quinta-feira, 12 de setembro de 2024

SALVEM A LITURGIA!

"Incorporados à Igreja pelo Batismo, os fiéis receberam o caráter sacramental que os consagra para o culto religioso cristão. O selo batismal capacita e compromete os cristãos a servirem a Deus em uma PARTICIPAÇÃO VIVA na SAGRADA LITURGIA da IGREJA e exercerem seu sacerdócio batismal pelo testemunho de uma vida santa e de uma caridade eficaz" (Catecismo § 1273)

Com tais palavras, irmãos, quero iniciar este artigo, o qual tenho orado e visto diversas coisas que estarão sendo colocadas nele.

João 2, 17, fala que os Apóstolos se lembraram da Palavra do Profeta: "O zelo pela Tua casa me consome."

Neste Artigo, deixo claro, irmãos, que esta palavra lembrada pelos Apóstolos diante do gesto de Jesus e diante da bagunça que estava o Templo, com as pessoas desvirtuando o sentido do culto,  é o mesmo sentimento que permeia o meu coração de servo de Deus, além de Paroquiano, dentro de uma comunidade da Arquidiocese a qual faço parte hoje.

Atos 2, 42 vai dizer que após a efusão do Espírito Santo, tudo mudou no coração e na vida daqueles homens. Sua postura, seu comportamento, sua forma de falar e ver como as coisas realmente eram, tudo isso passou a ter outra perspectiva aos olhos daqueles homens!

Assiduidade na escuta do ensinamento apostólico é a primeira qualidade.

Solidariedade na fração do pão - Eucaristia - e nas orações é a segunda qualidade registrada por São Lucas...

Estavam no Templo DIARIAMENTE... Portanto todos tinham vida Eclesial constante.

Uma pergunta permeia e insiste em queimar meu coração neste exato momento do artigo:

QUAL ERA A POSTURA DESSES HOMENS E DESSAS MULHERES NESTES MOMENTOS LITÚRGICOS E ECLESIAIS DAS PRIMEIRAS COMUNIDADES?

Por inúmeras vezes, irmãos, o Catecismo vem lembrar da Tradição Apostólica.

Penso, irmãos, que o zelo desses homens e mulheres era tão grande que não se fazia necessário tantas regras de liturgia, a não ser a DIDAQUÊ, tão simples catecismo dos Apóstolos, deixado como primeiro ensinamento deles oficial.

O Catecismo também diz:

"NO SENTIDO DA SAGRADA ESCRITURA, O MEMORIAL NÃO É SOMENTE A LEMBRANÇA DOS ACONTECIMENTOS DO PASSADO, MAS A PROCLAMAÇÃO DAS MARAVILHAS QUE DEUS REALIZOU POR TODOS OS HOMENS. A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA DESSES ACONTECIMENTOS TORNA-OS DE CERTO MODO PRESENTES E ATUAIS..."  § 1363

Portanto, atualizamos os acontecimentos, de forma especial, no Santo Sacrifício da Missa, sua liturgia, atualiza o Calvário, o Sacrifício da Cruz é deixado de forma atual no momento da elevação do Cálice com o Sangue e a Patena com o Corpo do Senhor... Vemos em nossa frente o Calvário, o Gólgota atualizados em frente aos nossos olhos.

Neste Blog você encontrará um artigo de uma entrevista com S. Padre Pio de Pietrelcina sobre a Santa Missa.

São Leonardo de Porto Maurício vai ensinar: "Quando ides à Santa Missa, tendes os mesmos sentimentos 
de entrares no Calvário." (Excelências da Santa Missa)

Portanto, irmãos, não estamos indo a uma reunião fraterna, não vamos a um encontro entre amigos - ainda que estas coisas sejam consequência, não é este o fundamento da Santa Missa que a Igreja nos ensina com Zelo.

A Santa Missa, Sacramento dos Sacramentos, atualiza o Calvário para nós! Naquele Calvário ninguém comungou, mas contemplou - exceto os Apóstolos que comungaram na Santa Ceia - como quando adoramos o Senhor Sacramentado. O Véu do Sacramento esconde a divindade de Nosso Senhor, mas não pode encerrar a fé que nos faz enxergar Jesus ali, Vivo! Ressuscitado!

No Calvário ninguém batia palmas! Batiam no peito se lamentando!(cf. Lc 23, 27)

Não havia barulho no Calvário como se vê em várias Igrejas um barulho incômodo - para não dizer outra coisa - no ato da Consagração, na Homilia, no Ato Penitencial, enfim, em vários momentos do Santo Sacrifício da Missa, coordenadores, catequistas, JOVENS, lideranças de comunidade, ministros extraordinários, músicos, pessoas envolvidas (ou não) na liturgia, conversando, batendo papo, rindo, quando, na verdade, precisariam estar adentrando o mistério! Com uma participação VIVA como nos pede a Igreja no parágrafo que transcrevi seu trecho no início do artigo.
A falta de zelo é evidente:

*  Muitas vezes não se separa um dia para organizar o "esqueleto" da Liturgia, pois o catecismo também ensina que muita coisa na liturgia é IMUTÁVEL! Por ser algo imutável, precisa-se de preparo, zelo, cuidado com o que se prepara, pois é manifestação do próprio Deus entre nós atualizando o ÚNICO E VERDADEIRO SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO PARA NÓS QUE CREMOS! Se houvesse este zelo preparatório, não se veria gente tentando arrumar alguém para FAZER  A PRIMEIRA OU SEGUNDA LEITURA OU ORAÇÃO DOS FIÉIS, mas LEITORES PREPARADOS E ANIMADORES PREPARADOS QUE CELEBRAM O QUE SABEM ESTAREM CELEBRANDO: JESUS CRISTO!

* Por esta falta de preparo, a sacralidade do que se faz no altar fica em segundo plano, dando lugar ao cumprimento de preceito, com gestos mecanizados e sem amor profundo, olhar sem brilho como se contemplasse um quadro antigo e sem vida, quando, na verdade estamos celebrando a atualização do Sacrifício que nos devolveu a vida! É um relaxo na postura, no falar e gesticular de forma viva o que se celebra!

* Sem sacralidade, não se vive o mistério, portanto, não se recolhe a graça da intimidade Eucarística proporcionada pela Santa Missa bem participada! Todos saem da mesma forma que entraram, ou até pior! Saem sem a consciência de quem receberam!

* Por falta da sacralidade, querem inventar coisas dentro da liturgia que não cabem... Diz o documento Sacrosanctum Concilium 23: "Para conservar a sã tradição e abrir ao mesmo tempo o caminho a um progresso legítimo, faça-se uma acurada investigação teológica, histórica e pastoral acerca de cada uma das partes da Liturgia que devem ser revistas. Tenham-se ainda em consideração às leis gerais da estrutura e do espírito da Liturgia, a experiência adquirida nas recentes reformas litúrgicas e nos indultos aqui e além concedidos. Finalmente, não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes.
Evitem-se também, na medida do possível, diferenças notáveis de ritos entre regiões confinantes." 
Tem coisas que podem ser evitadas... Se atrai as pessoas na medida em que o Sagrado aparece mais que o profano, pois, profano por profano, melhor ficar onde a responsabilidade é menor!

* Sem o sentido do Sagrado, na Homilia, o Sacerdote é um mero detalhe... Se fala de tudo durante a
Homilia, menos se sabe - quando muito - o Evangelho proclamado, pois até isso tiraram a sacralidade: NÃO É PROCLAMADO, É LIDO!
Absurdos assim têm se repetido com frequência em quase todos os lugares e percebe-se que, nas localidades interioranas, onde as pessoas são mais simples e mais maduras, a Santa Missa e qualquer outra liturgia sacramental, a hora da Palavra é a hora de se andar, conversar, contar as últimas... Enfim, uma falta de educação, respeito e zelo sem tamanho, e isso a partir de quem até é liderança dentro de suas respectivas comunidade, pois se há um preparo, não haveria necessidade de improvisar um conserto naquilo que já estivesse preparado com zelo!

* O mesmo documento acima citado (Sacrosanctum Concilium), no número 30 diz: "Para fomentar a participação ativa, promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos, bem como as ações, gestos e atitudes corporais. Não deve deixar de observar-se, a seu tempo, um silêncio sagrado." 

Portanto, as respostas às leituras e orações que cabem ao povo, precisam ser motivadas a serem dadas de forma efetiva e sólida, porém, na hora do silêncio, que se faça!

Já vi ministros extraordinários batendo papo durante a consagração! Já vi músicos afinando instrumentos durante a consagração! Já vi coordenadores de comunidade e grupos de oração até, num descaso com Jesus consagrado no Altar! E se falamos algo, Jesus! É indelicadeza, não se sabe corrigir o irmão com caridade! Que falta de caridade! Como se fosse a vítima da história! Ora, faça-me o favor!!!

Estamos falando de pessoas que estão a serviço e deduz-se que sabem o que estão fazendo e para quem o fazem! Pessoas melindrosas e sem zelo algum servindo o Altar de qualquer jeito e os fiéis, vendo tal atitude, praticam a mesma coisa, pois se quem está a serviço, podemos fazer o mesmo! Assim pensam os fiéis! Eu pensaria assim...

* O número 56 do mesmo documento diz: "Estão tão intimamente ligadas entre si as duas partes de que se compõe, de algum modo, a missa - a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística - que formam um só ato de culto. Por isso, o sagrado Concilio exorta com veemência os pastores de almas a instruírem bem os fiéis, na catequese, sobre o dever de ouvir a missa inteira, especialmente nos domingos e festas de preceito."

Irmãos, aqui uma ressalva: O documento diz que os pastorem devem instruir BEM os fiéis. Pois senão, veremos o que vemos: Pessoas que antes do final da Santa Missa, saem... E aqui irmãos, uma exortação: Não interessa se o Padre "A", "B" ou "C", ou pessoa que dá o recado se alonga, fala demais (e isso tem mesmo!), isso é problema de quem o faz, quanto a mim, devo ter o zelo de permanecer firme até o fim, pois EU prestarei contas pessoalmente se vivi mal a liturgia, tanto quanto quem a celebra ou serve nela! Para bom entendedor, pingo no "i" é letra!

* O número 102 vem nos dizer de forma tão bela: "...Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contato com eles, se encham de graça."

O documento conciliar nos diz sobre os tempos litúrgicos... É tão belo o zelo da Igreja em querer os fiéis cheios da graça a partir de um contato com o mistério.

Não tem como cobrar espiritualidade de quem não experimentou o toque no e do mistério!

A liturgia só pode ser experimentada em sua essência quando experimentamos o Senhor da essência: CRISTO. Sem tal experiência, tudo é muito relativizado, sem importância, feito de qualquer jeito, sem silêncio, sem interioridade... Só superficialmente se faz e experimenta, quando muito, um "analgésico espiritual de consolo", mas não a experiência transformadora com o mistério de Cristo!

* O que dizer dos que se dizem espirituais ao extremo? Bem, o n° 110 do documento supra citado, diz: "A penitência quaresmal deve ser também externa e social, que não só interna e individual. Estimule-se a prática da penitência, adaptada ao nosso tempo, às possibilidades das diversas regiões e à condição de cada um dos fiéis..."

Alguns querem impor certas formas de penitência aos recém chegados à vida da Igreja. O que acontece de resultado? A pessoa não aguenta. Desiste.

Outros fingem uma santidade e espiritualidade que não existe em suas vidas, com penitências enormes, mas sem mudanças na quaresma e o que a Igreja diz? 

A penitência quaresmal deve ser também externa e social, que não só interna e individual.

Portanto, penitência interior sem resultado exterior de conversão é algo intimista e sem muitos resultados para o primeiro chamado da Igreja: Resgatar almas. Querem mais?

"Mantenha-se religiosamente o jejum pascal, que se deve observar em toda a parte na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor e, se oportuno, estender-se também ao Sábado santo, para que os fiéis possam chegar à alegria da Ressurreição do Senhor com elevação e largueza de espírito."

É preciso voltar à essência e vos apresento a mesma!

Garanto que 90% dos que lerem este artigo, sequer têm conhecimento da existência deste documento que cito com constância.

Pior é que este documento é que foi pioneiro de toda a liturgia que celebramos hoje, e muitos "carismáticos" sequer ouviram falar dele! Se dizem, muitas vezes, tão espirituais e cheios de "fogo", que queimaram toda a capacidade de conhecer verdadeiramente a Igreja em sua essência e suas diretrizes para se viver bem a espiritualidade católica em sua essência! Vivem uma suposta espiritualidade cheia de suposições e iluminações particulares e ainda se justificam dizendo que "Deus assim revelou e mostrou..."

Negar que Deus assim o faz? Negativo.

Mas entender no Espírito quem é o Deus que me revela e o que revela aos seus íntimos.

* E a música? Ficaria de fora deste artigo? Não, claro que não. O n° 112 do documento diz: "A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à acção litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como factor de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas. A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas."

A Igreja não rejeita os artistas. A Igreja não rejeita as artes! Pelo contrário, dá espaço a estes e a estas com um direcionamento claro. A música que se toca na liturgia, não é para espetáculo, cansa-se de falar isso em diversas formações que tive a graça de estar. por isso vejo algumas bandas e ministérios sem muita mídia, mas com zelo! Vejo tantos ministérios talentosos, cheios de possibilidades diante do caminho que trilham, mas se perdem na estrela que brilha diante de seus olhos ao perderem o rumo de sua primeira missão que é CANTAR A MISSA e não CANTAR NA MISSA. Por isso que o Sagrado acaba se perdendo no coração e na fé dos fiéis.

Em muitos lugares já não se preserva o silêncio e nisso, os ministérios e bandas, deveriam ser os protagonistas de tal exemplo com zelo filial à essência litúrgica que a Igreja tanto recomenda e zela.
Querem mais? Eis:

"Os textos destinados ao canto sacro devem estar de acordo com a doutrina católica e inspirar-se sobretudo na Sagrada Escritura e nas fontes litúrgicas."

Isto está no §121 do referido documento. É necessário argumentação?

Cito ainda alguns trechos de documentos da CNBB a esse respeito:

- Continua-se cantando “na” liturgia qualquer música religiosa, catequética ou de mensagem, em vez de cantar “a” liturgia. Este mesmo erro ocorre também quando alguns movimentos ou grupos propõem músicas que não estão de acordo com a ação ritual e os tempos litúrgicos. (Est. da CNBB 79, n°27)

Celebrações promovidas por movimentos religiosos, congregando frequentemente grande número de participantes, aqui e acolá, com ampla divulgação da mídia, pouco levam em conta os textos litúrgicos, substituindo-os facilmente por letras de grande pobreza existencial, poética e teológica. (CNBB 79, n°43)

Há dias atrás eu postei numa rede social a seguinte frase: CANTO E REZO AQUILO QUE CREIO.
Irmãos, é bem isso. E a Igreja nos pede esse zelo para com o que cantamos e levamos o povo a cantar.

Algo contra alguém ou algo? Não.

Apenas coerência com o que professo em cada atualização do mistério da nossa salvação e que creio piamente ser verdade. "Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna..." É o que professo, é o que creio e que faço questão de cantar. 

Quem faz outra opção, só merece meu respeito, apenas isso.

Quase ao final do documento, um apelo:

Sacrosanctum Concilium
§ 128 - "...Corrijam-se ou desapareçam as normas que parecem menos de acordo com a reforma da Liturgia; mantenham-se e introduzam-se as que forem julgadas aptas a promovê-la."

Ou seja: SALVEM A LITURGIA!

Resgatem seu verdadeiro sentido!

Testemunhem que ela é o centro de tudo o que fazemos na Igreja!

Zelemos pelo Santo Sacrifício da Missa!!!! 

Voltemos às origens com tudo o que hoje podemos usufruir nela sem perder seu real sentido e essência!

Temos uma origem a ser buscada, seguida e atualizada a cada momento dentro de cada liturgia dos sacramentos e a cada Santa Missa que celebramos!

Voltemos à essência!

Como já disse num dos artigos do blog: VOLTEMOS AO ZELO DO QUE É SAGRADO!

E no nosso caso presente deste artigo: SALVEM A LITURGIA!

Salvem-na dos abusos! Salvem-na Dos relaxos! Salvem-na Da Indiferença religiosa! Salvem-na dos erros!

Ser Igreja significa aderir ao que ela ensina e obedecer tais ensinamentos para sugar deles a essência da graça reservada para nós!

Paz e fogo

Seu servo em Cristo, Antonio Lucio

Obs.: Sugiro aos irmãos a leitura integral e bem detalhada do referido documento: Sacrosanctum Concilium

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

"SE VIVEMOS PELO ESPÍRITO, ANDEMOS DE ACORDO COM O ESPÍRITO" (GL 5,25).

Paz e fogo, irmãos!
No ano de 2015 a RCC recebeu um direcionamento FABULOSO!
Entramos no foco da maturidade da RCC que seria trabalhada a partir daquele ano.
Depois de tantas pessoas conquistadas por Deus através do movimento, chegou a hora de crescer, alcançar a maturidade e estatura de Cristo.
Durante o ano de 2014 estivemos trabalhando a unidade. 
Eu dizia que este é um RHEMA que, se vivido, daria muitos frutos. 
É o que está acontecendo em muitos lugares por onde tive a graça de passar, outros lugares, porém,  não entenderam até hoje (!) a proposta do movimento em suas instâncias de discernimento.
Não entenderam que, trabalhando tais temáticas em nossos grupos de oração com o TESTEMUNHO, as pessoas são "seduzidas" por Deus e passam de uma vida sem Deus a uma experiência profunda com Ele e começam a viver a cultura de Pentecostes, sinalizando que Deus está passando por ali, por aquela vida.
A carta de São Paulo aos Gálatas nos fornece um grande roteiro de vivência da cultura de Pentecostes, desembocando numa vida de testemunho a partir de uma experiência de Jesus ressuscitado mediante o Batismo no Espírito Santo!
Nos capítulo 1 e 2 Paulo revela sua experiência de antes, durante e depois!
O que era antes: Gálatas 1, 11-14
O que ocorreu na experiência: Gálatas 1, 15-16
O que vem depois: o testemunho: Gálatas, 17 até 2, 14
Uma comunidade por onde Paulo passou 3 vezes, segundo os Atos dos Apóstolos - Cap. 13,13-14/16, 1-5 e 18, 23.
Sinal de que era uma comunidade necessitada demais de um pastoreio intenso, devido às inconstâncias (Gal. 3, 1-5).
Passando pela promessa no capítulo 3, que se cumpriu aos que crêem - v. 22 - somos instruídos a uma doutrina de liberdade espiritual, de saída da escravidão pecaminosa à liberdade de filhos de Deus chegando ao capítulo 5, onde essa liberdade é explicada e nos dá sinais de como é essa tal LIBERDADE ESPIRITUAL.
Tudo se resume no versículo 1: "Para ser livres, Cristo nos libertou: Mantende-vos, pois, firmes, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão." (tradução Bíblia O Peregrino)
Cristo nos libertou para sermos livres e como isso? Mantendo-nos firmes.
Portanto, o dever de firmeza, a atitude de firmeza vem de nós! Deus já fez a parte Dele, acendendo a chama do Espírito Santo mediante a experiência do Batismo no Espírito.
É o que o movimento trabalhou em 2012/2013! Experimentamos o fogo e ateamos fogo através da unidade! Que maravilha!!!!!
Chegou a hora de manter o fogo aceso de amadurecer na experiência deste fogo - que não é de palha, mas precisou da palha para pegar - e mantê-lo aceso, alimentando-o com os projetos do movimento, que aliás, nos oferece diversos direcionamentos nesse sentido e só não segue, só não vive quem não quer, pois o movimento oferece as formações para que quem as fazem as coloquem em prática! Não colocando em prática, nada acontece!
Tive a graça deste ano ajudar na equipe de formação do ministério de formação da Região Episcopal Belém da Arquidiocese de São Paulo e percebi o quanto os grupos de Oração pagam um preço injusto quando não se estruturam em suas equipes bem formadas e maduras no movimento, servos que entendem a proposta do movimento, que não enfia os pés pelas mãos dentro de um espiritualismo que não traduz a verdadeira vocação do movimento! 
E eu devo dizer algo:
"A RCC É MISSIONÁRIA POR NATUREZA!!!"
Nasceu nos EUA num MOVER DO ESPÍRITO SANTO, chegando ao Brasil! Já chegou no mundo todo!!! 
Isso é ser missionário: Nasce num ponto específico e se multiplica por ação divina, apoiado e aprovado pela Igreja!
Portanto se fôssemos "filhos bastardos" da Igreja, não teríamos um escritório bem ao lado do Papa, no Vaticano, hoje um corpo responsável na Igreja por todas as expressões carismáticas nela - onde a RCC está inclusa - chamada CHARIS.
Portanto, a RCC está lá do lado do Papa Francisco para ser observada, pastoreada, mas acima disso, estar em unidade com a Igreja, pois não seríamos um movimento sem a Igreja e nela inserido!
Com esta possibilidade de manter a chama acesa - pois mantém acesa a chama quem quer - Deus, através da RCC nos dá uma diretriz: 
"SE VIVEMOS PELO ESPÍRITO, ANDEMOS DE ACORDO COM O ESPÍRITO" (GL 5,25).
As palavras da RCC no portal da mesma para este RHEMA:
"Toda a temática será empenhada em incentivar nos carismáticos de todo o país a um verdadeiro retorno ao primeiro amor, que gere conversão, em vista de se alcançar uma maturidade eclesial e espiritual, que alcance cada Grupo de Oração do Brasil. Um importante fruto da ação do Espírito Santo é a comunhão fraterna. Nesse sentido a RCC BRASIL continuará refletindo e reconstruindo a unidade do Movimento. A moção também segue os direcionamentos do ICCRS (Serviços para a Renovação Carismática Católica Internacional) em preparação à grande celebração do Jubileu de Ouro da RCC, em 2017, conforme a segunda etapa do projeto."
UM VERDADEIRO RETORNO AO PRIMEIRO AMOR: Irmãos, não concordo quando as pessoas me dizem que estamos perdendo fiéis. Mas penso que, fiéis, são aqueles que permanecem, perseveram, acreditam, CREEM! Um verdadeiro retorno ao primeiro amor se dá exatamente quando esse retorno não abre possibilidades de passos de recuo!
Quando se apaixona realmente por Jesus Cristo e se tem uma experiência real de Jesus!
Retornar ao primeiro amor é se deixar envolver de forma total! Sem reservas!
Experimentar o sagrado com o devido valor que Ele tem! 
Tudo hoje - no coração das pessoas em sua grande parte - , dentro e fora da Igreja, têm sido superficial, sem essência,  tudo acabou sendo relativizado, nada tem profundidade, desde a religiosidade até os relacionamentos... Tudo sem profundidade e, muitas vezes, sem verdade... Isso dói na alma das pessoas que sofrem isso, e de nós, os pregadores e servos de Deus.
GERE CONVERSÃO: Esta é, senão a mais importante, a mais urgente consciência do "para quê" a RCC veio. Sempre defendi que muitos, dentro até da RCC, têm dado "trombadas" em Jesus e acham que O conhecem. 
Quando damos uma "trombada" em alguém, nem sempre conhecemos com quem damos tal trombada (quase nunca!). 
Quando conhecemos, há até um diálogo, ainda que minúsculo, devido à correria diária, meio que à contragosto, mas há um "quase diálogo". Mas quando não conhecemos, dependendo da qualidade do cidadão(ã), há um pedido de desculpas, talvez até uma conversa informal, mas geralmente, em 90% dos casos, damos uma olhada feia, quase engolindo a pessoa e vice versa... 
Fazemos o mesmo quando damos trombada em Jesus: Até tentamos um diálogo informal, com uma espiritualidade light, sem radicalidade, sem essência, e, por isso, no primeiro obstáculo, na primeira prova, "estouramos" e paramos, ou voltamos atrás, esquecemos que DISSEMOS UM DIA QUE QUERÍAMOS VIVER A PALAVRA, mas deixamos escapar a chance de fazê-lo- uma vez... (Eclesiástico 2, 1-6) 
Precisa gerar conversão toda a experiência com Jesus.
ALCANÇAR UMA MATURIDADE ECLESIAL E ESPIRITUAL: Isso é uma urgência! 
Papa Francisco, quando esteve no Brasil na JMJ, em seu primeiro discurso aos Bispos e Padres, disse que era preciso de uma conversão pastoral urgente!
Esta conversão pastoral, implica em fazer com amor e consciência do que e para quem se faz! Fazer com paixão, sabendo que é para Deus, o amor maior! 
Não é para homens, ainda que os favoreçam, mas é para a face de Deus impressa na imagem e semelhança desse Deus que nos criou! 
É preciso começar a experimentar para fazer e não fazer para experimentar como tem sido feito em vários lugares! 
É tanta reunião - que são realmente necessárias, mas que tragam solução e não mais confusão - que não se tem tempo para experimentar. 
É tanta anotação e compromisso de reunião pra lá e para cá que se perde até o sentido de se entrar numa Igreja para uma reunião e nem cumprimentar Jesus, acaba cumprimentando! 
Isso quando não se está numa reunião destas, e se fala de tudo, menos da solução do problema. Pelo contrário! Através de um problema a ser resolvido se criam mais uns dois ou três adjacentes, pois vira polêmica, vira combate oral, tribunal de acusações, lavagem de roupa suja... 
Quem é recém chegado nem quer saber de se comprometer com o serviço, pois percebem que o serviço, muitas vezes é um ringue espiritual onde se nocauteia o bom senso e a imagem do outro, com críticas que não se tornam ações solucionadoras de questões que, realmente precisam ser discutidas, mas com o bom senso e catolicidade que nos levaram até ali, naquele local e naquela reunião! 
Será que estou em outro planeta ao pensar e enxergar assim certas coisas no âmbito eclesial? A maturidade eclesial e espiritual nasce de uma chama acesa, que alguém acende, e esse alguém é o Espírito Santo que, depois de acender, nos faz crescer nesta chama, mantendo-a acesa com práticas, atitudes expressas de uma experiência que não foi ilusória, mas real! Nos traz profundidade do que experimentamos e não somente a periferia de uma suposta experiência!
QUE ALCANCE CADA GRUPO DE ORAÇÃO DO BRASIL: Tudo isso, precisa ser colocado em prática no GRUPO DE ORAÇÃO! Não tem acordo! 
Verifico, irmãos, cada dia mais as pessoas darem a desculpa de "DEUS QUER QUALIDADE E NÃO QUANTIDADE", e vejo grupos fecharem suas portas (principalmente após a "fraudemia"), vejo lideranças desesperadas para saber o que fazer para manter o grupo em pé, vejo servos com o rosto trazendo uma fisionomia de derrota, de fracasso, como se não tivessem mais ação para nada...E não têm mesmo. Essa força vem do alto e não de baixo! (CF. Atos 1, 8)
Se já houve a experiência, então sabemos onde se busca tal força e criatividade, mas acima de tudo, TESTEMUNHO! 

Tudo o que recebemos de Deus, precisa virar VIDA... 

Ação transformadora de Deus em nós, multiplicando-se nos outros através de nosso testemunho! 

Irmãos! Para alcançar os grupos de oração precisa levar a eles o que aprendemos nas formações, mas quem não faz formação não tem o que levar!!!

As apostilas do módulo básico são fantásticas em sua praticidade e só não se torna santo quem não quer! 

Exercer o que se recebe na formação no grupo onde se tem a raiz, é sinal de maturidade alcançada e desejo e amor pelas almas! 

Me incomoda ver grupos esvaziando... 

Me alegra ver grupos crescendo em qualidade e também em quantidade, pois onde tem qualidade, tem quantidade!!! É a lógica irmãos...
Se vivemos pelo Espírito, andemos de acordo com o Espírito!
Uma condicional para quem quer caminhar!
Uma condicional para quem quer amadurecer e manter a chama acesa e não para quem quer manter a chama "meia boca"! O Espírito não é meia boca! É inteiro!
Deus não sabe dar pouco. Só sabe dar tudo!
É uma lógica divina: Se temos e experimentamos a força e a potência deste Espírito Santo, então, se somos seduzidos e apaixonados por Ele, iremos querer andar em Sua presença, iremos querer depender Dele! Andemos DE ACORDO com este Espírito!
Atitudes do Espírito Santo agindo em nós!
Palavras do Espírito Santo agindo em nós!
Obediência gerada pelo Espírito Santo agindo nós!
Maturidade espiritual gerada pelo Espírito agindo em nós!
Tudo o que Deus faz, faz na nossa natureza, conta com nossa cooperação, pois sem nosso consentimento, sem nosso passo na direção de Deus, Deus não pode realizar muito na nossa natureza, já que Ele age nela e mediante a liberdade que damos a Deus nela!
Se VIVEMOS pelo Espírito, andemos de acordo, e não em desacordo com este Espírito...
Assim se encerra o discurso de como se testemunha. Com esta condicional que nos guiará neste 2015, onde várias promessas precisam se cumprir na vida dos que crêem! Quem não crê, nada vai observar e não adianta ficar insistindo com alguém quando já se tem uma opinião e posição formada sem uma abertura para a mudança.
Quem abraça um movimento, se move com ele dentro da Igreja, então sigamos a moção, pois os primeiros beneficiados seremos nós ao vivermos segundo e de acordo com o Espírito Santo...
Jesus, tu que és o batizador, batiza-nos de novo com este Espírito Santo, envolve-nos com este amor derramado em nossos corações!
Atualiza a graça da efusão do Espírito Santo em nós! Sopra de novo como fizeste aos apóstolos e nos ensine a não voltarmos atrás e nem cairmos em descrédito, mas investirmos nesta experiência do Cenáculo e não voltarmos atrás diante da graça recebida como aconteceu com os apóstolos e com os santos!
Queremos andar e viver segundo o Espírito Santo!
Bendita RCC! Sejamos Igreja! Façamos o movimento conforme o sinal da CABEÇA que é Cristo e Seu corpo místico age 
conforme a cabeça e não sem Ela... 

O movimento é sinalizado pela cabeça que faz agir os membros...
Assim funciona o corpo.
Paz e fogo!
Seu Servo em Cristo: Antonio Lucio de Oliveira

terça-feira, 10 de setembro de 2024

"NÃO SE CHEGA AO CÉU SEM CICATRIZES" - Arlene Domingues - In memorian

Há anos atrás, Deus me deu a graça de "apadrinhar" grupo de oração jovem que traz um nome provocante...

Um nome que nos faz pensar em mil coisas que traduz a função de tal nome: RUMO AO CÉU (Que hoje, se chama DEUS CONOSCO RUMO AO CÉU). Um grupo de oração jovem que nasceu de um grande sonho de Deus.

A fundadora de uma comunidade católica de vida e Aliança,
Irmãos de Assis, a saudosa Arlene Domingues, pronunciou uma frase, onde Deus me provocou e inspirou este artigo...

"NÃO SE CHEGA AO CÉU SEM CICATRIZES".

Esta frase me inquietou muito até este momento e decidi colocar na escrita o que Deus fez explodir em meu coração...

Fui orar e refletir esta frase até hoje... Olhem bem que eu escutei esta frase no sábado à noite!

Deus me remeteu à passagem de Gálatas 6, 17b, onde São Paulo diz: "... Pois eu trago no meu corpo as marcas de Jesus."

Então eu entendi o porque destas palavras mexerem tanto com minha alma!

Irmãos, quando começamos a contemplar as chagas de Cristo entendemos uma parte muito pequena, e ao mesmo tempo, intensas de seu infinito amor por nós...

Então, numa pregação que ouvi há muito tempo de um sacerdote de nossos tempos, não me recordo quem exatamente, dizia na pregação que Cristo estava sempre diante do Pai apresentando-nos a Ele, mostrando as suas chagas de amor Dele por nós.

Estas foram as marcas de Cristo que Paulo dizia trazer? Não se sabe...

Mas muitas vezes, a verdade é que nos parecemos muito com o Cristo crucificado com diversas marcas no corpo e na alma, marcas profundas, verdadeiras feridas que trazemos em nós, muitas, é verdade, sinalizam as machucaduras que fizemos na nossa alma pelos pecados cometidos e outras, de sofrimento pelo Evangelho do Reino quando começamos a caminhar com Jesus e Sua Igreja.

Irmãos! Não tem quem não carregue estas feridas!

Feridas das calúnias, das perseguições, dos desprezos, indiferenças, ofensas, condenações, incompreensões e por aí vai...

Feridas de prostituições, mentiras, desamores, desequilíbrios na afetividade e na sexualidade, dos abortos, da falta de caridade, das ofensas a Cristo, enfim, as machucaduras na nossa alma pelos pecados que cometemos, são inúmeras e ferem a mesma, fazendo-nos sensíveis ao extremos e depois que superamos estas feridas, Deus começa a fechá-las. Mas, como uma ferida no corpo, sabemos que ao ser tratada, dependendo do tamanho ou profundidade da mesma, ficam as cicatrizes destas feridas, fechadas, que servem de sinais de que um dia, aquele determinado local foi ferido, ofendido, aberto por acidente ou não.

Se e assim com nosso corpo... Imagine a nossa alma com as feridas que abrimos nela?

Nosso corpo é sensível, mas nossa alma, criada para a eternidade, é mais sensível ainda, irmãos!

Quando passamos por um momento de cura interior, percebemos o quanto dói, pois Deus começa a curar nosso interior, em nossas emoções, nos nossos pesadelos adormecidos que ficam no nosso inconsciente, que temos medo, pavor de mexer neles, pois sabemos a dor que nos causará.

Sabemos, irmãos, que muitas destas feridas são inconscientes e nem sabemos que elas existem, mas Deus quando mexe nelas, sabe como fazer e aí, deixa sangrar, doer, desinfetando a ferida aberta com Seu amor, e vai fazendo a sutura com o Espírito Santo... E com o tempo, percebemos que a ferida se tornou testemunho da ação de Deus para conosco! É a cicatriz!

Irmãos, estas cicatrizes nos fazem chegar ao colo de Deus, aos seus cuidados.

Trazemos no nosso corpo as marcas do Cristo também nestas feridas e, por isso, chegaremos na glória com as cicatrizes destas feridas suturadas e curadas, pois não teremos de nos lembrar mais delas! Que alegria, amados(as)!

Mesmo com as cicatrizes, podemos contemplar a glória de Deus!

Existem as cicatrizes também das machucaduras que o anúncio do Reino e nosso testemunho de fidelidade causam também nesta mesma alma.

E aqui, quero manifestar a minha indignação com a covardia de muitos em não querer testemunhar até o sangue a glória de Deus!

Trazem, muitas vezes as marcas de um cristianismo light, sem luta, sem cruz, evitando-se o sofrimento, o "carregar a cruz de cada dia" que Jesus nos orientou a fazer!

Lembro-me que, quando me voltei para Jesus, o primeiro a deixar claro que eu poderia estar sendo um fanático foi meu pai! E hoje é meu maior apoiador!

O testemunho diante de meu pai teve seu preço de muitas vezes deixá-lo sozinho no dia dos pais para pregar, estar no grupo de oração, muitas vezes ver minha casa "pegando fogo" de discussões e desentendimentos e ir em missão, dando a impressão de displicência ou mesmo indiferença com a família e depois de chegar da missão, tudo estava resolvido!

Quantas vezes não tive de deixar um de meus filhos doente em casa para estar a serviço de Jesus e quando chegava tudo estava resolvido... Levei nome de relapso, de relaxado, de mentiroso, de servo sem testemunho... E hoje percebo estas cicatrizes em mim que tanto me amadureceram para contemplar a glória de Deus!

Quando assumi uma região episcopal da Arquidiocese de São Paulo no ministério de pregação há anos atrás, a primeira frase que minha esposa pronunciou ao meu ministério foi: "Agora esquece do Lucio em casa!".

Hoje também, me apóia no meu ministério!

Muitas vezes, me questionei a respeito da minha missionariedade por causa de muitas pessoas chegarem em mim dizendo que minha casa poderia estar com problemas por causa de estar sempre pregando, ou mesmo, de viver somente da missão, muitos me julgaram como mentiroso, vagabundo, preguiçoso, que vive às custas da esposa... Mal sabem que o que sustenta muitas vezes minha casa é exatamente meu ministério!

Foi assim que cheguei a muitos lugares onde ninguém quis ir, ninguém assumiu!

Quando assumi o ministério de pregação em outra região episcopal na mesma Arquidiocese, muitas pessoas não aceitaram minha forma de trabalhar, acusando meu ministério de agressivo, sem caridade... Chegamos no segundo "mandato", por escolha divina para estar à frente do mesmo ministério, na mesma região para continuar o trabalho, para a glória de Deus! Mas isso não fiz sem cicatrizes e feridas que - muitas vezes - ainda percebo estarem abertas e Deus vem para cicatrizá-las, quando recebo um testemunho de profecias que Deus me concedeu num momento e se concretizaram, para mostrar que estou no caminho certo... Quando recebo apoio de minha família, principalmente de meus filhos que dizem ser esta a minha missão e rezam para que eu tenha forças para continuar!

Então, quando escuto uma frase destas, que não se chega ao céu sem cicatrizes, percebo que ainda me faltam muitas cicatrizes para apresentar a Jesus, para que a cruz de Cristo não seja anulada por causa de minhas fraquezas, mas que o próprio Cristo, ressuscitado me faça subir no lado de trás da Cruz para trazer estas cicatrizes e testemunhar que o Reino dos Céus vale a pena ser buscado, ser tratado muitas vezes com injustiças, receber mentiras em troca de uma pregação, quando te caluniam... Vale a pena ser mal recebido num lugar onde sabem que a verdade será dita, doa a quem doer, pois Jesus é o Senhor!

Vale a pena irmãos receber chicotadas de descrença das pessoas por causa do nome de Jesus!

Vale a pena levar punhaladas nas costas das pessoas que menos esperamos por causa do Reino de Deus!

Vale a pena receber o prêmio da incompreensão familiar para que o próprio Cristo os traga para a Sua divina presença pelo testemunho de fidelidade a Cristo antes de dar à família o que ela precisa!

Vale a pena receber o troco do pouco caso quando rejeitam as verdades que pregamos em encontros ou mesmo por causa de denúncias de erros com profetismo e unção para arrancar essas almas do erro... E se dirigirem a Cristo, serem acolhidas e curadas e salvas por Ele!

Vale a pena deixar Deus fazer a sutura destas feridas, irmãos! Pois são as cicatrizes que ficam que nos levam ao céu!

É com lágrimas de alegria e testemunho, lembrando de cada ferida que recebi neste corpo pelo pecado e na alma pelo testemunho que encerro este artigo dizendo que não se CHEGA AO CÉU SEM CICATRIZES!

Estas cicatrizes são nosso sinal de amor de Deus por nós e testemunho de nossa fidelidade a Ele!

Estas cicatrizes mostram a glória de Deus em nós! 
Mostra que é possível e maravilhoso ser de Deus!

Lembro-me de cada situação constrangedora que as pessoas me fizeram passar, cada vez que senti medo do que Deus me propunha... Lembro-me de cada pessoa que me caluniou... Que denegriu minha imagem de filho de Deus com fofocas, incompreensões, palavras pelas costas... E ainda hoje, essas coisas acontecem!

Lembro-me de cada uma destas situações com muito amor e gratidão a Deus por não me deixar voltar atrás e permanecer firme, confiando que Ele iria agir e me trazer até aqui... Pois creio piamente que deus estava suturando cada ferida aberta com Seu amor e Misericórdia, com sua unção e fidelidade, pois a escolha foi Dele e a fortaleza vem Dele também, capaz de fazer destas cicatrizes o sinal visível desse amor infinito e incansável que não se deixa vencer pelas nossas desistências, medos ou feridas... Mas cura-as todas na medida em que deixamos Ele fazer isso!

Te amo, Jesus! Te amo Mãe Santíssima que me leva a Jesus sempre e me ensina a confiar Nele cegamente!

Te amo, ó Santa e amada Igreja de Deus que me revela segredos de salvação e me traz Jesus Eucarístico para ser adorado e comungado por mim, inútil servo, e me faz experimentar as misericórdias de Deus através do Sacramento da Reconciliação a cada vez que ali caio de joelhos e ame acuso para sair dali absolvido e fortalecido para deixar-me suturar por este amor invencível, imbatível... Deixando cicatrizes de amor em minha alma como testemunho diante dos homens....

Paz e fogo! Antonio Lucio de Oliveira, seu servo e irmão em Cristo Jesus

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

AUTENTICIDADE PROFÉTICA

Irmãos, paz e fogo.

Demorei muito escrevendo este artigo, pensando, observando, refletindo, orando e discernindo o que realmente seria necessário neste tempo atual num artigo que possa dar conteúdo e respaldo a
pregadores/profetas.

Semanas atrás, a palavra autenticidade ganhou força quando o governo federal havia liberado o aborto no SUS com suas respectivas motivações (justas?).

A palavra profética me veio há poucos dias.

Ganhou força também diante de vários testemunhos, reclamações, relatos de pessoas que viveram experiências - aterradoras se olharmos a olho nu - com contra testemunhos de pessoas ligadas à Igreja nas mais diversas áreas.

Confesso, irmãos, estar muito preocupado com o futuro de muitos que iniciaram seu caminhar há pouco tempo na Igreja e se miram em algumas pessoas como referência. Pois o que mais vejo, constato e tenho observado há tempos, é uma religiosidade completamente relativizada em 90% de práticas das mais diversas em todos os aspectos! 

Papa Francisco pede conversão pastoral na JMJ, autenticidade e missionariedade ativa na Igreja!

Pergunto, irmãos: Isso está sendo realmente a meta dos católicos?

São poucos os que tenho percebido imbuídos de tal espírito e compromisso.

Não quero criar polêmica alguma, mas exercer a dimensão profética que meu Batismo sacramental me confere!

E vejam! Pessoas com o dever cristão de serem testemunhas diante dos fiéis (cf. Atos 1, 8), pregam com 
um autoritarismo medonho, onde fardos são colocados nas costas do povo, já não muito instruído na fé, que percebe os "servos", pessoas da linha de frente sendo indiferentes muitas vezes com assuntos delicados, polêmicos, mas que não se colocam numa postura católica, que bate de frente na maioria das vezes, com o pensamento secular, que promove, mortes em alta escala, violência ilimitada em todas as áreas da sociedade, um sensualismo erotizado e pornocênico multiplicado e não combatido com a desculpa de que os tempos mudaram... Sem contar a desvalorização da família, queda de valores morais essenciais para se manter uma estrutura familiar salutar e fecunda, através da mídia, através de conformismos, onde o melhor é manter a "política da boa vizinhança", onde você tem de preservar sua imagem com um silêncio gritante de gente covarde que sabe que existe um erro, sabe que existe um fator contrário à fé professada, mas é preferível viver um "respeito" que não converte!

Perdoem-me, irmãos. INACEITÁVEL!

Inicio aqui com a Copa do Mundo de 2014.

Um país onde uma mãe sai às 4:00 da manhã de casa com um filho de 4 anos de casa, passa por 2 unidades do AMA, 2 Prontos-socorros e nenhum desses lugares que, segundo reza a constituição, deveriam dar uma saúde digna, um atendimento digno e socorro digno aos doentes que procuram tais serviços, e nenhum deles... Pasmem! Nenhum deles tinha um pediatra! Previsão de atendimento num deles: 14: horas...

Escolas onde as crianças são ensinadas com desenhos, informações limitadas que deixam um baita ponto de interrogação na cabeça dos alunos ao invés de ensinar e esclarecer, onde os alunos chegam na escola, levadas pelos responsáveis e, muitas vezes, lá, mostram que não estão preparadas sequer para viver entre outras crianças, pois o grau de desrespeito, falta de educação - que seria de praxe, responsabilidade dos pais - pensam que podem fazer o que bem entendem como se estivessem em suas casas e se achassem no direito de bater em quem quiser por motivo nenhum, faltar com o respeito com professores, que muitas vezes, acabam ficando de mãos atadas diante da incoerente missão de educar filhos dos outros e não exercem seu papel, muitas vezes até ameaçados de violência por aqueles que estão lá para aprender com eles!

Muitas vezes, os professores são DESPREPARADOS! 

Chegam a ser mais infantis que os próprios alunos, dando muitas vezes responsabilidades que o aluno não tem ainda capacidade de exercer! 

Um exemplo? Administrar dinheiro de grêmio escolar, visto que os adolescentes e pré-adolescentes, nem sempre tem estrutura ou responsabilidade suficiente para administrar dinheiro de outas pessoas! Estão em fase de formação e isso deve ser acompanhado e não simplesmente lançado como se lança uma bola de baseball e seja o que Deus quiser... Aí acontece um problema, onde o aluno "responsável" é cobrado por diferenças, falta de dinheiro em caixa... Só para citar algumas das encrencas! E quem discorda, cuidado! Eu vivi esta situação em MINHA CASA COM UM DE MEUS FILHOS! Portanto, tenho conhecimento de causa!

Um país assim, cisma, por "a" mais "b" em fazer uma copa do mundo, sem sequer ter estrutura em algum estádio, gasta fortunas com tais estádios e deixam de investir no mínimo de dignidade de sua população.

A Copa em si é ruim? Claro que não, irmãos! Turistas aumentarão a renda do país, nossa cultura em
destaque... Não é ruim em seu primeiro intuito: O esporte. Mas é preciso ter consciência que o povo não alcança a saúde num estádio! Não tem melhorias no transporte com taça de mundial!
Não tem uma educação digna cobrando laterais ou tiros de meta!
E me perdoem, irmãos, cadê os católicos nessas horas para fazer as coisas da maneira correta?

Estão sentados em suas casas vendo pela TV os noticiários que relatam as bandalheiras, as bagunças de vândalos que dizem manifestar sua liberdade de se opor ao governo ou à situação "a", "b" ou "c", quebrando patrimônios públicos, queimando transportes, tirando o direito de ir e vir do cidadão, ou ainda, irmãos - pasmem! - dizendo que isso é normal!!!

Normal??? Onde???

Apoiando!!! O que é pior, muitos, são cristãos e muitos ainda: católicos!

Onde está a autenticidade profética recebida junto com a unção profética do batismo?

Pois muitos desses católicos, ficam dizendo em suas casas de forma conveniente e acomodada: "Fazer o que, né? O mundo está assim mesmo e não vai melhorar... Precisamos ser realistas..."
A unção dos santos, a unção profética ficou lá na pia batismal ou no churrasco, almoço, festa do batizado... Não foi carregada na vida... Não foi permitido o Espírito Santo manifestar tal unção!
Infelizmente, irmãos, somos um povo que acredita muito fácil em promessa furada, que não sabe votar e mostrar seu poder de cristão nas urnas, e pior! Unem-se a partidos abortistas, anticristãos e antiéticos, não levando em conta as palavras da Igreja ao recomendar o "não-voto" a esses que vão contra a vida e os valores cristãos.

Degradação de famílias nas novelas da "rede esgoto de televisão" e um monte de católicos, inclusive que são servos dos grupos de oração que levam esses venenos para dentro de suas casas e depois reclamam de que a vida e Deus não as favorecem, não as escutam... Como Deus vai escutar um povo ingrato desse?

"Com vossas palavras cansais o Senhor. Objetais: Por que O cansamos? - Porque dizeis que quem age mal agrada ao Senhor; que ele se compraz com tais homens. E também: Onde está o Deus justo?" (Malaquias 2, 17)

"Ai da cidade rebelde, manchada e opressora! Não obedeceu nem se corrigiu, não confiava no Senhor nem acorria a seu Deus; nela seus príncipes eram leões rugindo; sem comer desde o amanhecer; seus profetas, uns fanfarrões, homens desleais; seus sacerdotes profanavam o sagrado, violentavam a lei.
Nela está o Senhor, justo, que não comete injustiça; cada manhã dá sem falta a sentença à aurora; mas o criminoso não reconhece sua culpa.
Aniquilei nações, arrasei suas ameias, enchi de escombros suas ruas para que ninguém transitasse, arrasei suas cidades para que ninguém as habitasse, pensando: " Talvez se corrija e me tema, e não pereça sua morada quando eu lhe pedir contas"; mas eles madrugavam para perverter suas ações.
Pois esperem - oráculo do Senhor - que eu me levante para acusar, porque eu costumo reunir os povos, juntar os reis, para derramar sobre eles meu furor, o incêndio de minha ira; no fogo do meu zelo se consumirá a terra inteira."
 (Sofonias 3, 1-8)

Alguma semelhança com nossos dias?

Tive a graça de Deus de andar por muitos lugares, irmãos onde a autenticidade cristã foi deixada de lado há tempos!

Fofocas, falsidade, mentiras, calúnias, conversas paralelas, fingimento de tudo quanto é tipo, indiferença religiosa, futrica a respeito de sacerdotes, contra testemunhos de tudo quanto é jeito e de uma grande parte de todas as áreas da Igreja...

Diante de tudo isso, graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo na força e ação do Espírito Santo que vem levantando alguns profetas com autenticidade no coração e na alma e esta autenticidade tem incomodado a muitos dentro da Igreja que tem perseguido a estes, restringido outros, fechando portas para outros tantos... Porque será?

Diz o ditado que "quem não deve, não teme".

Esta autenticidade precisa ser acesa em toda a Igreja!

Levantando profetas! E então esta autenticidade se torna profética, porque levanta os profetas para incomodarem, mostrarem um amor divino com verdade e não com adulação e passadas de mão na cabeça, encobrindo erros sérios, escândalos e outros tantos comportamentos que denigrem e machucam a Santa Igreja em sua essência, causando desconfiança e falta de credibilidade em muitos católicos e cristãos de todos os gêneros...

Deus tem nos amado tanto e e nos mostrado esse amor de diversas formas... Quanta ingratidão!

Que dor no seio da Igreja que acolhe a todos como mãe e mestra da verdade...

Quantas inverdades levantadas contra sacerdotes...

E ao invés dos católicos defenderem e saberem como acolher a informação, filtrar e esclarecer para depois tirar conclusões, não. Preferem acusar já sem misericórdia...

A Igreja abre as portas para receber a todos que se achegam a ela e esclarece os que estão de coração aberto para acolher as regras de sua casa.

Toda a casa tem sua regra e toda a mãe tem seu jeito de educar... A Igreja também tem.

Acolhe os pecadores, direciona-os para reeducarem-se e deixar os erros para acertarem...

Como diz a Palavra de Sofonias, "...cada manhã dá sem falta a sentença à aurora; mas o criminoso não reconhece sua culpa."

Todos preferem permanecer no erro, dando as mais absurdas justificativas ao invés de buscarem o caminho da conversão e da fidelidade.

É preciso que esta autenticidade profética comece a ter um alcance maior através de nosso testemunho. O testemunho daqueles que já experimentaram o poder de Deus e lutam para se manterem em pé, na graça de Deus e fazendo o testemunho potencializar a Palavra pregada, anunciada, muitas vezes com a própria vida, com o sofrimento de muitos que são perseguidos e incompreendidos, sem uma palavra, fazem uma pregação com a própria vida! Conheço muitos assim!

Muitos que estão conquistando almas para Jesus... Devolvendo-as a Deus!

Muitos estão saqueando os infernos, arrancando almas de lá para devolvê-las a Jesus Cristo!

Uma minoria sim, mas a vitória não depende do número, mas da força do seu Deus!

Deus escolheu fracos para confundir fortes, gente que não era nada para confundir os que se julgam o centro de tudo!!!!

Que o Espírito Santo se derrame sobre estas almas que leem estas simples e limitadas linhas em nome de Jesus, para a glória de Deus Pai e edificação da santa Igreja de Deus... Fazendo nascer no coração de quem nunca experimentou a intrepidez e a ousadia do Evangelho uma autenticidade profética, movida por uma força do alto chamada Espírito Santo que o próprio Jesus fez questão de lembrar que seria derramado (cf. Atos 1, 4-8).

Sobre aqueles que já experimentaram, mas esmoreceram no meio do caminho devido às mais diversas situações, ou mesmo porque um erro foi o suficiente para descreditar uma vida de acertos e hoje já se sentem sem forças para retomar o caminho... Sobre os que estão na luta, testemunhando e fazendo a diferença, sendo a diferença, são perseguidos, mas permanecem firmes na brecha, derrama também, Jesus, essa porção redobrada do Espírito Santo, fortalecendo os abatidos e recobrando as forças dos debilitados... Levantando os caídos que abriram a guarda no caminhar e acabaram perdendo a auto confiança em si mesmos... Sobre as famílias que desanimaram da fé...

Sobre os corações abatidos pelo esfriamento da fé... Enfim, Senhor, sobre toda a terra, sobre todos os fiéis que  se esforçam para viverem na graça e na fidelidade, pois Deus abençoa o esforço da busca (Fides et ratio - S. João Paulo II).

Faz nascer um exército novo, Senhor, poderoso, não com armas, mas com autenticidade profética que testemunhe a posse da armadura do cristão: Capacete de salvação contra toda a condenação; couraça de justiça contra toda a injustiça; cinturão da verdade contra toda a mentira; calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz contra toda a preguiça, todo o comodismo e conformismo; escudo da fé contra todos os dardos inflamados do demônio e falta de fé e a ESPADA DO ESPÍRITO SANTO QUE É A PALAVRA DE DEUS, CAPAZ DE CORTAR TODOS OS LAÇOS E CORRENTES QUE NOS PRENDIAM A QUALQUER ARTIMANHA E SEDUÇÃO DE SATANÁS... E sejamos cheios do Espírito Santo, transbordantes do Espírito Santo!!!!!

Paz e fogo.
Antonio Lucio

terça-feira, 3 de setembro de 2024

PROTAGONISMO JOVEM NA IGREJA

Amados, paz e fogo.

Me pediram para escrever um artigo sobre o protagonismo jovem dentro da Igreja.
Comecemos pelo significado da palavra protagonismo.

Protagonismo é:
1 - Desempenho do papel de protagonista
(de peça teatral, filme, série televisiva, livro,
etc.).

2 - Qualidade do que se destaca em
qualquer acontecimento, área ou situação (ex.: o atleta obteve um protagonismo
inesperado).


Portanto, irmãos, um papel principal dentro de um evento onde todos ou uma grande massa vêem e o mesmo se destaca pelo desempenho.

Com a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, a juventude brasileira ganhou um destaque que sempre teve dentro da Igreja, mas talvez, pouco divulgado de forma conveniente, ou mesmo, quando falado - convenhamos - muitas vezes com indiferença ou desconfiança, porém, a JMJ (prefiro abreviar, se me permitem) veio e deu um "BUM" no papel do jovem dentro da Igreja.

Disse Papa Francisco: "A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo e, por isso, nos impõe grandes desafios."

"De forma especial, queria que este mandato de Cristo -“Ide” - ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: «Ai de mim se eu não pregar o evangelho!» (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido!"

"A última palavra: para servir. No início do salmo proclamado, escutamos estas palavras: «Cantai ao Senhor Deus um canto novo» (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia, mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. E a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço. São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia: «Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível» (1 Cor 9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se «escravo de todos». Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus."

"Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de «extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar» (Jr 1,10). E assim é também para vocês."


Amados, quero informar que o chamado jovem dentro do serviço de Deus sempre foi algo muito presente.

Deus sempre gostou de chamar-nos enquanto jovens.

Basta olharmos para o chamado de Samuel, que, ainda jovem foi chamado no templo, nem conhecia a voz de Deus, pois era acostumado a ouvir somente o velho e cego Eli (Conf. I Samuel 3, 1-18).

Se olharmos o chamado de Davi, também perceberemos que ele foi chamado bem jovenzinho... (Conf. I Samuel 16, 1-13).

Analisemos o chamado de alguns santos da Igreja como São Domingos Sávio, São

Tarcísio, Santa Terezinha do Menino Jesus, Santa Maria Goretti, que deveriam ser exemplos para muitos jovens dentro da Igreja...

Mas, vejam bem, se tratamos de protagonismo jovem dentro da Igreja, significa que o jovem tem um papel principal dentro desta Igreja que, talvez, ainda não foi tomada a sério, ou quando assumida, é de forma relapsa, sem seriedade, sem compromisso, ou mesmo de qualquer jeito.

Não generalizo, pois tem muito jovem engajado seriamente dentro da Igreja que são exemplos para muitos adultos relapsos que se acham donos da Igreja, barram o serviço jovem e até com padres têm encrenca e discordância que geram um desconforto tal dentro de uma comunidade que acaba desestruturando todas as pastorais, quando não gera até um afastamento do sacerdote. Conheço comunidades onde isso aconteceu.
Ouvi uma música num encontro de jovens que dizia que o lugar da "molecada" é na Igreja.

Concordo com o teor desta canção. Lugar de jovem é dentro da Igreja.
O problema que este protagonismo jovem, esse lugar de destaque juvenil, esse desempenho de papel principal dentro da Igreja, nestes últimos tempos, tem encontrado uma barreira impressionante chamada "PAIS".

Pasmem! Os pais, muitas vezes acham ruim dos jovens serem engajados dentro de uma comunidade, por falta de costume, por achar desnecessário todo esse empenho, por achar exagero, e por aí você que está lendo estas linhas pode imaginar as mais diversas motivações que fazem de um pai ou uma mãe barrar uma vida comunitária de um de seus filhos, desmotivando, criticando, colocando empecilhos... Lamentável, mas um fato real.

Culpa dos pais? Talvez em parte, mas não de toda. Pois analisemos todos os ângulos da situação: Violência do bairro, criação dos pais, zelo pelo crescimento dos filhos, preocupação com o desenvolvimento... Enfim, vários fatores têm de serem levados em consideração, porém, nenhum destes motivos se justificaria se o testemunho destes jovens, protagonistas dentro desta Igreja existisse ou fosse incentivado pelos formadores, já seria o grande motivo dos pais serem convencidos de que o lugar dos jovens é na Igreja e não nas baladas!

Conheci mães que me disseram há que pagariam ingressos num show secular mas não apoiava a decisão de uma de suas filhas para experimentar a vida religiosa e discernir sua vocação.

Os pais, como educadores, deveriam apoiar, principalmente nestes tempos a vocação religiosa de seus filhos ao invés de criticarem a ausência de padres! Muitas vezes, permitirem e dar a oportunidade de conhecer, de tocar o carisma vocacional entes de esboçar decisões, mas conhecer o caminho que se trilha para, então, esboçar decisões vocacionais.

E a consequência: Os filhos não vêem tal exemplo, não são motivados a terem uma vida assim, de investimento vocacional, sendo condicionados a uma experiência isolada de encontros - que muitas vezes desvirtuam ainda mais a juventude! - onde Deus, por incrível que pareça, não consegue atingir, na maioria das vezes o coração deste jovem para uma vocação, uma vida intensa com Deus... Pelo contrário! Quer atrair o jovem com um monte de entretenimento! Piscina, jogo de futebol, "balada católica"... O sentido se perde, e com ele também a vontade de ter uma vida mais comprometida de protagonista e acaba sendo apenas um coadjuvante... Triste.

O mundo secular, inspirado por satanás, tem atrativos para essa juventude e faz dela uma marionete em suas mãos, tirando das mãos desta geração jovem o protagonismo e tornando um plano, talvez secundário, ou quem sabe, terciário de um jovem que deveria ter o desempenho principal, lembrando que todos vamos envelhecer um dia!
Quem deverá tomar partido naquilo que nossa idade não mais cooperar conosco no que diz respeito às atividades laicais na Igreja?

Quem assumirá as vocações que Deus tem "barradas" pelo descompromisso desde os pais até os filhos, transbordando nos netos e assim, a juventude se afasta cada vez mais do protagonismo para viver uma vida de coadjuvante, onde a indiferença, o relativismo, o secularismo, o sincretismo religioso, entram "com a sola do sapato" na vida da juventude, não são combatidas, mas muitas vezes, apoiadas, incentivadas, motivadas...

Aí, irmãos, o protagonismo jovem dentro da Igreja acaba sendo focado para fora dela!

Vemos a maioria dos crimes protagonizados pelos JOVENS!

Cada vez mais novos, cada vez mais violentos, cada vez mais incrédulos, cada vez mais inconsequentes, irresponsáveis, relapsos, desligados de si mesmos para serem "antenados", "descolados" neste mundo "moderno"...

Antenados no mundo! Seria bom isso se o "descolado" não fosse DESCOLADO DA IGREJA, DO SAGRADO!

Repito: NÃO SÃO TODOS OS JOVENS ASSIM!

Pois graças a Deus, tem surgido em alguns lugares remotos uma juventude forte, comprometida, focada no projeto de Deus! Glória a Deus!

Uma luz no fim do túnel!

Jovem, seu lugar é no protagonismo da nova história que Deus vem escrevendo na Igreja, não com inovações, mas com a renovação de nossas mentes sem a conformidade com o mundo em que vivemos (Conf. Romanos 12, 1-2)!

Chega de viver como coadjuvante! Chega de andar pelas ondas do conformismo para morrer na praia da insatisfação pessoal! Venha ser um jovem realizado enquanto jovem!

Chega de ser inconsequente, irresponsável ou mesmo achando que a vida é só prazer, é só o agora! Isso é papel de coadjuvante!

O protagonista é vencedor! I João 2, 13!

O protagonista é forte pela Palavra! I João 2, 14c

Chega de olhar um Michel Teló, um Luan Santana, um Gustavo Lima, uma Pêra, Melancia, como exemplos de protagonismo, visto que vivem como coadjuvantes no mundo da graça! (Guardados todo o devido respeito pelas pessoas citadas, pois são filhos de Deus da mesma forma)

Porque não olhar como exemplos aqueles que foram protagonistas da própria história, e com isso, se tornaram protagonistas dentro da Igreja com sua juventude, como um Domingos Sávio que andava com o olhar baixo e tinha como lema: "ANTES MORRER DO QUE PECAR".

Porque não olhar um Tarcísio que morreu defendendo o Santíssimo Sacramento do sacrilégio de um bando de jovens que queriam aprontar com Tarcísio...

Porque não olhar para uma Terezinha que descobriu que sua vocação era o amor...

Porque não olhar para uma Maria Goretti morta à base de golpes de chave de fenda defendendo sua virgindade e castidade...

Esses exemplos são os de protagonistas e não de coadjuvantes.

A diversão jovem não está em baladas, pancadões, cachaçada, rachas e outras coisas...
Isso passa... Pode até ser danoso, de alguma forma para a própria vida! A alegria e diversão que não passa é a eternidade conquistada pela força da juventude que se encontra escondida dentro de muitos corações de quem lê estas linhas...

Levanta a cabeça! Olhe o céu a ser conquistado!

Jovens como você conseguiram ser protagonistas! Chega de ser coadjuvante vivendo pelo prazer, pelo ter...

Venha ser protagonista como muitos têm sido, graças a Deus!

Tenho conferido o testemunho de muitos jovens que descobriram seu lugar de protagonista e largaram a vida de coadjuvante, deixaram a escravidão para viver a liberdade de filhos de Deus! Como tem sido gratificante ver jovens sorrindo livremente, não por bebida ou música eletrônica, mas pelo prazer de se descobrirem protagonistas, de descobrirem a liberdade de ser de Deus sem a necessidade de coisas de fora para satisfação, mas o que tem dentro de nós é maior do que o que está fora!!!!! (Conf. I João 4, 4)

Vida de protagonista é vida de papel principal e é para isso que Deus chamou essa nova safra de juventude! Sejam protagonistas! Sejam a diferença antes de quererem fazer a diferença! Sejam sinais vivos de que vale a pena ser de Deus! Não queiram pela bagunça, mas façam pela força interior que Deus já plantou em cada um de vós!

Remem contra a maré devastadora de relativismo que espanca a condição da juventude protagonista, transformando-a num coadjuvante escravizado pelo prazer, pelo ter, pelo egoísmo, consumismo e materialismo imbecil que agride a liberdade verdadeira que já nos foi dada e que o diabo, sorrateiramente, tem roubado da juventude da forma mais sutil, sem que ninguém percebesse, passando despercebido a ponto de achar que esse derrotado nem existe! Mas existe! E é uma serpente entre as árvores, bem disfarçada, sugestionando sempre que "não tem nada a ver esse barato de Igreja..." "As coisas não são bem assim com toda essa radicalidade..."

Jesus foi extremista (Conf. João 13, 1). 

Vai tu e faze o mesmo (Conf. Lucas 10, 37)

O amor é radical, protagonista de uma nova geração dentro da Igreja que protagoniza uma história reescrita com atitudes renovadas, concretas e permeadas de decisão e adesão a Jesus Cristo e seu projeto!

Sejamos protagonistas!

Paz e fogo. Seu irmão em Cristo, Antonio Lucio

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Documento da CNBB – 90

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR AO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO PARA O BRASIL SOBRE A ABSOLVIÇÃO GERAL (aplicação do cân. 961)


1ª Edição – 2009

COORDENAÇÃO: Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia
COORDENAÇÃO EDITORIAL: Pe. Valdeir dos Santos Goulart
PROJETO GRÁFICO, CAPA E DIAGRAMAÇÃO: Fábio Ney Koch dos Santos
REVISÃO: Dom Hugo Cavalcante, OSB - Pe. Carlos Gustavo Haas

SUMÁRIO
DECRETO DA CNBB Nº 01/2009
DECRETO DE RECOGNITIO
DA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
TEXTO DA LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR AO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO PARA O BRASIL (APLICAÇÃO DO CÂN. 961)

Quanto ao cân. 961, § 1, 2º
Quanto ao cân. 964, § 1
Quanto ao cân. 964, § 2

DECRETO DA CNBB N º 0 1 / 2 0 0 9

Considerando o pedido da Carta Apostólica de João Paulo II, sob forma de “Motu Proprio”, “Misericordia Dei”, solicitando à Conferência Episcopal a atualização das normas previstas no Can. 961 do Código de Direito Canônico, relativas à absolvição coletiva, a 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Itaici, Indaiatuba, São Paulo, de 09 a 17 de agosto de 2005, aprovou o texto da Legislação complementar do Cânone 961, § 2, 964, §§ 1 e 2.

Considerando que o texto aprovado foi remetido à Santa Sé, e recebeu a Recognitio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, no dia 25 de março de 2009, Prot. N. 1412/05/L.
Considerando que com este decreto fica revogada a norma anterior referente aos Cânones supra citados seja promulgada esta nova Legislação Complementar ao Código de Direito Canônico (aplicação do cân. 961), em conformidade com o texto anexo.

As referidas normas entram em vigor no dia 14 de setembro de 2009, Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Brasília, 19 de junho de 2009, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Dom Geraldo Lyrio Rocha Arcebispo de Mariana Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Dom Dimas Lara Barbosa Bispo-auxiliar do Rio de Janeiro Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

DECRETO DE RECOGNITIO DA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS Prot. n. 1412/05/L

ÀS DIOCESES DO BRASIL

Por solicitação do Excelentíssimo Senhor Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana, Presidente da Conferência dos Bispos do Brasil, com carta do dia 18 do mês de agosto de 2008, em conformidade com as faculdades concedidas a esta Congregação, pelo Sumo Pontífice Bento XVI, relativa ao texto para o cumprimento das normas da disciplina do Sacramento da Penitência, cânon 961, conforme determinação da Carta Apostólica em forma de Motu Proprio “Misericordia Dei” (n. 6), dada para o território de sua Conferência, conforme consta do exemplar enviado, de muito boa vontade aprovamos e confirmamos.

No texto a ser impresso, faça-se menção da aprovação e confirmação concedida pela Sé Apostólica. Além disso, sejam enviados a esta Congregação dois exemplares do texto impresso.

Sejam revogadas quaisquer disposição contrárias.

Da Sede da Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, no dia 25 de março de 2009. (Antonius Card. Cañizares Llovera)
Prefeito (+ Albertus Malcolmus Ranjith) Arcebispo Secretário

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR AO CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO PARA O BRASIL
(aplicação do cân . 961)

Quanto ao cân. 961, § 1, 2º

O juízo em cada caso concreto, se ocorrem as condições requeridas pelo cân 961, §1, 2o., não compete ao confessor, mas ao Bispo diocesano, o qual não poderá permitir a absolvição coletiva sem prévia confissão individual (cf. MD 5), a não ser em situações de grave necessidade, “situações que, objetivamente, são excepcionais” (MD 4, 2, a), ou seja, “quando, tendo-se em conta o número de penitentes, não há à disposição abundância de confessores para ouvirem devidamente as confissões de cada um, dentro de um tempo conveniente, de modo que os penitentes, sem culpa própria, sejam forçados a ficar muito tempo sem a graça sacramental ou sem a sagrada comunhão; não se considera, porém, necessidade sufi ciente, quando não pode haver confessores à disposição, só por motivo de grande afluência de penitentes, como pode acontecer, em alguma grande festa ou peregrinação” (cân. 961, § 1, 2o.) ou como se poderia verificar em localidades de vasta extensão territorial habitadas por “comunidades de fiéis isolados, onde o sacerdote só pode passar uma ou poucas vezes ao ano” (MD 4, 2, a e cân. 961, § 2).

Além do prescrito nos cân. 960-963, o Bispo diocesano deverá considerar o seguinte:

1. A absolvição coletiva é meio extraordinário que não pode substituir pura e simplesmente a confissão individual e íntegra com absolvição, único meio ordinário de reconciliação com Deus e com a Igreja (cf. MD 1, a).

2. Todos aqueles que, em razão do encargo, têm cura de almas, estão obrigados a estabelecer horários favoráveis, fixos e frequentes, para facilitar aos fiéis o acesso à confissão individual (cf. cân. 986 § 1 e MD 1, b e 2) levando em conta, de modo particular, o aumento do pedido para o Sacramento nos períodos fortes do ano litúrgico: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, até a Solenidade da Santíssima Trindade.

3. Os ministros não poderão, sem culpa própria, recorrer a esse meio extraordinário de reconciliação, ao menos que, no caso concreto, o Bispo diocesano:

A) tenha julgado que se trate de grave necessidade (cân. 961, § 1, 2º.), em conformidade com as especificações do Motu Proprio Misericordia Dei, 4, 2, a-f;

B) tenha concedido previamente e por escrito a sua autorização pessoal (cf. MD 5).

4. Insistindo na obrigação de se aproximar o quanto antes da confissão individual, antes de receber nova absolvição geral, deve-se levar em conta que o recurso, mesmo repetido, a essa forma extraordinária de reconciliação, não pode legitimar-se a menos que uma justa causa se imponha (cf.MD 8).

5. Para dar licitamente a absolvição coletiva, fora do perigo de morte, não basta que, em vista do número de penitentes, os confessores sejam insuficientes para atendê-los na forma devida, em espaço de tempo razoável. Requer-se, além disso, que sem a absolvição coletiva, esses fiéis, sem culpa própria, permaneceriam, por mais de um mês, privados do perdão sacramental ou da comunhão (cf. MD 4, 2, b, c, d).

6. Não constitui sufi ciente necessidade, a mera grande afluência de penitentes, não só em ocasiões de uma festa solene ou de uma peregrinação, nem mesmo por turismo ou outras razões semelhantes devidas à crescente mobilidade das pessoas (cf. MD 4, 2, f).

7. Além das situações em que estão presentes simultaneamente as duas inseparáveis condições, sobre as quais se refere o n. 4 desta legislação complementar, não poderá ser dada a absolvição coletiva.

8. A absolvição sacramental coletiva seja precedida de adequada catequese e preparação comunitária, não omitindo a advertência aos fiéis acerca das condições para receberem validamente a absolvição, ou seja, de que esses devem estar dispostos e com o propósito de, no tempo devido, confessar-se individualmente dos pecados graves que naquele momento não puderam confessar (cf. MD 7, a).

9. É importante promover a celebração comunitária da Penitência conforme o Rito para a reconciliação de vários penitentes com confissão e absolvição individuais pois a celebração do Sacramento desta maneira manifesta mais claramente a natureza eclesial da penitência (cf. Introdução Geral do Ritual da Penitência, 22-30).

10. É importante suscitar nos fiéis a disposição para a contrição do coração e reconciliação com Deus, mediante um ato de arrependimento, assim que houver consciência de pecado grave, antes mesmo de procurar o Sacramento da Reconciliação.

11. O ato penitencial, na celebração eucarística, não realiza a reconciliação sacramental.

12. Não podem receber validamente a absolvição os penitentes que vivam em estado habitual de pecado grave e não queiram mudar a própria situação (MD 7, c).

Quanto ao cân. 964, § 1

O lugar próprio para ouvir confissões sacramentais é a igreja ou o oratório (cân. 964, § 1), deixando, porém, claro que razões de ordem pastoral podem justificar as celebrações do Sacramento em outros lugares (MD 9, a, com referência ao cân. 964, § 3).

Quanto ao cân. 964, § 2

A sede apropriada para ouvir confissões é, normalmente, o confessionário tradicional ou um outro recinto conveniente, expressamente preparado para essa finalidade e munido de grade fixa entre o penitente e o confessor, permitindo assim aos fiéis, e aos mesmos confessores, que o desejem, seu livre uso (cf. MD 9, b). Tal sede apropriada deve ser situada em lugar determinado, claramente indicado, de modo que os fiéis se sintam convidados à prática do Sacramento da Penitência.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

HUMILDADE É A FERRAMENTA

Paz e fogo, amados(as). Vejam, estas frases:

"Simular humildade é ser soberbo." (Santo Agostinho)

“Quanto mais te deixares enraizar na santa humildade, tanto mais íntima será a comunicação da tua alma com Deus”. (Padre Pio)

Sabe, irmãos, eu tenho percebido que esta palavra "humildade" vem perdendo sua importância e seu verdadeiro significado no decorrer dos tempos, dentro e fora da Igreja...

Quando falamos em humildade, estamos falando que algo que deriva do significado e origem da palavra que vem do solo, algo fecundo que vem da terra e faz a planta colher, pela raiz, os minerais necessários para sua sobrevivência.

Estamos falando de uma virtude que anula muitos pecados em nós e que é ferramenta valiosa no que quer que façamos ou almejemos no decorrer da nossa história... São Francisco de Assis nos ensina que a "... humildade é a chave que abre todas as portas...".

Hoje em dia nós percebemos dentro e fora do âmbito religioso a perca do sentido desta palavra, que muitas vezes tem a conotação da primeira frase de Santo Agostinho já citada.

Muitos fingem ou simulam uma humildade que não existe!

Com suas cabeças baixas olhar simplório escondem dentro si as maquinações que almejam desde cargos profissionais a "cargos religiosos"!

Isso é sério!

No que diz respeito à vida profissional, creio que a ambição de crescimento pessoal é até compreensível e justa - percebam! -compreensível, pois todos queremos um algo a mais em nosso trabalho, contanto que, de forma cristã, saibamos dominar a ambição e conquistarmos nosso lugar ao sol e justa devido ao reconhecimento de um trabalho bem feito. O foco é a segunda dimensão da coisa: Âmbito religioso!

Fico escandalizado quando percebo que pessoas querem cargos para se autopromoverem dentro da Igreja, visto que é um serviço de governo o que se presta quando temos um "cargo" - se assim podemos chamar - dentro da Igreja onde quer que seja.

Irmãos, a humildade nos coloca no nosso devido lugar!

Nos faz sempre querer a autopromoção do outro e a nossa pois quem promove é Deus!

Tenho testemunhado isso em meu ministério com fatos e acontecimentos que, muitas vezes, me constrangem diante das pessoas, pois vejo a ação de Deus e a incompreensão das pessoas.

Santa Terezinha tem uma frase onde ela fala que se buscarmos o último lugar evitaremos brigas desnecessárias, pois ninguém quer brigar pelo último lugar, mas pelo primeiro.

Quanto mais somos pessoas de oração, que ficam aos pés do Salvador e ali se deixam encontrar por Ele, tanto mais nossa intimidade nos colocará o semblante humilde por excelência de Nosso Senhor Jesus!

É a Ele que servimos! Toda e qualquer posição que temos na vida nos foi permitida por Ele, mesmo que de forma ilícita, logo cai a máscara de quem ali se firmou sem a santa humildade, sem se deixar moldar pelos padrões humildes do Divino Mestre.

Quantos não tem a dificuldade de ouvir a Deus, por falta de humildade!

Ouvimos, muitas vezes, nossas vontades e anseios, queremos conformar ao nosso bel prazer, alimentando nosso "alter-ego" e, de forma interesseira, dizemos que Deus falou isso ou aquilo, colocando palavras na boca de Deus, forjando uma vontade "divina" que não existe ou então, quando é contrário ao nosso querer, que deixa nosso ego sem alimento, dizemos que não é vontade de Deus ou coisa que se valha! Colocamos em xeque e desconfiança a unção dos irmãos!

Eu, sinceramente não sei o que é pior nessas duas formas de enxergar uma falta de escuta a Deus.

Humildade sempre é a ferramenta certa para se ouvir a Deus e não a nós mesmos que somos corruptíveis ao extremo, somos passíveis de erro, amados... Não temos como fugir disso e a humildade é a ferramenta divina que nos protege contra tais erros, nos colocando aos pés de Jesus e aprendendo Dele o que se faz ou deixa de fazer...

Muitas vezes, é preciso deixar o outro perceber que ali não é o lugar dele saindo da frente dele e ajudando-o a desempenhar - e bem! - o papel que se está assumindo, e quando ELE perceber que ali não é o lugar dele, dar o devido respaldo para que ele não se deixe vencer pelo abatimento!

Isso é humildade amados!

Humildade é ferramenta que nos faz atentos ao que o outro está fazendo e recolhendo os frutos do que se está fazendo perceber o divino fruto aparecendo naturalmente sem duvidar da unção alheia!

Humildade é ferramenta que nos coloca em unidade, pois percebemos que unidos podemos sempre ir mais longe do que quando fomos rápidos demais, chegando na frente dos outros!

Humildade é ferramenta que nos coloca no patamar que nos é cabido e não no patamar que só cabe a Deus!

Humildade é ferramenta poderosíssima que nos protege da soberba de achar que as coisas só acontecem se EU estiver ali!

Humildade é ferramenta que nos torna agradáveis a Deus e aos irmãos, fazendo acontecer uma união de forças e não dispersão de almas!

Humildade é ferramenta agradável a Deus pois Ele sempre encontrará uma alma dócil para ouvi-Lo.

Humildade é ferramenta imprescindível para a busca de uma autêntica santidade, pois nos coloca no lugar que é nosso: O último, pois os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos, vai dizer Jesus no Evangelho.

Humildade é ferramenta que nos faz agradáveis companhias de quem quer que seja e acabamos por querer ficar sempre perto destas pessoas humildes e sugar dela essa matéria prima tão valiosa na construção de nossa trajetória à eternidade...

Humildade é ferramenta que nos faz olhar de baixo para cima e não de cima para baixo!

 Ah, se aprendêssemos de Jesus a sua lição..."Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso do fardo e eu vos aliviarei. Vinde a aprendei de mim porque sou manso e HUMILDE de coração, pois meu jugo é leve e meu fardo é suave..." (Cf Mateus 11, 28-30)

Ah, se aprendêssemos da Santíssima Virgem Maria sua lição: "... porque olhou para sua HUMILDE serva..." (Cf. Lucas 1, 46-56)

Ah se aprendêssemos do grande Cavaleiro de Assis, Francisco: "Ó Mestre, fazei-me instrumento de vossa paz..." ou ainda a famosa frase: "Preguem o Evangelho a toda a criatura, e se NECESSÁRIO, usem as palavras..." mostrando que o Evangelho é a melhor pregação quando vivido em Sua essência, portanto, vivendo como Jesus viveu e ensinou...

 Ah se aprendêssemos de Bento XVI que, quando estamos diante de Jesus de forma total, percebemos sempre que alguém pode fazer melhor o que não conseguimos mais fazer por causa de nossas incapacidades físicas, espirituais ou mesmo naturais...

São muitas as lições de humildade que eu poderia ainda citar aqui, mas encerro este artigo com a citação de Santa madre Tereza de Calcutá: "Eu sou somente um lápis nas mãos de Deus e quem escreve é sempre Ele..."

O lápis, humilde, pode-se apagar quando se erra...

A caneta, soberba, deixa sempre um borrão ao tentar apagar sua escrita...

O lápis, humilde, se deixa apontar até se gastar por inteiro nas mãos de quem o utiliza para escrever com ele...

A caneta, soberba, não se deixa apontar e quando se acaba a tinta não serve para mais nada a não ser reciclagem, pode estourar a um esforço ou mau funcionamento...

É preciso aprender a humildade do lápis com Santa Madre Teresa de Calcutá....

Paz e fogo amados...

Seu servo e irmão em Cristo, Antonio Lucio...

(Que tua Cruz, Jesus, seja o pódio onde eu ganhe o prêmio da ressurreição - Antonio Lucio de Oliveira)

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