sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A Agonia de Jesus Pelo Santo Padre Pio

   "Espírito Divino iluminai a minha inteligência, inflamai o meu coração, enquanto medito na Paixão de Jesus.

             Ajudai-me a penetrar nesse mistério de amor e sofrimento do meu Deus, que, feito homem sofre, agoniza, morre por mim.

            Ó Eterno, ó Imortal, descei até nós para sofrer um martírio inaudito, a morte infame sobre a cruz no meio dos insultos, de impropérios e ignomínias, a fim de salvar a criatura que o ultrajou e continua a atolar-se na lama do pecado.

            O homem saboreia o pecado e, por causa do pecado, Deus está mortalmente triste; os tormentos duma agonia cruel fazem-no suar sangue!...

            Não, não posso penetrar neste oceano de amor e de dor sem a ajuda da vossa graça, ó meu Deus. Abri-me o acesso a mais íntima profundidade do coração de Jesus, para que eu possa participar da amargura que o conduziu ao Jardim das Oliveiras, até as portas da morte — para que me seja dado consolá-lo no seu extremo abandono. Ah! Pudesse eu unir-me a Cristo, abandonado pelo Pai e por Si próprio, a fim de expirar com Ele!

Maria, Mãe das Dores, permiti que eu siga Jesus e participe intimamente da sua Paixão e do seu sofrimento!

            Meu Anjo da guarda velai para que as minhas faculdades se concentrem todas na agonia de Jesus e nunca mais se desprendam... No termo da sua vida terrestre, depois de se nos ter inteiramente entregue no Sacramento do seu amor, o Senhor dirige-se ao Jardim das Oliveiras, conhecido dos discípulos, mas de Judas também. Pelo caminho ensina-os e prepara-os para a sua Paixão iminente convida-os, por Seu amor, a sofrer calúnias, perseguições até a morte, para os transfigurar à semelhança dele, modelo divino. No momento de começar a sua Paixão amaríssima, não é nele que pensa; pensa em ti.

            Que abismos de amor não contém o seu Coração! A sua Santa Face é toda tristeza, toda ternura. As suas palavras jorram da profundidade mais íntima do seu coração, e são todas palpitações de amor.
           
            — Ó Jesus, o meu coração perturba-se quando penso no amor que vos obriga a correr ao encontro da vossa Paixão. Ensinastes-nos que não há amor maior que dar a vida por aqueles a quem se ama. Eis que estais prestes a selar estas palavras com o vosso exemplo.
No Jardim das Oliveiras, o Mestre afasta-se dos discípulos e só leva três testemunhas da sua Agonia: Pedro, Tiago e João. Eles, que o viram transfigurado sobre o Tabor, terão força para reconhecer o Homem-Deus neste ser, esmagado pela angústia da morte?
            Ao entrar no Jardim disse-lhes: “Ficai aqui! Velai e rezai para não cairdes em tentação. Acautelai-vos, porque o inimigo não dorme. Armai-vos antecipadamente com as armas da oração para não serdes surpreendidos e arrastados para o pecado. É a hora das trevas”. Tendo-os exortado, afastou-se à distância de uma pedrada e prostrou-se com a face em terra. A sua alma está mergulhada num mar de amargura e extrema aflição.

É tarde.

Na lividez da noite agitam-se sombras sinistras. A Lua parece injetada de sangue. O vento agita as árvores e penetra até aos ossos. Toda a natureza como que estremece de secreto pavor!
Ó noite, como nunca houve outra semelhante.

            Eis o lugar onde Jesus vem orar. Ele despoja a sua santa Humanidade da força à qual tem direito pela sua união com a Divina Pessoa, e mergulha-a num abismo de tristeza, de angústia, de abjeção. O seu espírito parece submergir-se...   Via antecipadamente toda a sua Paixão.

            Vê Judas, seu apóstolo tão amado, que o vende por alguns dinheiros.

             Ei-lo a caminho de Getsêmani, para o trair e entregar! Todavia, ainda há pouco não o alimentou com a sua carne, não lhe deu a beber o seu sangue? Prostrado diante dele, lavou-lhe os pés, apertou-os contra o coração, beijou-os com os seus lábios. Que não fez ele para o reter à beira do sacrilégio, ou pelo menos para o levar a arrepender-se!

Não!

 Ei-lo que corre para a perdição... Jesus chora. Vê-se arrastado pelas ruas de Jerusalém onde ainda há alguns dias o aclamavam como Messias. Vê-se esbofeteado diante do sumo-sacerdote. Ouve os gritos: À morte! Ele, o autor da vida, é arrastado como um farrapo de um para outro tribunal. O povo, o seu povo tão amado, tão cumulado de bênçãos, vocifera contra Ele, insulta-o, reclama aos gritos a sua morte, e que morte, a morte sobre a cruz. Ouve as suas falsa acusações. Vê-se flagelado, coroado de espinhos, escarnecido, apupado como falso rei.  Vê-se condenado à cruz, subindo ao Calvário, sucumbindo ao peso do madeiro, trêmulo, exausto...  

            Ei-lo chegado ao Calvário, despojado das roupas, estendido sobre a cruz, impiedosamente trespassado pelos pregos, ofegante entre indizíveis torturas... Meu Deus! Que longa agonia de três horas, até sucumbir no meio dos apupos da gentalha, ébria de cólera!

            Ei-lo com a garganta e as entranhas, devoradas por sede ardente. Para estancar essa sede, dão-lhe vinagre e fel.  

            Vê o Pai que o abandona, e a Mãe, aniquilada pela dor.

            Para acabar, a morte ignominiosa no meio de dois ladrões. Um reconhece-o, e pôde salvar-se; o outro blasfema e morre réprobo.

            Vê Longuinhos, que se aproxima para lhe trespassar o coração.

            Ei-la, consumada, a extrema humilhação do corpo e da alma, que separam...
 
            Tudo isto, cena após cena, passa diante dos seus olhos, apavora-o, acabrunha-o Recusará?

            Desde o primeiro instante tudo avaliou, tudo aceitou. Porque, pois, este terror extremo? É que expôs a sua santa humanidade como escudo, captando os ataques da Justiça, ultrajada pelo pecado.

            Sente vivamente no espírito, mergulhado na maior solidão, tudo o que vai sofrer.
Para tal pecado, tal pena... Está aniquilado, porque se entregou, ele próprio, ao pavor, à fraqueza, à angústia.

            Parece ter chegado ao auge da dor. Está de rastos, com a face em terra, diante da Majestade do Pai. Jaz no pó, irreconhecível, a santa Face do Homem-Deus, que goza da visão beatífica. Meu Jesus! Não sois Deus? Não sois o Senhor do Céu e da Terra, igual ao Pai? Para que haveis de abaixar-vos até perder todo o aspecto humano?

            Ah, sim... Compreendo! Quereis ensinar-me, a mim, orgulhoso, que para entender o Céu devo abismar-me até ao fundo da Terra. É para expiar a minha arrogância que vos deixais afundar no mar da agonia. É para reconciliar o Céu com a Terra que vos abaixais até a terra como se quisésseis dar-lhe o beijo da paz...

            Jesus ergue-se, volve para o céu um olhar suplicante, ergue os braços, reza. Cobre-lhe o rosto mortal palidez! Implora o Pai que se desviou dele. Reza com confiança filial, mas sabe bem qual o lugar que lhe foi marcado. Sabe-se vítima a favor de toda a raça humana, exposta à cólera de Deus ultrajado. Sabe que só ele pode satisfazer a Justiça infinita e conciliar o Criador com a criatura. Quer, reclama que seja assim. A sua natureza, porém, está literalmente esmagada. Insurge-se contra tal sacrifício. Todavia, o seu espírito está pronto à imolação e o duro combate continua. Jesus, como podemos pedir-vos para sermos fortes, quando vos vemos tão fraco e acabrunhado?

            Sim, compreendo! Tomastes sobre vós a nossa fraqueza. Para nos dardes a vossa força, vos tornastes a vítima expiatória. Quereis ensinar-nos como só em vós devemos depositar confiança, até quando o céu nos parece de bronze.

            Na sua Agonia, Jesus clama ao Pai: “Se é possível, afasta de mim este cálix”. É o grito da natureza que, prostrada, recorre cheia de confiança ao Céu. Embora saiba que não será atendido, porque não deseja sê-lo, contudo ora. Meu Jesus, por que pedis o que não podeis obter? Que mistério vertiginoso! A mágoa que vos dilacera vos faz mendigar a ajuda e conforto, mas o vosso amor por nós e o desejo de nos levar a Deus vos faz dizer: “Não se faça a minha vontade, mas a tua”.

            O seu coração desolado tem sede de ser confortado, tem sede de consolação.

            Docemente, Ele levanta-se, dá alguns passos vacilantes; aproxima-se dos discípulos; eles, pelo menos, os amigos de confiança, hão de compreender e partilhar da sua mágoa...
Encontra-os mergulhados no sono. De súbito sente-se só, abandonado! “Simão, dormes?” pergunta docemente a Pedro. Tu, que há pouco me dizias que querias seguir-me até a morte!
Vira-se para os outros. “Não podeis velar uma hora comigo?”. Uma vez mais, esquece os sofrimentos, não pensa senão nos discípulos: “Velai e orai para não cairdes em tentação!”. Parece dizer “Se me esquecestes tão depressa, a mim, que luto e sofro, pelo menos no vosso próprio interesse, velai e orai!”.

            Mas eles, tontos de sono, mal o ouvem.

            Ó meu Jesus, quantas almas generosas, tocadas pelos vossos lamentos, vos fazem companhia no Jardim da Oliveiras, compartilhando da vossa amargura e da vossa angústia moral. Quantos corações têm respondido generosamente ao vosso apelo através dos séculos! Possam eles vos consolar e, comparticipando do vosso sofrimento, possam eles cooperar na obra da salvação! Possa eu próprio ser desse número e vos consolar um pouco, ó meu Jesus!
Jesus volta ao local da oração e apresenta-se-lhe diante dos olhos outro quadro bem mais terrível. Desfilam diante dele todos os nossos pecados, nos seus mais ínfimos pormenores. Vê a extrema vulgaridade dos que os cometem. Sabe a que ponto ultrajam a divina Majestade. Vê todas as infâmias, todas as obscenidades, todas as blasfêmias que mancham os corações e os lábios, criados para cantar a glória de Deus. Vê os sacrilégios que desonram Pais e fiéis. Vê o abuso monstruoso dos sacramentos, instituídos por Ele para nossa salvação, e que facilmente podem ser causa de nos perdermos.

            Tem de cobrir-se com toda a lama fétida da corrupção humana. Tem de expiar cada pecado à parte, e restituir ao Pai toda a glória roubada. Para salvar o pecador, tem de descer a esta cloaca. Mas, isto não o detém. Vaga monstruosa, essa lama rodeia-o, submerge-o, oprime-o.

            Ei-lo em frente do Pai, Deus da Justiça, Ele, Santo dos Santos, vergado ao peso dos nossos pecados, tornando-se igual aos pecadores. Quem poderá sondar o seu horror e a sua extrema repugnância? Quem compreenderá a extensão da horrível náusea, do soluço de desgosto? Tendo tomado todo o peso sobre ele, sem exceção alguma sente-se esmagado por monstruoso fardo, e geme sob o peso da Justiça divina, em face do Pai que permitiu ao Seu filho se oferecesse como vítima pelos pecados do mundo, e se transformasse numa espécie de maldito.

            A sua pureza estremece diante desta massa infame mas ao mesmo tempo vê a Justiça ultrajada, o pecador condenado... No seu coração defrontam-se duas forças, dois amores. Vence a Justiça ultrajada. Mas, que espetáculo infinitamente lamentável! Este homem, carregado com todos os nossos crimes. Ele, essencialmente Santidade, confundido, embora exteriormente, com os criminosos... Treme como um folha.

            Para poder afrontar esta terrível agonia abisma-se na oração. Prostrado diante da Majestade do Pai, diz: “Pai, afasta de mim este cálice”. É como se dissesse: “Pai, quero a tua glória! Quero o cumprimento da tua justiça. Quero a reconciliação do gênero humano. Mas não por este preço! Que eu, santidade essencial, seja assim salpicado pelo pecado, ah! não... isso não! Ó pai, a quem tudo é possível, afasta de mim este cálice e encontra outro meio de salvação nos tesouros insondáveis da tua sabedoria. Porém, se não quiseres, que a tua vontade, e não aminha, se faça!

            Desta vez ainda, fica sem efeito a prece do Salvador. Sente a angústia mortal, ergue-se a custo em busca de consolação. Sente como as forças o abandonam. Arrasta-se penosamente até junto dos discípulos. Uma vez mais, encontra-os a dormir. A sua tristeza torna-se mais profunda. E contenta-se simplesmente em os acordar. Sentiram-se confusos? Sobre isto nada sabemos. Só vemos Jesus indizivelmente triste. Guarda para ele toda a amargura deste abandono.

            Mas Jesus, como é grande a dor que leio no teu coração, transbordante de tristeza. Vos vejo afastando-vos dos vossos discípulos, ferido, todo magoado! Pudesse eu dar-vos algum reconforto, consolar-vos um pouco... Mas, incapaz de mais nada, choro aos vossos pés. Unem-se às vossas as lágrimas do meu amor e da minha compunção. E elevam-se até ao trono do Pai, suplicando que tenha piedade de nós, que tenha piedade de tantas almas, mergulhadas no sono do pecado e da morte.

            Jesus volta ao lugar onde rezara, extenuado e em extrema aflição. Cai, sim, mas não se prostra. Cai sobre a terra. Sente-se despedaçado por angústia mortal e a sua prece torna-se mais intensa.

            O Pai desvia o olhar, como se Ele fosse o mais abjeto dos homens. Parece-me ouvir os lamentos do Salvador:

            Se, ao menos as criaturas por causa de quem eu tanto sofro quisessem aproveitar-se das graças obtidas através de tantas dores! Se, ao menos reconhecessem pelo seu justo valor, o preço pago por mim para resgatar e dar-lhes a vida de filhos de Deus! Ah! Este amor despedaça-me o coração, bem mais cruelmente do que os carrascos que irão, em breve, despedaçar-me a carne...

            Vê o homem que não sabe, porque não quer saber; e blasfema do Sangue Divino e, o que é bem mais irreparável, serve-se desse Sangue para sua condenação.

            Quão poucos o hão de aproveitar, quantos outros correrão ao encontro do próprio extermínio!

            Na grande amargura do Seu coração, continua a repetir: “Quæ utilitas im sanguine meo? Quão poucos aproveitaram o meu Sangue!

            O pensamento, porém, deste pequeno número basta para afrontar a Paixão e morte.
Nada existe, não há ninguém que possa dar-lhe sombra de consolação. O Céu fechou-se para Ele. O homem, embora esmagado ao peso dos pecados, é ingrato e ignora o seu amor. Sente-se submerso num mar de dor e grita no estertor da agonia: “A minha alma está triste até a morte”.

            Sangue Divino, que jorras, irresistivelmente do Coração de Jesus, corres por todos os seus poros para lavar a pobre Terra ingrata. Permite-me que eu te recolha, Sangue tão precioso, sobretudo estas primeiras gotas. Quero guardar-te no cálice do meu coração.
És prova irrefutável deste Amor, única causa de teres sido vertido. Quero purificar-me através de ti, Sangue preciosíssimo! Quero com ele purificar todas as almas, manchadas pelo pecado. Quero oferecer-te ao Pai.

            É o sangue do seu Filho Bem-Amado que caiu sobre a Terra para a purificar. É o Sangue do seu Filho que ascende ao Seu trono para reconciliar a Justiça ultrajada. A alegria é na verdade muito mais veemente do que a dor.
            Jesus chegou então ao fim do caminho doloroso?

            Não.

            Ele não quer limitar a torrente do seu amor! É preciso que o homem saiba quanto ama o Homem-Deus. É preciso que o homem saiba até que abismos de abjeção pode levar amor tão completo. Embora a Justiça do Pai esteja satisfeita com o suor do Sangue preciosíssimo, o homem carece de provas palpáveis deste amor.

            Jesus seguirá pois até ao fim: até a morte ignominiosa sobre a cruz. O contemplativo conseguirá talvez intuir um reflexo desse amor que o reduz aos tormentos da santa agonia no Jardim das Oliveiras. Aquele, porém, que vive, entorpecido pelos negócios materiais, procurando muito mais o mundo do que o Céu, deve vê-lo também pelo aspecto externo, pregado à cruz, para que, ao menos, o comova a visão do seu Sangue e a Sua cruel agonia.

            Não.

             O Seu coração, transbordante de amor, não está ainda contente! Domina-o a aflição, e ora de novo: “Pai, se este cálice não pode ser afastado, sem que eu bebe, faça-se a Tua vontade”.

            A partir deste instante, Jesus responde do fundo do seu coração abrasado de amor, ao grito da humanidade que reclama a sua morte como preço da Redenção. À sentença de morte que seu Pai pronuncia no Céu, responde a Terra reclamando a sua morte. Jesus inclina a sua adorável cabeça: “Pai, se este cálice não pode ser afastado, sem que eu o beba, faça-se a Tua vontade”.

            E eis que o Pai lhe envia um anjo de consolação. Que alívio pode um anjo oferecer ao Deus da força, ao Deus invencível, ao Deus Todo-Poderoso? Mas este Deus quis tornar-se inerme. Tomou sobre os ombros toda a nossa fraqueza. É o Homem das Dores, em luta com a agonia.

            Ora ao Pai por Si e por nós. O Pai recusa atendê-lo, pois deve morrer por nós. Penso que o anjo se prostra profundamente diante da Beleza eterna, manchada de pó e sangue, e com indizível respeito suplica a Jesus que beba o cálice, pela glória do Pai e pelo resgate dos pecadores.

            Rezou assim, para nos ensinar a recorrer ao Céu, unicamente quando as nossas almas estão desoladas como a Sua.

            Ele, a nossa força, virá ajudar-nos, pois que consentiu em tomar sobre os ombros todas as nossas angústias.

            Sim, meu Jesus, é preciso que bebais o cálice até ao fundo! Estais votado à morte mais cruel. Jesus, que nada possa separar-me de vós, nem a vida nem a morte! Se, ao longo da vida, só desejo unir-me ao vosso sofrimento, com infinito amor, ser-me-á dado morrer convosco no Calvário e convosco subir à Glória. Se vos sigo nos tormentos e nas perseguições tornar-me-eis digno de vos amar um dia, no Céu, face a face, convosco, cantando eternamente o vosso louvor em ação de graças pela cruel Paixão.

            Vede! Forte, invencível, Jesus ergue-se do pó! Não desejou Ele o banquete de sangue com o mais forte desejo? Sacode a perturbação que o invadira, enxuga o suor sangrento da face, e, em passo firme dirige-se para a entrada do Jardim.
            Onde ides, Jesus? Ainda há instantes, não estavas empolgado pela angústia e pela dor? Não vos vi eu, trêmulo, e como que esmagado sob o peso cruel das provações que vão tombar sobre vós? Aonde ides nesse passo intrépido e ousado? A quem vais entregar-vos?

            — Escuta, meu filho. As armas da oração ajudaram-me a vencer; o espírito dominou a fraqueza da carne. A força foi-me transmitida, enquanto orava, e agora eis-me pronto a tudo desafiar. Segue o meu exemplo e arranja-te com o Céu, como eu fiz. Jesus aproxima-se dos apóstolos. Continuam a dormir! A emoção, à hora tardia, o pressentimento de alguma coisa horrível e irreparável, a fadiga — e ei-los mergulhados em sono de chumbo. Jesus tem piedade de tanta fraqueza. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

            Jesus exclama. “Dormi agora e repousai”. Detém-se por instante. Ouvem que Jesus se vai aproximando, e entreabrem os olhos...

            Jesus continua a falar: “Basta. É chegada a hora; eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que me há de entregar”. Jesus vê todas as coisas com os seus olhos divinos. Parece dizer: Meus amigos e discípulos, vós dormis, enquanto que os meus inimigos velam e se aproximam para virem prender-me! Tu, Pedro, que há pouco te julgavas bastante forte para me seguir até na morte, também tu dormes agora! Desde o princípio tens-me dado provas da tua fraqueza! Está, porém, tranqüilo.

             Aceitei sobre mim a tua fraqueza e rezei por ti. Depois de confessares a tua falta, serei a tua força e apascentará os meus rebanhos...

            E tu, João, também tu dormes? Tu, que acabavas de sentir as pulsações do meu coração, não pudeste velar uma hora comigo!

            Levantai-vos, vamos partir, já não há tempo para dormir. O inimigo está à porta! É a hora do poder das trevas! Partamos. De livre vontade, vou ao encontro da morte. Judas acorre para trair-me, e eu vou ao seu encontro. Não impedirei que se cumpram à risca as profecias. Chegou a minha hora: a hora da misericórdia infinita.

            Ressoam os passos; archotes acesos enchem o jardim de sombras e púrpura. Intrépido e calmo, Jesus avança seguido pelos discípulos.

            — Ó meu Jesus, dai-me a vossa força quando a minha pobre natureza se revolta diante dos males que a ameaçam, para que possa aceitar com amor as penas e aflições desta vida de exílio. Uno-me com toda a veemência aos vossos méritos, às vossas dores, à vossa expiação, às vossas lágrimas, para poder trabalhar convosco na obra da salvação. Possa eu ter a força de fugir ao pecado, causa única da vossa agonia, do vosso suor de sangue, e da vossa morte.
Afasteis de mim o que vos desagrada, e imprimi no meu coração com o fogo do vosso santo amor todos os vossos sofrimentos. Abraçai-me tão intimamente, em abraço tão forte e tão doce, que nunca eu possa deixar-vos sozinho no meio dos vossos cruéis sofrimentos.

            Só desejo um único alívio: repousar sobre o vosso coração. Só desejo uma única coisa: partilhar da vossa Santa Agonia. Possa a minha alma inebriar-se com o vosso Sangue e alimentar-se com o pão da vossa dor!
Amém."

 Pio de Pietrelcina

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

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terça-feira, 2 de agosto de 2022

Entrevista com Padre Pio sobre a missa


1. Padre, o Sr. ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.
2. Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.
3. Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.
4. Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.
5. Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-lo-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor a Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa te acompanhará e será tua doce inspiração.
6. Padre, que é sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia-o chorando.)
7. Que devo descobrir na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.
8. Padre, diga-me tudo o que o senhor sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só enquanto pode fazê-lo uma criatura humana. E isto, apesar de cada uma de minhas faltas e só por sua bondade.
9. Padre, durante o Sacrifício divino o senhor carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.
10. O senhor considera a si mesmo um pecador?
Não o sei, mas temo que assim seja.
11. Eu já vi o senhor tremer ao subir aos degraus do altar. Por quê? Pelo que tem de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.
12. Em que momento da Missa o senhor sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.
13. Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, seus olhos se encheram de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus!?
14. Por que, ao ler o Evangelho, o senhor chorou quando leu estas palavras: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue..."
Chora comigo de ternura!
15. Padre, por que o senhor chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós nos parece que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e continuamente O ofendam com sua ingratidão e incredulidade.
16. Sua Missa, Padre, é um sacrifício cruento?
Herege!
17. Perdão, Padre, quis dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.
18. Quem lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.
19. Padre, por que o senhor chora no Ofertório?
Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.
20. Durante sua Missa, Padre, o povo faz um pouco de barulho...
Se estivesses no Calvário, não ouvirias gritos, blasfêmias, ruídos, e ameaças? Havia um alvoroço enorme.
21. Não o distraem os ruídos?
Em nada.
22. Padre, por que sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso... (Não quero que me perguntes isso...)
23. Padre, diga-me: por que sofre tanto na Consagração?
Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.
24. Padre, por que chora no altar, e que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las com o senhor.
Os segredos do Rei Supremo não podem revelar-se nem profanar-se. Pergunta-mes por que choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas torrentes de lágrimas. Não meditas neste grandioso mistério?
25. Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito freqüentemente...
26. Padre, como pode estar-se de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.
27. No altar, o senhor está pregado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?
28. Como se acha o senhor?
Como Jesus no Calvário.
29. Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregar os cravos em Jesus?
Evidentemente.
30. Ao senhor também lhos pregam?
E de que maneira!
31. Também deitam a Cruz para o senhor?
Sim, mas não devemos ter medo.
32. Padre, durante a Missa o senhor pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.
33. E a quem diz: "Mulher, eis aí teu filho"?
Digo para Ela: "Eis aqui os filhos de Teu Filho".
34. O senhor sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.
35. Em que momento?
Depois da Consagração.
36. Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.
37. O senhor diz que tem vergonha de dizer: "Procurei quem me consolasse e não achei". Por quê?
Porque nossos sofrimentos de verdadeiros culpados não são nada em comparação com os de Jesus.
38. Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.
39. Os Anjos do Senhor o reconfortam no Altar em que o senhor se imola?
Pois... não o sinto.
40. Se não lhe vem o consolo até à alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor sofre, como Jesus, o abandono total, nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosas mulheres aos pés de Jesus agonizante?
41. Que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.
42. Quando Jesus vem, visita somente a alma?
O ser inteiro.
43. Que faz Jesus na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.
44. Quando se une a Jesus na Santa Comunhão, que quer peçamos a Deus pelo senhor?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.
45. O senhor sofre também na Comunhão?
É o ponto culminante.
46. Depois da Comunhão, continuam seus sofrimentos?
Sim, mas não sofrimentos de amor.
47. A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.
48. E o senhor para quem olha?
Para meus irmãos de exílio.
49. O senhor morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.
50. É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.
51. Se o senhor morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Por quê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.
52. Padre, o senhor disse que a vítima morre na Comunhão. Colocam o senhor nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.
53. Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para descansar no Senhor?
Sou eu quem descansa n'Ele!
54. Quanto ama a Jesus?
Meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho de dizer nada e me causa pena.
55. Padre, por que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: "E vimos sua glória como do Unigênito Pai, cheio de graça e de verdade"?
Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?
56. Que união teremos então com Jesus?
A Eucaristia nos dá uma idéia.
57. A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mãe não se interessa por seu Filho?
58. E os Anjos?
Em multidões.
59. Padre, quem está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.
60. O senhor gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse, não quereria descer do Altar.
61. Disseram-me que traz com o senhor o seu próprio Altar...
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: "Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus". "Estou cravado com Cristo na Cruz." "Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão..."
Nesse caso, não me engano quando digo que estou vendo Jesus Crucificado! (Nenhuma resposta)
62. Padre, o senhor se lembra de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.
A Missa do Padre Pio, em seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Sempre foi um êxtase de amor e de dor. Seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:
63. Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
Dize-me, filho.
64. Padre, queria perguntar-lhe que é a Missa?
Por que me perguntas isto?
65. Para ouvi-la melhor, Padre.
Filho, posso dizer-te que é a minha Missa.
66. Pois é isso o que quero saber, Padre.
Meu filho, estamos na Cruz, e a Missa é uma contínua agonia.
 
Tirada de Tradition Catolica, nº 141, nov. 98 citando "Assim Falou o Padre Pio" (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D. Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

E A FAMÍLIA, COMO VAI?


Amados(as), paz e fogo.
Neste 4° artigo que escrevo de próprio punho, quero abordar algo que vem incomodando meu coração a respeito de uma realidade que é fato para todos, sem exceção: A Família.
Percebo muitas pessoas envolvidas e engajadas no serviço a Deus, engajadas em pastorais, em ministérios, movimentos, etc. Mas, e a família, como vai?
Pessoas às vezes reclamam quando vou pregar que seus maridos/esposas, filhos, muitas vezes, se encontram com Jesus num belo encontro pessoal e todos aplaudem tal encontro, e, consequentemente, há aquela vontade louca de fazer algo para Deus e então surge uma problemática: a da falta de equilíbrio.
Muitos acabam usando - é bem verdade - a Igreja e seus serviços, como fuga de vários problemas de família, por exemplo, a de enfrentar um relacionamento difícil, onde se envolve o perdão de pais e filhos e então, para não haver o cara-a-cara, foge-se com a desculpa: "Tenho compromissos para com Deus, pois Ele está em primeiro lugar."
Trabalhamos o encontro pessoal com Jesus, mas não há o acompanhamento para que a família também se encontre com Ele e então passe a dar um caminho mais amplo para expandir esse encontro e então, surge novamente a pergunta: E a família, como vai?
A família, vai, sendo muitas vezes, a vilã, a incompreensiva, a intolerante, a impaciente... E por aí vai...
Não digo que as famílias, muitas das vezes, realmente são um baita empecilho na vida de quem caminhar com o Senhor, com cobranças indevidas, com exigências sem cabimento... pois veja bem: Se a pessoa é cobrada pela presença em casa e quanbdo deixa de ir para ficar com a pessoa que assim exigiu e a essa mesma não desfruta da companhia da que deixou de estar na Igreja, seja lá para o que for, não é injusto?
Pois é isso que muitas vezes acontece com muitas famílias.
Esposos que são travados no caminhar por causa desse tipo de exigência injusta e por outro lado, esposos que fogem de sua família para não ter de enfrentar muitas vezes a sua realidade de Pai e então temos um baita problema de esposas insatisfeitas e esposos descontentes e infelizes em seus matrimônios porque não sabem dosar com muito equilíbrio cristão o tempo de serviço a Deus e o tempo dedicado por exdcelência à sua família, que, merece sim, esta presença, materna, paterna e filial.
Não tem um lado melhor e nem pior do que outro e não ecistem pessoas que têm 100 % da razão em ambas as questões aqui propostas.
Pois se há falta de equilíbrio, não há unção para exercer o serviço eclesial e se falta equilíbrio, não há amor conjugal e familiar, mas ciúmes e desequilíbrios, fugas e indiferenças, desentendimentos e desavenças, separações e divórcios, abandono da fé e fanatismo, exigências e cobranças, tristeza e frustração.
Tenho visto pessoas até prehando como deveria ser uma família, falando bem! Exortando quem os ouve de forma firme, eloquente... mas... E a família, como vai?
Quando percebemos a realidade desta pessoa, - homem ou mulher - nem sempre se vive o que se prega... Nem sempre é tudo aquilo que o embrulho está aparentando ser...
Talvez a esposa esteja frustrada, pois eu marido sabe ser muito de Deus, mas não sabe ser esposo e pai... Talvez o esposo esteja frustrado, pois sua esposa ser muito de Deus, até ora por cura e libertação! Mas não sabe mais ser esposa e mãe.
Talvez os filhos estejam frsutrados, pois seus pais, tanto um como outro, sabem ser muito de Deus, servem em pastorais, movimentos, dão palestras e testemunham, mas não sabem mais serem os pais que os filhos precisam ter...
Talvez os pais estejam frustrados, pois seus filhos sabem muito serem de Deus, participam de movimentos jovens, MJ, PJ, Crisma e outros, mas não sabem mais serem filhos... muitas vezes parecem ser eles os pais.
E a família, como vai?
Esta pergunta não quer calar, pois nem um lado e nem o outro podem cobrar se não vivem  o que estão cobrando, ainda que seja até justo!
E a família, como vai?
Como anda o comer junto, rezar junto (quando fazem!), sentar junto no sofá da sala e ver um programa saudável em família, dar risadas, contar piadas, deitar um no colo do outro, ouvir histórias, olhar nos olhos, dizer "te amo muito"...?
Coisas assim estão perdendo gradativamente e assustadoramente seu espaço e valor dentro de um lar.
Tem muita mãe, pai, filho e filha sendo trocados por diversas coisas: amantes, internet, videogames, namorado(a), balada, festa rave, forró, baile da terceira idade, bingo, piscina do clube... e a casa que tanto poderia cooperar para o crescimento pessoal e espiritual, está ficando de lado... Triste realidade...
Tanto se fala de entretenimento, programas de lazer, etc..
E a Família, como vai? estamos chegando num ponto, onde a família saber fazer muita coisa fora de casa e dentro de casa parecem mais "fami - ilhas", com cada um no "seu quadrado", com seu "espaço", seu "mundinho" e ainda, muitas vezes, estão dentro da Igreja dizendo mil coisas, querendo dar lições de moral e tudo o mais, mas... E a família, como vai?
Não sou contra cada um ter seu quarto, sua privacidade, dentro da MEDIDA CERTA que se cabe dentro de uma família.
Não sou contra um passeio de quando em vez, mas que se valorize também o espaço físico onde partilhamos do mesmo teto: CASA.
Não sou contra um passeio ao cinema em família, mas que se saiba minimizar as distâncias que existem quando estamos em casa onde cada um senta bem longe do outro, quando não, com suia própria TV, DVD, PC, enfim, seu mundo particular.
Por isso vemos hoje pessoas e famílias que não sabem trocar 3 palavras num diálogo.
Não se sabe nem mesmo trocar um olhar sincero nos olhos um do outro...
A única instituição deixada por Deus e tornada sacramento por Jesus, está tendo seus valores invertidos e deturpados.
É tão triste ver uma esposa sofrendo a traição de seu esposo, eliminando as esperanças de uma reconciliação dando espaço a uma vingança que sugere mais uma traição, desta vez por parte dela e assim os filhos deixam de serem frutos deste amor para serem meros detalhes que não fazem diferença em nada, pois ficam jogados às traças e à mercê dos traficantes, prostituidores, programas televisivos que estragam valores, internet que faz um verdadeiro INFERNET no coração e na religiosidade de cada um... Lamentável.
Faço voz de profeta neste momento e digo que tem jeito!
Mas denuncio que infelizmente, nem dentro da Igreja alguns cooperam para restabelecer estes valores... Pelo contrário, dão contratestemunho dentro e fora de seus lares e da Igreja. Desde de beira de botecos até motéis, desde mentiras até violências para com todos...

Você conhece alguém que serve na Igreja?
Você caminha na Igreja?


Serve em ministérios?
Pastorais?
Movimentos?
Você é membro ativo da Igreja católica apostólica romana?
E a família, como vai?
Pensemos nisso e façamos a diferença de ser a diferença num mundo sem perspectivas de diferença.
Paz e fogo.
PS.: Testemunhe com seu comentário o que Deus fez em você ou tocou através deste artigo. Faça alguém crescer com seu testemunho.

O "SIM" NOSSO DE CADA DIA


Paz e fogo, amados de Deus.
Neste artigo eu gostaria de escrever sobre este "sim" nosso de cada dia como servos(as) de Deus na Igreja e para a Igreja.
É tempo de pensar em como está o nosso "sim" de cada dia a cada instante em que somos chamados por Deus na Igreja para servi-Lo de corpo e alma. Pois onde vou, tenho percebido pessoas dizendo um "sim meia-boca", de conveniência e as coisas vão se perdendo do sentido verdadeiro de ser de Deus, de servir a Deus e acabar por fim, servindo a comodidade nossa de cada dia. Nos conformamos, nestes últimos tempos, a nos contentar com o pouco que damos a Deus e - visto que Ele é sempre SIM - nos acomodamos com o que temos e recebemos, damos às pessoas e à Igreja, brigamos com Padres, religiosos(as), coordenadores de pastorais e movimentos, defendemos uma causa sem causa e nos conformamos muitas vezes com uma frase "normal" dentro e fora da Igreja de hoje: "Deus quis assim".
Onde está o SIM nosso de cada dia?
Isso não vem de Deus mesmo! Será que Deus iria querer uma Igreja tão dividida e desunida como estamos vendo e conferindo hoje em dia? Claro que não! Será que a UNIDADE que vemos e ouvimos as pessoas pregarem é esta que verificamos e dizemos viver? Absolutamente! Estamos sendo vítimas de nós mesmos quando ao invés de darmos nosso "SIM" a Deus através da pequenez e simplicidade de nosso "servir a Deus" damos um belo e sonoro "NÃO" aos irmãos que precisam de nosso SIM, de nosso testemunho de doação a Deus e aos outros...
O "SIM" de Maria foi um "sim" total, absoluto, sem reservas e medos, sem
conformidade com este mundo, mas em conformidade com a PALAVRA de Deus... O Fiat - faça-se! - de Maria é um Sim a ser seguido por nós todos os dias, em todos os lugares em que formos chamados ou levados por Deus, sem murmurações e reclamações da falta de tempo, da falta de descanso pessoal... Isso tudo, Deus mesmo providencia e eu sou testemunha ocular e fiel disso. Somos chamados neste tempo atual a avançar para águas mais profundas, lançar redes grandes para pescarmos almas a Deus, testemunhando que somos chamados a sermos o que nós fomos chamados e escolhidos por Deus a sermos verdadeiramente: "Perfeitos(santos), como nosso Pai do céu é Perfeito(Santo)". Como nos convida o Evangelho de Mateus 5, 48.
Damos assim o nosso "SIM" de cada dia como muitos têm dado, se gastado, se cansado de tanto que já levaram esse "SIM" adiante de pessoas descrentes, incrédulas, indiferentes, em crise, desesperadas... Enfim, neste tempo, dê o seu "SIM" de hoje preparando-se para dar o seu "SIM" de amanhã e assim sucessivamente...
Mas infelizmente, caríssimos, os que tem dado seu "NÃO" de cada dia, têm deixado um rastro de decaso tão grande dentro da Igreja que vem desestruturando muitos grupos de oração com sua falta de responsabilidade... Servos que têm deixado sua coordenação na mão com "compromissos importantes" como shopping centers com os amigos, churrasco, futebol, saída com as amigas, pois afinal, temos que nos distrair, espairecer, temos de ter tempo para nós mesmos... E mais almas se perdem...
O sim nosso de cada dia se traduz no amor pelas almas que precisam ser dadas a Jesus!
O retorno delas para Ele é de suma importância e irmãos! Almas têm se desgarrado de Jesus por causa desse "não" de cada dia, nos grupos de oração, nas pastorais, nos movimentos...
Ouvi, certa vez de um "servo" da RCC há anos: "Toda última quinta-feira é minha folga (do grupo de oração), pois precisamos dar espaço para os mais novos..." Que humildade não?
Com ele no Grupo de oração o espaço não poderia ser dado porque?

Porque ele ocuparia o espaço?

Ou porque falta um SIM de cada dia que é para servir dentro do grupo de oração com a presença, com a humildade de aprender dos mais novos o fogo novo, o novo fôlego, mas não, precisa estar em casa... Descansando do grupo de oração!
Podemos considerar isso um SIM?
Eu, pessoalmente, considero um grande e sonoro "NÃO".
Assim tem sido em grupos de oração, em pastorais, em movimentos...
O Sim nosso de cada dia, caríssimos se dá todos os dias, não só numa ida ao Sacrário, repetir as palavras de Nossa Senhora e tudo isso não passar de mero teatro, palavras que saíram pelo momento da boca para fora!

Deus leva a sério o que dizemos a Jesus Sacramentado.
Sejamos verdadeiros no que dizemos e fazemos depois.
Sejamos um Evangelho vivo para as pessoas lerem, sejamos sinais verdadeiros desse SIM para o mundo que diz NÃO para Deus!

Seu irmão e servo em Cristo, Antonio Lucio - Ministério de pregação - Região Sé - Arquidiocese de SP.
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