraponto, ou com versos de parecida maneira convenientemente compostos.
Também poderá permitir-se alguma vez que cada um dos salmos se ponha inteiramente na música, sempre que em sua composição se conserve a forma própria da salmódia; isto é, sempre que pareça que os cantores salmodiam entre si, já com motivos musicais novos, já com motivos sacados do canto gregoriano, ou imitados deste.
Porém ficam para sempre excluidos e proibidos os salmos chamados de concerto.
C) Nos hinos da Igreja conserve-se a forma tradicional dos mesmos. Não é, por conseguinte, lícito compor, por exemplo, o Tantun Ergo de maneira que a primeira estrofe tenha a forma de romanza, cavatina ou adagio, e o Genitori de Allegro.
D) As antífonas de vésperas devem ser cantadas ordinariamente com a melodia gregoriana que lhes é própria; mas se em algum caso particular venham a ser cantadas com música, não deverão ter, de nenhum modo, nem a forma de melodia de concerto, nem a amplitude de um motete ou de uma cantata.

V. CANTORES

12. Exceto as melodias próprias do celebrante e dos ministros, as quais hão de se cantar sempre com música gregoriana, sem nenhum acompanhamento de órgão, tudo o mais do canto litúrgico é próprio do coro de levitas; de maneira que os cantores da igreja, ainda que quando sendo seculares, fazem propriamente o ofício de coro religioso.
Por conseguinte, a música que for executada deve, quando menos em sua máxima parte, conservar o caráter de música de coro.
Com isto não se entende excluir absolutamente os solos; mas estes não devem predominar de tal sorte que absorvam a maior parte do texto litúrgico, senão que devem ter o caráter de uma simples frase melódica e estar intimamente ligado ao resto de uma composição coral.
13. Do mesmo princípio se deduz-se que os cantores desempenham na Igreja um ofício litúrgico; pelo qual as mulheres, que são incapazes de desempenhar tal ofício, não podem ser admitidas a formar parte do coro ou a capela musical. E se querem ter vozes agudas de tríplices e contraltos, deverão ser crianças, segundo uso antiquíssimo da Igreja.
14. Por último, não se admitam nas capelas de música senão homens de conhecida piedade e probidade de vida, que com sua modesta e religiosa atitude de vida durante as solenidades litúrgicas se mostrem dignos do santo ofício que desempenham. Será, além disso, conveniente que, enquanto cantam na Igreja, os músicos vistam hábito talar e sobrepeliz, e que, se o coro se encontra muito à vista do público, se apresentem vestidos.

VI . ÓRGÃO E INSTRUMENTOS

15. Se bem ser a música da Igreja exclusivamente vocal, não obstante, também se permite a música com acompanhamento de órgão. Em algum caso particular, nos termos devidos e com os devidos aconselhamentos, poderão assim mesmo admitir-se outros instrumentos; mas não sem licença especial do Ordinário, segundo prescrição do Caeremoniale episcoporum.
16. Como o canto deve dominar sempre, o órgão e os demais instrumentos devem sustentá-lo sensivelmente, e não oprimí-lo.
17. Não está permitido antepor ao canto largos prelúdios ou interrompê-lo com peças de intermédio.
18. No acompanhamento do canto, nos prelúdios, intermédios e demais passagens parecidas, o órgão deve tocar-se segundo a índole do mesmo instrumento, e deve participar de todas as qualidades da música sagrada recordadas precedentemente.
19. Está proibido nas igrejas o uso do piano, assim como de todos os instrumentos fragorosos ou ligeiros, como o tambor, o chinesco, os pratos e outros semelhantes.
20. Está rigorosamente proibido que as chamadas bandas de música toquem nas igrejas, e só em algum caso especial, suposto o consentimento do Ordinário, será permitido admitir um número ajuizadamente escolhido, pequeno e proporcional ao ambiente, de instrumentos de sopro, destinados a executar composições ou acompanhar o canto, com música escrita em estilo grave, conveniente e em todo parecida ao do órgão.
21. Nas procissões que saiam da igreja, o Ordinário poderá permitir assistência das bandas de música, de tal forma que não executem composições profanas. Seria de apetecer que em tais ocasiões as ditas músicas se limitassem a acompanhar algum hino religioso, escrito em latim ou em língua vulgar, cantado pelos cantores e piedosas confrarias que assistem à procissão.

VII. EXTENSÃO DA MÚSICA RELIGIOSA

22. Não é lícito que por razão do canto ou da música se faça de esperar ao sacerdote no altar mais tempo do que exige a liturgia. Segundo as prescrições da Igreja, o Sanctus da missa deve terminar-se de cantar antes da elevação, apesar do qual, neste ponto, até o celebrante deve ter que estar dependendo da música. Conforme a tradição gregoriana, o Gloria e o Credo devem ser relativamente breves.
23. Em geral, há de condenar-se como abuso gravíssimo que, nas funções religiosas, a liturgia caia em lugar secundário e como ao serviço da música, quando a música forma parte da liturgia e não é senão sua humilde serva.

VIII. MEIOS PRINCIPAIS

24. Para o pontual cumprimento de quanto aqui fica disposto, nomeiem os bispos, se não os houver já nomeado, comissões especiais de pessoas verdadeiramente competentes em coisas de música sagrada, as quais, na maneira que julguem mais oportuna, se encomende o encargo de vigiar quanto se refere a música que se executa nas igrejas. Não cuidem só de que a música seja boa em si, senão de que responda às condições dos cantores e se boa a execução.
25. Nos seminários de clérigos e nos institutos eclesiásticos se há de cultivar com amor e diligência, conforme as disposições do Tridentino, o já louvável canto gregoriano tradicional, e nesta matéria sejam os superiores generosos de estímulos e elogios com seus jovens súditos. Assim mesmo, promova-se com o clero, onde seja possível, a fundação de uma Schola cantorum para a execução da polifonia sagrada e da boa música litúrgica.
26. Nas lições de liturgia, moral e direito canônico que se explicam aos estudantes de teologia, não deixar de tocar naqueles pontos que mais especialmente se referem aos princípios fundamentais e as regras da música sagrada, e procure-se completar a doutrina com instruções especiais acerca da estética da arte religiosa, para que os clérigos não saiam do seminário alheios destas noções tão necessárias à plena cultura eclesiástica.
27. Ponha-se cuidado em restabelecer, pelo menos nas igrejas principais, as antigas Scholae cantorum, como já se tem feito com excelente fruto em bom número de localidades. Não será difícil ao clero verdadeiramente zeloso estabelecer tais Scholae até nas igrejas de menor importância e de aldeia; antes bem, isso lhe proporcionará o meio de reunir em torno de si a crianças e adultos, com vantagem para si e edificação do povo.
28. Procure-se sustentar e promover de melhor modo onde já existam as escolas superiores de música,

sagrada, e concorra-se a fundá-las onde ainda não existam, porque é muito importante que da Igreja mesma provenha a instrução de seus maestros, organistas e cantores, conforme os verdadeiros princípios da arte sagrada.

IX. CONCLUSÃO

29. Por último, se recomenda aos maestros de capela, cantores eclesiásticos, superiores de seminários, de institutos eclesiásticos e de comunidades religiosas, aos párocos e reitores de igrejas, aos cônegos de colegiatas e catedrais, e sobre tudo aos Ordinários diocesanos, que favoreçam com todo zelo estas prudentes reformas, desde há muito desejadas e por todos unanimemente pedidas, para que não caia no desprezo a mesma autoridade da Igreja, que repetidamente as tem proposto e agora de novo as inculca.

Dado em nosso Palácio apostólico do Vaticano na festa da virgem e mártir Santa Cecília, 22 de novembro de 1903, primeiro de nosso pontificado.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

SUMMORUM PONTIFICUM - De 07 de julho de 2007 - Normas para a liturgia na Igreja latina

BENEDICTUS XVI - SUMMORUM PONTIFICUM - Normas para a liturgia na Igreja latina

"Os sumos pontífices até nossos dias se preocuparam constantemente para que a Igreja de Cristo oferecesse à Divina Majestade um culto divino digno de "louvor e glória de Seu nome" e "do bem de toda sua Santa Igreja".

"Desde tempo imemorável, como também para o futuro, é necessário manter o princípio segundo o qual, "cada Igreja particular deve concordar com a Igreja universal, não só quanto à doutrina da fé e aos sinais sacramentais, mas também com respeito aos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica, que devem observar-se não só para evitar erros, mas também para transmitir a integridade da fé, para que a lei da oração da Igreja corresponda à sua lei de fé". (1)

"Entre os pontífices que tiveram essa preocupação ressalta o nome de São Gregório Magno, que fez todo o possível para que aos novos povos da Europa se transmitisse tanto a fé católica como os tesouros do culto e da cultura acumulados pelos romanos nos séculos precedentes. Ordenou que fosse definida e conservada a forma da sagrada Liturgia, relativa tanto ao Sacrifício da Missa como ao Ofício Divino, no modo em que se celebrava na Urbe. Promoveu com a máxima atenção a difusão dos monges e monjas que, atuando segundo a regra de são Bento, sempre junto ao anúncio do Evangelho exemplificaram com sua vida a saudável máxima da Regra: "Nada se antecipe à obra de Deus" (cap.43). Dessa forma a Sagrada Liturgia, celebrada segundo o uso romano, enriqueceu não somente a fé e a piedade, mas também a cultura de muitas populações. Consta efetivamente que a liturgia latina da Igreja em suas várias formas, em todos os séculos da era cristã, impulsionou na vida espiritual a numerosos santos e reforçou a tantos povos na virtude da religião e fecundou sua piedade".

"Muitos outros pontífices romanos, no transcurso dos séculos, mostraram particular solicitude para que a sagrada Liturgia manifestasse de forma mais eficaz esta tarefa: entre eles destaca-se São Pio V, que sustentado de grande zelo pastoral, após a exortação do Concílio de Trento, renovou todo o culto da Igreja, revisou a edição dos livros litúrgicos emendados e "renovados segundo a norma dos Padres" e os deu uso à Igreja Latina".

"Entre os livros litúrgicos do Rito romano ressalta o Missal Romano, que se desenvolveu na cidade de Roma, e que, pouco a pouco, com o transcurso dos séculos, tomou formas que tem grande semelhança com as vigentes em tempos mais recentes".

"Foi este o objetivo que perseguiram os Pontífices Romanos no curso dos séculos seguintes, assegurando a atualização ou definindo os ritos e livros litúrgicos, e depois, ao início deste século, empreendendo uma reforma geral" (2). Assim atuaram nossos predecessores Clemente VIII, Urbano VIII, São Pio X (3), Bento XV, Pio XII e o Beato João XXIII.

"Em tempos recentes, o Concílio Vaticano II expressou o desejo que a devida e respeitosa reverência com respeito ao culto divino, se renovasse de novo e se adaptasse ás necessidades de nossa época. Movido deste desejo, nosso predecessor, o Sumo Pontífice Paulo VI, aprovou em 1970 para a Igreja latina os livros litúrgicos reformados, e em parte, renovados. Estes, traduzidos às diversas línguas do mundo, foram acolhidos de bom grado pelos bispos, sacerdotes e fiéis. João Paulo II revisou a terceira edição típica do Missal Romano. Assim, os Pontífices Romanos atuaram "para que esta espécie de edifício litúrgico aparecesse novamente esplendoroso por dignidade e harmonia" (4).

"Em algumas regiões, sem embargo, não poucos fiéis aderiram e continuam aderindo com muito amor e afeto às anteriores formas litúrgicas, que haviam embebido tão profundamente sua cultura e seu espírito, que o Sumo Pontífice João Paulo II, movido pela preocupação pastoral com respeito a estes fiéis, no ano de 1984, com o indulto especial "Quattuor abhinc annos", emitido pela Congregação para o Culto Divino, concedeu a faculdade de usar o Missal Romano editado pelo beato João XXIII no ano de 1962; mais tarde, no ano de 1988, com a Carta Apostólica "Ecclesia Dei", dada em forma de Motu Proprio, João Paulo II exortou aos bispos a utilizar ampla e generosamente esta faculdade a favor de todos os fiéis que o solicitassem".

"Depois da consideração por parte de nosso predecessor João Paulo II das insistentes petições destes fiéis, depois de haver escutado aos Padres Cardeais no consistório de 22 de março de 2006, após haver refletido profundamente sobre cada um dos aspectos da questão, invocou ao Espírito Santo e contando com a ajuda de Deus, com as presentes Cartas Apostólicas estabelecemos o seguinte:

Art. 1. - O Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da "Lex orandi" ("Lei da oração"), da Igreja católica de rito latino. Não obstante, o Missal Romano promulgado por São Pio V e novamente pelo Beato João XXIII deve considerar-se como expressão extraordinária da mesma "Lex orandi" e gozar do respeito devido por seu uso venerável e antigo. Estas duas expressões da "Lex orandi" da Igreja não levarão de forma alguma a uma divisão da "Lex credendi" ("Lei da fé") da Igreja; são, de fato, dois usos do único rito romano.

Por isso, é lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962, que não se ab-rogou nunca, como forma extraordinária da Liturgia da Igreja. As condições para o uso deste missal estabelecidas nos documentos anteriores "Quattuor abhinc annis" e "Ecclesia Dei", se substituirão como se estabelece na continuação:

Art. 2. - Nas Missas celebradas sem o povo, todo sacerdote católico de rito latino, tanto secular como religioso, pode utilizar, seja o Missal romano editado pelo Beato João XXIII em 1962 como o Missal Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1970, em qualquer dia, exceto o Tríduo Sacro. Para dita celebração, seguindo um ou outro missal, o sacerdote não necessita de nenhuma permissão, nem da Sé Apostólica, nem de seu Ordinário.

Art. 3. - As comunidades dos institutos de vida consagrada e das Sociedades de vida apostólica, de direito tanto pontifício como diocesano, que desejem celebrar a Santa Missa segundo a edição do Missal Romano promulgado em 1962 na celebração conventual ou "comunitária" em seus oratórios próprios, podem fazê-lo. Se uma só comunidade ou um instituto inteiro ou Sociedade quer levar a cabo ditas celebrações por muitas vezes, ou habitualmente, ou permanentemente, a decisão compete aos Superiores maiores segundo as normas do direito e segundo as regras e os estatutos particulares.

Art 4. - À celebração da Santa Missa, à que se refere o artigo 2, também podem ser admitidos - observadas as normas do direito - os fiéis que o pedirem voluntariamente.

Art.5. - § 1º.- Nas paróquias, onde houver um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolherá de bom grado seu pedido de celebrar a Santa Missa segundo o rito do Missal Romano editado em 1962. Deve procurar que o bem destes fiéis se harmonize com a atenção pastoral ordinária da paróquia, sob a guia do bispo como estabelece o can 392, evitando a discórdia e favorecendo a unidade de toda a Igreja.

            § 2º.- A celebração segundo o Missal do Beato João XXIII pode ocorrer em dia ferial; nos domingos e nas festividades pode haver também uma celebração desse tipo.

            § 3º - O pároco permita também aos fiéis e sacerdotes que o solicitem a celebração desta forma extraordinária em circunstâncias particulares, como matrimônios, exéquias ou celebrações ocasionais, como por exemplo as peregrinações.

            § 4º - Os sacerdotes que utilizem o Missal do Beato João XXIII devem ser idôneos e não ter nenhum impedimento jurídico.

            § 5º - E as Igrejas que não são paroquiais nem conventuais, é competência do Reitor conceder a licença acima citada.

Art.6. Nas missas celebradas com o povo segundo o Missal do Beato João XXIII, as leituras podem ser proclamadas também em língua vernácula, usando as edições reconhecidas pela Sé Apostólica.

Art.7. Se um grupo de fiéis leigos, como os citados no art. 5 - § 1º, não obtiverem satisfação a seus pedidos por parte do pároco, informe ao bispo diocesano. Se convida vivamente ao bispo a satisfazer seu desejo. Se não pode prover a esta celebração, o assunto se remeta à Pontifícia comissão "Ecclesia Dei".

Art. 8. O bispo, que deseja responder a estes pedidos do fiéis leigos, mas que por causas adversas não pode fazê-lo, pode indicá-lo à Comissão "Ecclesia Dei" para que lhe aconselhe e o ajude.
Art. 9.

            § 1º - O Pároco, após haver considerado tudo atentamente, pode conceder a licença para usar o ritual precedente na administração dos sacramentos do Batismo, do Matrimônio, da Penitência e da Unção dos Enfermos, se o requer o bem das almas.

            § 2º - Aos ordinários se concede a faculdade de celebrar o sacramento da Confirmação usando o precedente Pontifical romano, sempre que o requeira o bem das almas.

            § 3º - Aos clérigos constituídos "in sacris" é lícito usar o Breviário Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962.

Art. 10. O ordinário do lugar, se o considera oportuno, pode erigir uma paróquia pessoal segundo a norma do cânon 518 para as celebrações com a forma antiga do rito romano, ou nomear um capelão, observadas as normas de direito.

Art. 11. A Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei", erigida por João Paulo II em 1988, segue exercitando sua missão. Esta Comissão deve ter a forma, e cumprir as tarefas e as normas que o romano Pontífice queira atribuir-lhe.

Art. 12. A mesma Comissão, além das faculdades das que já goza, exercerá a autoridade da Santa Sé, vigiando sobre a observância e aplicação destas disposições.

Tudo quanto temos estabelecido com estas Cartas Apostólicas em forma de Motu Proprio, ordenamos
que se considere "estabelecido e decretado" e que se observe desde o dia 14 de setembro deste ano, festa da Exaltação da Santa Cruz, pese ao que possa haver em contrário.

Dado em Roma, em São Pedro, em 7 de julho de 2007, terceiro ano de meu Pontificado.
BENEDICTUS PP. XVI

SÃO COSME E SÃO DAMIÃO são santos mesmo?

Sim, eles são santos e mártires do Império Romano no século IV, por isso a Igreja celebra a memória deles. Eles foram martirizados em Ciro (na Síria) durante a perseguição de Diocleciano.

Segundo a tradição, São Cosme e São Damião eram dois irmãos que curavam "todas as enfermidades, não só das pessoas, mas também dos animais, fazendo tudo gratuitamente". Por serem médicos, foram escolhidos como patronos dos médicos e dos farmacêuticos. 

Segundo certa tradição, São Damião, contrariando a regra de caridade, aceitou a remuneração de Paládia, uma mulher por ele curada, e isto provocou uma severa bronca da parte de seu irmão, que protestou não querer ser sepultado ao lado dele após a morte. Deve ter havido alguma testemunha do fato, porque após a decapitação deles, os cristãos pensaram em sepultar seus corpos um pouco longe um do outro. Mas um camelo, assumindo voz humana, bradou em alta voz para unirem os dois irmãos, porque Damião, aceitando o modesto honorário oferecido por paládia, fizera-o em nome da caridade, para não humilhar a pobre senhora. 

Segundo a mesma tradição, os dois irmãos foram condenados à lapidação, mas as pedras se voltavam contra os perseguidores. Então eles foram colocados diante de quatro soldados para que estes os atravessarem com flechas, mas os dardos também retrocederam e feriram muitos, porém os santos nada sofreram. 

Os soldados foram obrigados a recorrer à espada para a decapitação, honra reservada apenas aos cidadãos romanos, e somente assim os dois mártires, juntamente com outros três irmãos, puderam prestar seu testemunho a Cristo. 

Não somos obrigados a acreditar nessas tradições que não têm uma comprovação histórica confirmada, mas também não podemos descartá-las de todo. 

Se não é possível confirmá-las; por outro lado não é possível provar a sua total falsidade; já que para Deus tudo é possível. 

Infelizmente, o culto desses santos benfeitores foi misturado ao sincretismo religioso dos cultos afros e outros, causando confusão no povo católico. 

No dia de sua celebração, algumas entidades religiosas não católicas costumam distribuir doces para as crianças. 

Evidentemente, os católicos não devem participar disso, pois é um desvirtuamento do culto desses santos. Esta prática só será válida para os cristãos, se for feita por pura caridade, sem qualquer outra conotação. Eles devem ser cultuados na fé da Igreja e nas Missas.

*Fonte desconhecida

terça-feira, 16 de abril de 2024

PEDRO FOI À FRENTE, PAULO O SEGUIU

Estes mártires viveram o que pregaram.

O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós o dia 29/06. Não falamos de martires desconhecidos. Sua voz ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do mundo a sua palavra (Salmo 118, 5). Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro, o primeiro dos apóstolos, que amava a Cristo ardentemente, mereceu escutar: "Por isso eu te digo que tu és Pedro" (Mateus 16, 19). Antes, ele havia dito: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16, 18). Sobre esta pedra construirei a fé que haverás de proclamar. Sobre a afirmação que fizeste: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo, construirei a minha Igreja, porque tu és Pedro. Pedro vem de pedra; não é pedra que vem de Pedro. Pedro vem de pedra, como cristão vem de Cristo.

Como sabeis o Senhor Jesus, antes de sua paixão, escolheu alguns discípulos, aos quais deu o nome d eapóstolos. Dentre estes, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus" (Mtaeus 16, 19). Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja Una. Assim manifesta-se a superioridade de Pedro que representava a universalidade e a unidade da Igreja, quando lhe foi dito: "Eu te darei". A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus, ouvi o que, em outra passagem, o Senhor diz a todos os seus apóstolos: "Recebei o Espírito Santo". E em seguida: "A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos" (João 20, 22-23).

Não fiques triste, ó apóstolo! Responde uma vez, responde uma segunda, responde uma terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que por três vezes o temor venceu a tua presunção. Desliga por três vezes o que por três vezes ligaste. Desliga por amor o que ligaste por temor. E assim, o Senhor confiou suas ovelhas a Pedro, uma, duas e três vezes.

Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu.Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos.

* FONTE DESCONHECIDA

ESTE SACRAMENTO QUE RECEBESTES TEM POR FONTE A PALAVRA DE CRISTO

Vemos que são maiores as obras da graça do que as da natureza. 

Entre as obras da graça, incluímos a graça da bênção profética. 

Se a bênção humana teve a forma de mudar a natureza, que diremos da própria consagração divina, em que agem as palavras mesmas do Senhor e Salvador? 

Porque este sacramento que recebes se realiza pela palavra de Cristo. Se tanto pôde a palavra de Elias que fez o fogo descer do céu, não terá a palavra de Cristo o poder de mudar a substância dos elementos?

Já leste acerca do mundo inteiro que ele falou e tudo foi feito, ele ordenou e tudo foi criado. Portanto, a palavra de Cristo, que pôde do nada fazer o que não era não poderá mudar o que existe para aquilo que não era? Dar novas naturezas às coisas não é menos do que mudá-las.

Mas por que apresentamos argumentos? 

Voltemos-nos para seus exemplos, confirmemos pelos mistérios da encarnação a verdade do mistério. Acaso, quando Jesus nasceu de Maria, foi observada a natureza comum? Normalmente, a mulher concebe pela união com o homem. Está, portanto, bem claro que a Virgem gerou fora da ordem natural. E este que consagramos é o corpo que proveio da Virgem.

Por que exiges aqui que seja segundo a natureza, quando foi além da natureza que da Virgem se deu o nascimento do mesmo Senhor Jesus?

É realmente a verdadeira carne de Cristo que foi crucificada, sepultada; é verdadeiramente o sacramento desta carne. O próprio Senhor Jesus declara: Isto é o meu corpo. Antes da bênção das palavras celestes era outra realidade; depois da consagração, entende-se o corpo. Ele mesmo diz que é seu sangue.

Antes da consagração é outra coisa; depois da consagração, chama-se sangue. E tu dizes: "Amém"; o que quer dizer: "É verdade". Confesse o nosso interior o que proclamam os lábios, sinta o afeto que a palavra soa.

Vendo tão grande graça, a Igreja exorta seus filhos, exorta os amigos a que acorram ao

sacramento: Comei amigos meus, bebei e inebriai-vos, meus irmãos. O que comemos o que bebemos, o Espírito Santo pelo profeta o exprimiu: Provai e vede como é suave o Senhor; feliz de quem nele confia. Neste sacramento está Cristo porque é o corpo de Cristo.

Não é, por conseguinte, alimento corporal, mas espiritual. O Apóstolo, falando da sua figura, dizia: Nossos pais comeram o pão espiritual e beberam da bebida espiritual. O corpo de Deus é corpo espiritual; o corpo de Cristo é corpo do espírito divino, porque Cristo é espírito, como lemos: O Espírito diante de nossa face, o Cristo Senhor. E na carta de São Pedro encontramos: E Cristo morreu por vós. Por fim, este pão fortalece o nosso coração e esta bebida alegra o coração do homem.

* Fonte desconhecida.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

OS APÓSTOLOS

No começo do seu ministério Jesus escolheu doze homens que o acompanhassem. Teriam esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido.

Por conseguinte, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade. "Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolo" (Lc 6.12-13).

A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado judaico e conhecida, em realidade, como "Galiléia dos gentios". O próprio Jesus disse:"Tu, Carfanaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno" (Mt 11.23). Não obstante, Jesus fez desses doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhorio de Jesus.

Os doze apóstolos foram:

  • 1) André;
  • 2) Bartolomeu (Natanael);
  • 3) Tiago (Filho de Alfeu);
  • 4) Tiago (Filho de Zebedeu);
  • 5) João;
  • 6) Judas (não o iscariotes);
  • 7) Judas Iscariotes;
  • 8) Mateus;
  • 9) Filipe;
  • 10) Simão Pedro;
  • 11) Simão Zelote;
  • 12) Tomé;
  • 13) Matias (Substituindo a Judas)

COMO MORRERAM OS APÓSTOLOS?

O martírio dos apóstolos foi anunciado por Jesus: "Por isso, diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns e perseguirão outros" (Lucas 11.49). "E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome" (Lucas 21.16-17). Esta palavra diz respeito, também, aos crentes de um modo geral. Ainda hoje, anualmente, milhares são martirizados em todo o mundo. "Se a mim me perseguiram também vos perseguirão a vós... mas tudo isso vos farão por causa do meu nome" (João 15.19-20). "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos...eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas, e sereis conduzidos à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim..." (Mateus 10.16-18). Com relação aos sofrimentos e martírio de Paulo, Jesus revelou: "Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome" (Atos 9.16). Abro um parêntesis para uma reflexão: o Evangelho pregado em nossas igrejas inclui a possibilidade de sofrimento por amor a Cristo, ou anunciamos somente prosperidade, fartura, longevidade e saúde? Vejamos como os apóstolos morreram:


ANDRÉ

Foi discípulo de João Batista, de quem ouviu a seguinte afirmação sobre Jesus: "Eis aqui o Cordeiro de Deus". André comunicou as boas notícias ao seu irmão Simão Pedro: "Achamos o Messias" (João 1.35-42; Mateus 10.2). O lugar do seu martírio foi em Acaia (província romana que, com a Macedônia, formava a Grécia). Diz a tradição que ele foi amarrado a uma cruz em forma de xis (não foi pregado) para que seu sofrimento se prolongasse.

BARTOLOMEU

Tem sido identificado com Natanael. Natural de Caná de Galiléia. Recebeu de Jesus uma palavra edificante: "Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo" (Mateus 10.3; João 1.45-47) Exerceu seu ministério na Anatólia, Etiópia, Armênia, Índia e Mesopotâmia, pregando e ensinando. Foi esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Outros dizem que teria sido golpeado até a morte.


FILIPE


Natural de Betsaida, cidade de André e Pedro. Um dos primeiros a ser chamado por Jesus, a quem trouxe seu amigo Natanael (João 1.43-46). Diz-se que pregou na Frigia e morreu como mártir em Hierápolis.

JOÃO

O apóstolo que recebeu de Jesus a missão de cuidar de Maria. "O discípulo que Jesus amava" (João 13.23). Pescador, filho de Zebedeu (Mateus 4.21 O único que permaneceu perto da cruz (João 19.26-27). O primeiro a crer na ressurreição de Cristo (João 20.1-10). A tradição relata que João residiu na região de Éfeso, onde fundou várias igrejas. Na ilha de Patmos, no mar Egeu, para onde foi desterrado, teve as visões referidas no Apocalipse (Apocalipse 1.9). Após sua libertação teria retornado a Éfeso. Teve morte natural com idade de 100 anos.


JUDAS TADEU

Foi quem, na última ceia, perguntou a Jesus: "Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?" (João 14:22-23). Nada se sabe da vida de Judas Tadeu depois da ascensão de Jesus. Diz a tradição que pregou o Evangelho na Mesopotâmia, Edessa, Arábia, Síria e também na Pérsia, onde foi martirizado juntamente com Simão, o Zelote.


JUDAS ISCARIOTES

Filho de Simão, traiu a Jesus por trinta peças de prata, enforcando-se em seguida.(Mateus 26:14-16; 27:3-5).

MATEUS

Filho de Alfeu, e também chamado de Levi. Cobrador de impostos nos domínios de Herodes Antipas, em Cafarnaum (Marcos 2.14; Mateus 9.9-13; 10.3; Atos 1.13). Percorreu a Judéia, Etiópia e Pérsia, pregando e ensinando. Há várias versões sobre a sua morte. Teria morrido como mártir na Etiópia.


MATIAS

Escolhido para substituir Judas Iscariotes (Atos 1.15-26). Diz-se que exerceu seu ministério na Judéia e Macedônia. Teria sido martirizado na Etiópia.


PAULO

Israelita da tribo de Benjamim (Filipenses 3.5). Natural de Tarso, na Cilícia (hoje Turquia). Nome romano de Saulo, o Apóstolo dos Gentios. De perseguidor de cristãos, passou a pregador do evangelho e perseguido. Realizou três grandes viagens missionárias e fundou várias igrejas. Segundo a tradição, decapitado em Roma, nos tempos de Nero, no ano 67 ou 70 (Atos 8.3; 13.9; 23.6; 13-20).


PEDRO

Pescador, natural de Betsaida. Confessou que Jesus era "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16.16). Foi testemunha da Transfiguração (Mateus 17.1-4). Seu primeiro sermão foi no dia de Pentecostes. Segunda a tradição, sua crucifixão verificou-se entre os anos 64 e 67, em Roma, por ordem de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por achar-se indigno de morrer na mesma posição de Cristo.


SIMÃO, o Zelote

Dos seus atos como apóstolo nada se sabe. Está incluído na lista dos doze, em Mateus 10.4, Marcos 3.18, Lucas 6.15 e Atos 1.13. Julga-se que morreu crucificado.

TIAGO, O MAIOR

Filho de Zebedeu, irmão do também apóstolo João. Natural de Betsaida da Galiléia, pescador (Mateus 4.21; 10.2). Por ordem de Herodes Agripa, foi preso e decapitado em Jerusalém, entre os anos 42 e 44.

TIAGO, O MENOR

Filho de Alfeu (Mateus 10.3). Missionário na Palestina e no Egito. Segundo a tradição, martirizado provavelmente no ano 62.


TOMÉ

Só acreditou na ressurreição de Jesus depois que viu as marcas da crucificação (João 20.25). Segundo a tradição, sua obra de evangelização se estendeu à Pérsia (Pártia) e Índia. Consta que seu martírio se deu por ordem do rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, no ano 53 da era cristã.

Após a ascensão de Jesus ao céu, Paulo tem uma experiência com Jesus (Atos 9, 1ss), cresce nesta experiência e acaba por tornando-se o Apóstolo dos gentios (Cf. Gálatas 2, 7) até chegar ao seu martírio.

A tradição cristã afirma que Paulo foi sentenciado por Nero à pena de morte por

decapitação junto à estrada de Roma para Óstia. Essa forma de execução obviamente estava relacionada ao fato de que ele era também um cidadão romano, caso contrário, provavelmente Paulo teria recebido uma execução mais cruel e humilhante. 
Enquanto para São Paulo existe uma certa concordância entre testemunhas antigas indicando o ano de 67, para São Pedro há muitas discordâncias, e os estudiosos parecem preferir agora o ano de 64, ano em que, como atesta também o historiador pagão Tácito, "uma enorme multidão" de cristãos pereceu na perseguição que se seguiu ao incêndio de Roma.

Importante é fazer da vida, evangelização e martírio destes homens, trampolins para sermos impulsionados a amar Jesus até as últimas consequências e sermos suas testemunhas, como também estes o foram.

A diferença entre a Bíblia católica e a protestante

Demoraram alguns séculos para que a Igreja Católica chegasse à forma final da Bíblia, com os 72 livros como temos hoje.

Em vários Concílios, ao longo da história, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,12-13) estudou e definiu o Índice (cânon) da Bíblia; uma vez que nenhum de seus livros traz o seu Índice.
 
Foi a Igreja Católica quem berçou a Bíblia.

Garante-nos o Catecismo da Igreja e o Concílio Vaticano II que: "Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados" (Dei Verbum 8; CIC,120). Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: "Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica" (CIC,119). 

Mas, por que a Bíblia católica é diferente da protestante? 
Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14. 

A razão disso vem de longe. 

No ano 100 da era cristã, os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começavam a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os judeus não aceitaram. 

Nesse Sínodo, os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte: 

1) Deveria ter sido escrito na Terra Santa; 

2) Escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego; 

3) Escrito antes de Esdras (455-428 a.C.); 

4) Sem contradição com a Torá ou lei de Moisés. 

Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia em 537aC. 

Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citados anteriormente. 

Mas a Igreja católica, desde os Apóstolos, usou a Bíblia completa. 

Em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma influente colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. 

O rei do Egito, Ptolomeu, queria ter todos os livros conhecidos na famosa biblioteca de Alexandria; então mandou buscar 70 sábios judeus, rabinos, para traduzirem os Livros Sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu, assim, a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta, que a Igreja Católica sempre seguiu. 

Essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. 

Havia, dessa forma, no início do Cristianismo, duas Bíblias judaicas: a da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa - Versão dos LXX). Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando inspirados (canônicos) os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento, utilizaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico. 

O texto grego "dos Setenta" tornou-se comum entre os cristãos; e portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passaram para o uso dos cristãos. 

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos Apóstolos. 

Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15. 

Nos séculos II a IV, houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus, mas a Igreja, ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros. 

Após a Reforma Protestante (1517), Lutero e seus seguidores rejeitaram os sete livros já citados. 

É importante saber também que muitos outros livros, que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. 

Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute. 

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura. 

Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes. 

Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja? 

É claro que não. 

Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e de Macabeus II; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus. 

Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo. Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha. 

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel. 

Lutero, quando estava preso em Wittenberg, ao traduzir a Bíblia do latim para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia. 

Neste fato fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje. 

Disse o último Concílio: "Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes." (DV,8). 

Se negarmos o valor indispensável da Igreja Católica e de sua Sagrada Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia. 

Note que os seguidores de Lutero não acrescentaram nenhum livro na Bíblia, o que mostra que aceitaram o discernimento da Igreja Católica desde o primeiro século ao definir o Índice da Bíblia. 

É interessante notar também que o Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S. Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia, o que gerava certas confusões entre os cristãos. São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

Fonte: Professor 
Felipe Aquino - 24/09/2006 - 14h50

sexta-feira, 12 de abril de 2024

A Igreja Católica e os não católicos

O verdadeiro ecumenismo nunca será uma forçada justaposição de muitas igrejas

A Igreja católica olha com respeito os cristãos que estão fora dos seus limites.

O Catecismo nos ensina algo muito importante sobre isso: "Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser argüidos de pecado de separação, e a Igreja católica os abraça com fraterna reverência e amor... Justificados pela fé recebida no batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são chamados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da igreja católica como irmãos no Senhor" (Un. Redintegratio,3), (Catecismo nº. 818).

A Igreja também reconhece que: "Muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica: a palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade e outros dons do Espírito Santo" (UR, 3). O Catecismo ainda afirma que: "O Espírito Santo de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica". Todos esses bens provêm de Cristo e levam a Ele e impelem à "unidade católica" (Lúmen Gentium, 8). Essas palavras não querem de forma alguma dizer que podemos aceitar essa triste realidade dos irmãos separados da fé católica, "como se tudo estivesse bem". Não. O verdadeiro ecumenismo nunca será uma forçada justaposição de muitas igrejas, mas o reconhecimento de que só há uma Igreja fundada por Jesus e que contém com garantia todo o "depósito da fé" e "a plenitude dos meios da salvação". 

Embora reconheça tudo isso, a Igreja católica tem consciência de que ela possui, como disse o Papa João Paulo II, "por vontade expressa de Deus, a plenitude dos meios da salvação", ou seja, "todos os instrumentos da graça"(UR,3 e 4). Nossos irmãos separados da fé católica, que já nasceram nas igrejas ditas evangélicas, não podem ser culpados pela separação havida no passado; contudo, estão desprovidos de muitos meios de salvação e santificação que Jesus nos deixou: Sacramentos, devoção a Maria, a intercessão, santos, sacramentais, etc. 

É preciso lembrar aqui que quando a Igreja Católica se refere às igrejas protestantes, ela pensa naquelas tradicionais e históricas, não nessa multidão incontável de seitas que se multiplicam a cada dia, de maneira incontrolável e independente. A "Lumen Gentium" deixa bem claro que: "A única Igreja de Cristo é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la... Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele" (LG, 8).

Fonte: 08/03/2006 - 17h00 - Prof°. Felipe Aquino

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Os dons de Santificação do Espírito

Os Dons de Santificação ou Dons do Espírito Santo são como hábitos ou disposições sobrenaturais que nos conduzem a pensar, julgar e agir em todas as circunstâncias como fariam Cristo Nosso Senhor ou Sua Santíssima Mãe, se estivessem em nosso lugar. Com efeito, aqueles que se deixam conduzir com docilidade pelo Espírito Santo comportam-se de um modo divino e, por isso mesmo, santo.

"Doador dos sete dons" ou "septiforme nos teus dons" é como se chama o Espírito Santo nos cânticos, ladainhas e hinos que lhe são dedicados. O texto bíblico que lhe deu origem é Isaías 11, 1 - 3, "Um renovo sairá do tronco de Jessé,e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento,Espírito de prudência e de coragem,Espírito de ciência e de temor ao Senhor.(Sua alegria se encontrará no temor ao Senhor)."

À lista desta versão da bíblia com os seis dons, a versão da Vulgata Jerominiana e a Tradução Grega dos 70 (Septuaginta) acrescem a piedade, eliminando a dupla menção do temor de Deus e obtendo assim o número de sete.

Entre os dons do Espírito Santo, o dom da Ciência ocupa o primeiro lugar, pela sua importância na vida espiritual. O dom da Ciência faz com que se substitua a mentalidade mundana, isto é, meramente humana, pela maneira de ver de Deus. A alma passa então a julgar todas as coisas à luz da fé, e compreende com toda a nitidez o fim sobrenatural do homem e a necessidade de subordinar-lhe todas as realidades terrenas.

O dom do Conselho tem por finalidade aperfeiçoar a virtude da prudência, fazendo com que a alma possa discernir de imediato o que deve fazer ou deixar de fazer, tanto no que diz respeito à sua própria conduta como à do próximo. Trata-se como que de um conjunto de raciocínios iluminados pela graça de Deus que nos mostra de maneira nítida e precisa o que convém fazer ou evitar de fazer em determinadas circunstâncias. Esse "golpe de vista" tão preciso, é resultado do estudo e da reflexão, mas é também como que um "instinto sobrenatural" que provém do dom do Conselho.

O dom do Entendimento é uma disposição sobrenatural da alma que lhe permite captar e compreender de maneira extremamente clara e como que por intuição determinados mistérios de nossa fé ou até mesmo passagens das Sagradas Escrituras. Sob o influxo desse dom a alma penetra de maneira extremamente clara nos mistérios revelados, capta o alcance das verdades mais profundas da fé, deixa-se conduzir por caminhos de uma oração sempre mais vivenciada.

O dom da Sabedoria pode ser definido como uma disposição sobrenatural da inteligência que leva a dar valor àquilo que diz respeito às coisas de Deus e à glória de seu nome. " A sabedoria vale mais que as pérolas e jóia alguma a pode igualar " (Prov 8, 11). O dom da sabedoria não se aprende nos livros mas é comunicado à alma pelo próprio Deus, que ilumina e enche de amor a mente, o coração, a inteligência e a vontade.

O dom da Piedade consiste numa disposição sobrenatural da alma que a inclina, sob a ação do Espírito Santo, a comportar-se nas suas relações com Deus como uma criança muito carinhosa se comporta com seu pai, por quem se sabe imensamente amada e querida.

O dom da Fortaleza é a capacidade que o Espírito Santo nos dá de viver e suportar as provações e de uni-las às provações de Cristo. A alma totalmente entregue ao Espírito Santo encontra, no dom da Fortaleza, uma disposição sobrenatural que a torna capaz de empreender as ações mais difíceis e de suportar as provas mais duras por amor a Deus e pela glória de seu nome.

O dom do Temor de Deus é uma disposição sobrenatural da alma que a faz experimentar um imenso respeito por Deus e uma complacência sem limites na sua bondade de Pai. Não se trata de temor servil, nem de temor de desagradar, mas de temor reverencial: Deus é tão grande, tão todo-poderoso, que queremos servi-lo e amá-lo de todo coração porque Ele é nosso Tudo.
" Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim " (Gal 2,20)
                                            
Fonte: Comunidade Shalom

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